Escanteado no palanque, Wilder passa vexame na festa de Caiado, Daniel e Flávio
O senador Wilder Morais (PL) é um corpo estranho na política. Não tem compreensão nenhuma sobre o verdadeiro processo de articulação entre lideranças, como foi o caso do anúncio de apoio do ex-governador Ronaldo Caiado E do governador Daniel Vilela a Flávio Bolsonaro no 2º turno, superando as divergências do 1º. Não entendeu o significado de integrar um partido, o PL, profundamente comprometido com a eleição de Flávio, cuja campanha competiria a ele, Wilder, liderar em Goiás – não atrapalhar.
Nesta terça, 6 de outubro, Flávio Bolsonaro veio para receber o aval de Caiado e Daniel, durante um evento que se transformou em uma festa e tanto, em clima de euforia. Inclusive, conforme explicado pelo senador eleito Gustavo Gayer, um dos organizadores do encontro, para projetar nacionalmente o engajamento de Caiado e Daniel como símbolo da adesão da maioria dos governadores eleitos ao filho 01 de Jair Bolsonaro. Wilder, ainda sob o impacto depressivo da derrota no domingo, quando não chegou nem a fazer o 22 (alcançou apenas 21,9% dos votos), primeiro disse que não compareceria. Depois, correu para Brasília para dar um jeito de se enfiar na comitiva de Flávio e chegar a Goiânia junto com ele, para falsamente vender a impressão de força e prestígio dentro da campanha bolsonarista.

O que se viu cabe na definição de vexame: um Wilder Morais enternado, ao contrário de 100% dos presentes, escanteado no palanque, de cabeça baixa (sumiu o tradicional queixo erguido), de vez em quando batendo palmas frouxas e ainda obrigado a ouvir Flávio Bolsonaro cumprimentando e elogiando Daniel Vilela, depois de uma referência apenas formal ao nome de Wilder, à jato, no início da fala. Contrastando, por exemplo, com o deputado federal eleito Fred Rodrigues ao seu lado, esse, sim, bolsonarista convicto, dançando, pulando, comemorando a cada frase de Caiado, de Daniel e, claro, de Flávio.
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Confirmando as reclamações de grande parte do PL goiano, que o acusa de só pensar em si próprio, Wilder antecipou logo após o fim da apuração, no domingo, 4 de outubro, uma postura de oposição ao governo de Daniel Vilela – linha que não será seguida por gente muito importante dentro do partido dele, como o senador eleito Gustavo Gayer, o deputado federal Major Vitor Hugo e o prefeito de Anápolis Márcio Corrêa. Pasmem: Wilder pretende atrapalhar o governo de quem está ajudando o candidato do seu partido a presidente. O trio Gayer-Vitor Hugo-Corrêa foi o que realmente armou o meio de campo entre Caiado, Daniel e Flávio, desaguando no ato de congraçamento em Goiânia, enquanto Wilder passou longe. Soube pela mídia. Até hoje, nada ofereceu em proveito da candidatura de Flávio. Como, também, no 1º turno, praticamente nada fez, aliás, nem pela sua própria candidatura, ao assumir uma não-campanha que inacreditavelmente se omitiu de qualquer ação proativa seja a favor dele mesmo seja em prol de Flávio Bolsonaro.

Atenção leitoras e leitores, no 2º turno, a estória vai se repetir, isto é: com Wilder parado. A campanha para Flávio Bolsonaro, como se viu ontem, está por conta de Caiado, Daniel, Gayer, Vitor Hugo e Márcio Corrêa. Atrás deles, segue a maioria dos bolsonaristas estaduais. E da direita não-bolsonarista também. Wilder Morais não só está à margem, com ainda isolado. Ele nem recebeu o microfone para discursar na celebração de Flávio em Goiânia. Permaneceu esquecido no canto do palco. Tudo isso indica que o racha do PL goiano se aprofundou, digamos assim, entre as alas de Gayer e Wilder. Gayer, derrotado por Wilder na tentativa de uma composição com Caiado e Daniel antes do 1º turno, igualou-se em poder, já que agora é senador, tal qual Wilder. Que ninguém se engane: ao contrário do que alguns jornais e jornalistas se esforçam para proclamar, Wilder saiu enfraquecido das eleições. Fragilizado e, de certa forma, até desmoralizado, incapaz mesmo de capitalizar a pequena façanha ao tomar o 2º lugar do ex-governador Marconi Perillo. Os dias, semanas e meses que vêm aí, para ele, serão difíceis.