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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

17 jul

Da glória à tragédia: PSDB e Marconi agora se agarram a Ciro Gomes para sobreviver

 

 

O eterno presidenciável cearense Ciro Gomes transformou-se na esperança de ressurreição do PSDB, o partido que, presidido hoje pelo ex-governador Marconi Perillo, vaga pela política nacional como um zumbi à procura de carne fresca para tentar recuperar um lugar de destaque na política nacional – missão, leitoras e leitores, praticamente impossível. Ciro deve se filiar ao partido dos tucanos nos próximos dias, ninguém sabe explicar nem para quê nem por quê, em mais uma atitude incompreensível na linha que se tornou característica da sua carreira pública.

 

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Há tempos que o PSDB tenta de tudo: uma fusão ou federação com partidos de peso como o MDB, o PSD e o Republicanos e até mesmo com o Podemos, uma microlegenda. No fritar dos ovos, ninguém quis. Ao mesmo tempo, viu seus quadros se esvaziarem ainda mais, restando hoje apenas um governador, Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul, e uma mixaria de senadores e deputados federais. Em Goiás, a sigla igualmente se esvaiu, depois de esbanjar poder e força durante os anos dourados dos governos de Marconi. Nem vale a pena mencionar o saldo negativo reunido nos dois deputados estaduais (os desconhecidos Gustavo Sebba e José Machado), na única federal (Leda Borges, hoje aliada do governador Ronaldo Caiado) e em um ou outro prefeito de ralos municípios sem nenhuma expressão.

 

 

Mais sozinho do que nunca, o nome de algum conhecimento que restou ao partido no Estado é o do ex-governador Marconi Perillo, seriamente abalado pelas duas derrotas consecutivas que sofreu para o Senado, em 2018 e 2022. Marconi fala em se candidatar a governador no ano que vem, um projeto suicida diante da falta de partidos e de lideranças para perfilar ao seu lado. Uma saída seria disputar uma vaga na Câmara Federal, tipo de eleição suscetível a investimentos financeiros que o interessado poderia se dispor a fazer para se tornar viável.

O que impressiona, na trajetória de Marconi, é que ele sempre carregou nas costas uma miríade de nomes que mandaram e desmandaram nos seus governos, mas desapareceram com a sua queda. Gente como José Carlos Siqueira, Leonardo Vilela, João Furtado ou Giuseppe Vecci, quer, a certa altura, passaram a impressão de que uma nova geração de gestores altamente capacitados estaria consolidada em Goiás. Não deu em nada. Se algo fizeram, foi esquecido. E nem sequer para ajudar Marconi a encontrar um novo caminho serviram ou servem. Essa é uma história que merece ser contada pelos historiadores: como uma estrela fulgurante mergulha na escuridão, do dia para a noite, beirando a aniquilação. Nesses momentos, o que compreensivelmente salta à cabeça – no caso de Marconi – é uma ideia de recomeço. Mas, para isso, seria necessária uma reviravolta, uma virada de mesa, uma revolução. Não é o que promete a chegada de Ciro Gomes ao PSDB.