Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

07 jun

Governo de Caiado é o mesmo de Marconi e Zé Eliton, com uma diferença: ele atrasa todas as decisões à espera de uma solução milagrosa de Brasília, que está mais do que provado que jamais virá

Façam uma comparação, leitora e leitor: apesar da mudança prometida na campanha e que o levou a receber uma votação esmagadora, o governo de Ronaldo Caiado é idêntico ao de Marconi Perillo e Zé Eliton, com a mesma estrutura administrativa (que, aliás, Caiado ampliou, criando as Secretarias de Cultura, de Agricultura e de Esporte & Lazer), a mesma política social, os mesmos órgãos inúteis e improdutivos que só bastam para abrigar apaniguados com gordos salários (Goiás Parcerias, Goiás Telecom, Iquego, Agência ABC, escritório de representação em Brasília e por aí afora), o mesmo marketing baseado no lançamento de programas sem fontes de recursos (vide o Juntos pelo Araguaia), as mesmas cerimônias no Palácio das Esmeraldas para comemorar investimentos empresariais que muitas vezes não se realizam, os mesmos incentivos fiscais que arrebentaram com a arrecadação do Estado e, no final de tudo, a manutenção do modelo de governança baseado no desequilíbrio entre receita e despesa – a repetição do conjunto de erros que fez o Estado avançar nos últimos anos às custas, agora, da sua inviabilidade financeira.

 

Caiado foi eleito há nove meses ou quase um ano, portanto, e só fez perder tempo desde então. Não encarou de frente o dever de casa”, ou seja, prometeu cortar no osso para ajustar o Estado, mas acabou criando mais gastos, concedendo vantagens que o funcionalismo sequer reivindicava, como o vale alimentação para todos os que percebem até R$ 5 mil mensais – item que nunca constou da pauta das associações que defendem os servidores, e mantendo o que recebeu sem qualquer inovação. Fez duas reformas administrativas, ambas pífias, que, alegou, economizariam R$ 440 milhões em quatro anos, número que, além de representar uma gota d’água em um oceano de quase R$ 100 bilhões de orçamento, no mesmo período, ainda não foi comprovado.

 

Falatório houve muito, com Caiado no governo. Ações para resolver os rombos que estão travando o governo, nenhuma. É duro concluir que, na verdade, o novo governador transformou Goiás em um Estado caudatário de Brasília e, pior, mas muito pior ainda, dependente de soluções que o governo federal já demonstrou que não está disposto a tomar – apesar do decantado prestígio de Caiado junto ao presidente Jair Bolsonaro, que não tem se prestado a grande coisa. O plano de socorro aos Estados, finalmente enviado ao Congresso, não só vai demorar a entrar em vigor como está longe de atender às necessidades. A mordida no FCO sequer saiu do plano das intenções. E vem aí a extração dos Estados da reforma da previdência, que está tirando o sono do governador – já que, mesmo sabendo que o atual sistema de aposentadorias do funcionalismo estadual é insustentável, não se mexeu até hoje e deixou que tudo continue como sempre foi.

 

Dizer que Caiado é tonto seria uma injustiça e um desrespeito. Mas, como governador, está longe de ter a mesma eficiência que teve como parlamentar, em uma bem sucedida carreira de mais de 20 anos de mandatos no Congresso Nacional. Ele apenas toca o bonde, quando deveria intervir com efetividade para mudar o rumo dos trilhos. Não é o que Goiás exige, neste momento histórico.