Ignorante sobre patrimônio histórico, Bruno Peixoto engole pito de Gilvane Felipe

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN reagiu com elegância, mas firmeza, às críticas do presidente da Assembleia Legislativa Bruno Peixoto: discursando durante a cerimônia de transferência simbólica da capital para a Cidade de Goiás, Bruno, de repete, meteu-se a reclamar da suposta falta de conservação da Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, construída no século XVIII e reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. Segundo o deputado, o imóvel está deteriorado, apresentando rachaduras e infiltrações na sua estrutura, com riscos para a sua incolumidade. A culpa, na visão de Bruno Peixoto, seria do governo federal, já que “o IPHAN, responsável pelos bens tombados no Brasil, ignora e nada faz para preservar a igreja”.
Seria correto e oportuno, uma boa iniciativa do presidente da Assembleia Legislativa, se… o IPHAN fosse de fato o culpado pela situação daquele templo histórico da Cidade de Goiás. Óbvio que o Bruno não sabia do que estava falando. Tão logo tomou conhecimento da manifestação do parlamentar, o superintendente estadual do IPHAN Gilvane Felipe colocou o assunto em pratos limpos, com uma nota muito bem redigida em que presta os esclarecimentos indispensáveis para resolver a polêmica. Polêmica? Na verdade, longe disso. O que houve é que, se a Igreja estiver de fato em mau estado, quem deve ser chamado para resolver não é o instituto, mas sim o proprietário do prédio. No caso, a Igreja Católica, representada pela Diocese de Goiás, enquanto o IPHAN, no exercício do seu afã fiscalizatório, avisou a entidade mantenedora, em junho último, da necessidade de manutenção.

Dá gosto ler as explicações didáticas do IPHAN de Gilvane Felipe, tal a qualidade do texto. Vamos conferir, a seguir, leitoras e leitores, os principais trechos da reprimenda aplicada a Bruno Peixoto:
A Igreja da Boa Morte, apesar de ser um bem tombado, não pertence ao IPHAN, pertence à Diocese de Goiás. A sua gestão, assim como do Museu de Arte Sacra que ela abriga, encontram-se sob responsabilidade compartilhada do IBRAM, Instituto Brasileiro de Museus e de sua proprietária, a Diocese de Goiás. Por ser um bem tombado, cabe ao IPHAN sua fiscalização. Assim sendo, cumprindo a atribuição legal que lhe cabe, o IPHAN/GO notificou oficialmente em 06/06/2025 o IBRAM, quanto à urgência da manutenção da Igreja da Boa Morte.
Quem pode transferir ao governo do Estado a guarda da Igreja da Boa Morte é apenas e tão somente a sua proprietária, a Diocese de Goiás, a quem deve ser dirigida a proposta de transferência verbalizada pelo presidente da Assembleia Legislativa e não ao IPHAN. A propósito, uma sugestão para resolver financeiramente as imprescindívfeis e urgentes obras de restauração da Igreja da Boa Morte seria o deputado atuar junto à bancada de seu partido, UNIÃO BRASIL, uma das maiores de Goiás, para que seja destinada emenda parlamentar para viabilizar a recuperação do bem tombado, o que para ele não seria muito trabalhoso, haja vista que cada deputado federal tem um montante de recursos do orçamento impositivo ao seu dispor e que certamente o presidente da ALEGO, como membro ilustre de seu partido, não teria dificuldade em convencer alguns, ou até mesmo a bancada como um todo, a colaborar com a situação que tanto o comoveu.
Bruno Peixoto não abriu a boca depois da resposta de Gilvane Felipe. No final da nota, mais uma cutucada irônica:
Como se vê, atribuir ao IPHAN a situação da Igreja da Boa Morte revela total desconhecimento da realidade dos fatos, equívoco que poderia ter sido evitado com apenas uma ligação telefônica. No mais, o IPHAN coloca-se à disposição da Assembleia Legislativa de Goiás, assim como de todos aqueles que estejam interessados em preservar o patrimônio cultural no Estado de Goiás.
Demagogia barata tem preço e o presidente da Assembleia Legislativa pagou caro, ao ser exposto publicamente como alguém que ignora um tema de importância para o público em geral. De patrimônio histórico, ele não entende nada. Falou besteiras e levou um merecido e humilhante pito. E Gilvane Felipe mais uma vez mostrou, com categoria, que está credenciado a voar muito mais alto e até cuidar da direção nacional do instituto.
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