Derrota prevista, mas acachapante, aniquila Vanderlan talvez para sempre
A derrota de Vanderlan Cardoso (PSD) na corrida pelas 2 vagas senatoriais em Goiás já estava precificada desde quando ele começou o seu mandato no Senado, em 2018, e deu partida a uma sequência interminável de erros – o principal deles a absoluta inconsciência sobre o papel institucional de um senador da República. Por isso, já se sabia que Vanderlan perderia a reeleição (confira a nota premonitória deste blog em 30 de agosto último). O que de certa forma surpreendeu foi o tamanho do fiasco que emergiu das urnas para Vanderlan: 5º lugar, atrás até do vereador Oséas Varão, 2ª opção oferecida pelo PL ao lado do vitorioso Gustavo Gayer (Oséas teve 50 mil sufrágios a mais que Vanderlan).
Os votos que abundaram em 2018, mais de 1 milhão e 720 mil ou 31,42% do total, esfumaçaram-se no ar e caíram para 633 mil ou 9,49%, uma ninharia em termos de eleição majoritária, porém suficientes para decretar o fim da carreira política de Vanderlan, que as más línguas, agora, definem como exclusivamente limitada a Senador Canedo e olha lá: em 2024, sua mulher Izaura Cardoso, tomou uma surra em Canedo com candidata a prefeita, ao terminar em 3º lugar.

Em 2018, Vanderlan foi eleito para o Senado acidentalmente. A vaga seria de Maguito Vilela, que, no entanto, não se candidatou para não atrapalhar o filho Daniel, naquele ano concorrendo ao Palácio das Esmeraldas. Uma conjunção de fatores aleatórios viabilizou a vitória do rei dos salgadinhos ultraprocessados, dentre eles a implosão do grupo do ex-governador Marconi Perillo. Sem nenhuma vocação parlamentar, já milionário como industrial bem-sucedido, ele aterrissou na mais alta Câmara Legislativa do país carente qualquer noção da importância do mandato. Lá passou 8 anos especializando-se em mandar para os municípios bilhões em emendas orçamentárias destinadas à aquisição de máquinas pesadas e, aqui ou acolá, asfaltar ruas. Fez isso não pensando em beneficiar as populações do interior, porém antes imaginando construir uma base eleitoral entre prefeitos e lideranças do interior. Óbvio que não daria certo, como não deu. E tudo terminou mal, para Vanderlan.
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Ninguém segura uma carreira política que entra em decadência. Basta conferir o caso de Marconi Perillo. Quanto a Vanderlan, é pior porque ele não tem para onde correr, além do mais tendo se tornando alguém em quem não se pode confiar. Já passou por mais de uma dezena de partidos, mantendo como prioridade cuidar dos seus interesses pessoais mesmo ao custo do sacrifício de lealdades. É um traidor crônico. Inconfiável. Tentou a reeleição pela base governista, ao lado de Daniel Vilela, em uma manobra para abrir espaço para o apoio esperado da maioria dos prefeitos. Ficou a ver navios. Se houvesse um 2º turno entre Daniel e Wilder Morais, trairia mais uma vez, subindo no palanque de Wilder. É que, na hipótese de vitória do candidato do PL, a sua mulher, Isaura, assumiria o Senado como 1ª suplente de Wilder.
Um senador não tem o direito de queimar um mandato tão importante atuando exclusivamente como despachante de luxo para os municípios. Isso é apenas uma parte, e pequena, da missão que cabe a quem ocupa uma cadeira privilegiada e decisiva para a representação dos Estados em Brasília. Vanderlan, senador fortuito por 8 anos, nunca soube o que fazer com a sua elevada posição. Achou que mandar dinheiro e tratores em grandes quantidades para prefeitos não só atenderia as finalidades do seu cargo, como asseguraria a sua reeleição. Acreditou que teria o apoio da grande maioria deles para se reeleger, cometendo um erro de avaliação trivial. Prefeitos, por natureza, são infiéis. E nunca se constituíram em bloco para alavancar candidaturas majoritárias. Vanderlan foi ingênuo. E deu com os burros n’água.
Pesquisas qualitativas, antes de 4 outubro, mostravam Vanderlan como alheio à realidade das goianas e dos goianos. Um desconhecido, enfim. Um ninguém. Agora, chegou a conta, na forma do veredito implacável das urnas: Vanderlan foi aniquilado politicamente, está isolado de tudo e de todos e não tem futuro. No máximo, só pode aspirar a um retorno ao passado através de uma humilhante candidatura a prefeito de Senador Canedo. Ou se afastar de tudo e passar a desfrutar da sua fortuna, mergulhando nos negócios e na dolce vita dos ricos. Falta de aviso, não foi.