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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 maio

Inação nos primeiros meses de governo, mais falta de planejamento, custam caro para Caiado, que toca a sua gestão ao sabor de ações pontuais e muitas vezes simplesmente improvisadas

Já dentro do oitavo mês desde que foi eleito, a 7 de outubro do ano passado, o governador Ronaldo Caiado parece não dispor de nenhum planejamento para a sua gestão – nem mesmo para a contenção de gastos que anuncia ser a sua prioridade – e segue em frente com ações pontuais, fora de um contexto maior. Um exemplo são as mudanças no Passe Livre Estudantil, que vão expulsar 60 mil jovens do programa, enquanto o governo preserva projetos na área social que deveriam ter passado por uma revisão, modificados ou extintos.

 

Os programas sociais, a propósito, são uma área em que Caiado errou feio: ele deveria ter promovido uma avaliação global dessas políticas, ainda antes de assumir, o que era perfeitamente possível, para agora promover uma reorganização – na qual seriam inevitáveis cortes ou mesmo o encerramento de alguns deles. Ao longo dos 20 anos do Tempo Novo, foram implantadas iniciativas como a Renda Cidadã, a Bolsa Universitária, o Cheque Moradia e o próprio Passe Livre Estudantil, dentre outros, sem uma planificação financeira adequada e o fato é que, hoje, o Estado não tem recursos para arcar com esses gastos. Essa é a dura verdade.

 

Uma hierarquização de prioridades teria mostrado com facilidade que a população de baixa renda é que deveria ser atendida em suas necessidades básicas, sem populismo eleitoreiro, o que, fatalmente, levaria ao fim, por exemplo, da Bolsa Universitária – que consome uma fortuna por mês e foi mantida apenas porque é a OVG, dirigida pela primeira-dama Gracinha, quem a conduz. Para prestigiar a mulher, Caiado garantiu a continuidade de uma fonte de desperdício de dinheiro público, cujo investimento nunca passou por uma aferição quanto ao seu real retorno para a sociedade. A Bolsa Universitária, tal como foi perpetuada pelo novo governo, não passa de um programa assistencialista muito mal estruturado, quando deveria ser uma proposta puramente desenvolvimentista, algo com que o ensino superior tem muito a ver em qualquer parte do mundo.

 

Leia mais aqui sobre os descaminhos da Bolsa Universitária.

 

Caiado jogou fora a chance de por ordem na área social do governo de Goiás. Pior ainda ao entregar o comando para a primeira-dama Gracinha e abrir mão de uma requalificação racional de tudo o que o Estado dá hoje, de forma desordenada, a quem precisa de apoio – dever, sim, que a administração pública tem que cumprir, mas, venhamos e convenhamos, obrigatoriamente dentro das suas possibilidades. Adotar o realismo, aliás condizente com o seu discurso diário de calamidade financeira, teria sido a opção correta do governador, caminho que ele não trilhou porque, obviamente, traz desgastes e influi na popularidade do governante.