Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

09 dez

Condições físicas de Maguito são impeditivas para diplomação, posse e talvez até o exercício do mandato. Assunto não é tabu, por envolver o interesse coletivo, e precisa ser tratado objetivamente

Com 50 dias de internação hospitalar, atualmente intubado e submetido a hemodiálise contínua no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, o mais caro do país, com despesas médicas que a esta altura já devem ter superado os R$ 2 milhões de reais, o prefeito eleito de Goiânia Maguito Vilela segue em condições físicas que ninguém, no momento, sabe precisar com exatidão – talvez nem mesmo os qualificados profissionais de saúde que o assistem. A linguagem fria e técnica, além de resumida, dos boletins oficiais do Albert Einstein não possibilitam uma visão desanuviada sobre o que está se passando com o paciente, levando a uma conclusão inevitável: ele continua em estado grave ou gravíssimo, perdeu peso, não tem consciência de nada e não estará em condições de ser diplomado, em solenidade marcada para os próximos dias, e muito menos de tomar posse no dia 1º de janeiro. Em uma linha: tão cedo não falará, não se alimentará normalmente e não ficará de pé. Seus pulmões, que chegaram a quase 100% de comprometimento, jamais voltarão a funcionar como antes.

É a dura realidade, infelizmente. Em grupos fechados de médicos, isso é dito sem censura. Que, no entanto, está sendo ignorada, sob a desculpa de que abordar da doença de Maguito e das suas perspectivas de vida, neste instante, seria preconceituoso ou desumano. O assunto foi transformado em tabu, enquanto políticos e pessoas que não foram eleitas para a prefeitura preparam-se para tomar de assalto o Paço Municipal. Isso tem de ser falado, debatido, tratado às claras, sob o risco de mergulhar Goiânia em uma aventura administrativa que pode ter efeitos deletérios para a cidade e seus habitantes. Ninguém quer reconhecer que, no último pleito, a capital escolheu um prefeito sem condições para cumprir o mandato que recebeu da benevolência das goianienses e dos goianienses, não em razão de um projeto político ou de propostas, mas da compaixão que despertou e foi habilmente manipulada pela campanha do MDB. Só que foi exatamente o que ocorreu.

Vítimas idosas do novo coronavírus pagam um preço alto. Os danos ao organismo são terríveis e duradouros. O painel acima, extraído da revista acadêmica Nature, já com 150 anos de circulação na Inglaterra e de credibilidade indiscutível, resume algumas sequelas que perseguem os sobreviventes dos grupos de risco, na maioria dos casos para sempre. Notem bem, leitoras e leitores, são mencionadas apenas poucas, não todas, porque a Covid-19 abriu um novo foco para a medicina mundial, a partir deste ano com larga margem dos seus esforços concentrados no seu estudo, em um vasto campo de investigação. Não é uma “gripezinha”. E sem falar na hipótese de reinfecção ou de exposição a cepas mutantes, como a descoberta agora na Dinamarca. O que seria “desumano”, quanto a Maguito, é esperar que, diante dos 72 anos que completará em janeiro, venha a exercer atividades laborais intensas, sujeitando-se a tudo isso, em um cargo que traz obrigações diárias pesadas, em vez de recolher-se a uma rotina de cuidados intensivos consigo próprio. Sim, pode sobrevir um milagre e ele se restabelecer plenamente, derrubando os prognósticos ora colocados. Porém, “milagre” já terá sido sobreviver ao ataque do vírus, dada a sua fragilidade genética específica para a patologia.

É urgente conversar sobre todos esses pontos. Insistir na cortina de silêncio sobre as verdadeiras circunstâncias de Maguito é prejudicial tanto para ele individualmente quanto para Goiânia coletivamente. O futuro, ou seja, 2021 está chegando rapidamente. Se o novo prefeito é o vice Rogério Cruz, tutelado pelo menos inicialmente por Daniel Vilela, em um organograma de poder que não foi previamente revelado às eleitoras e aos eleitores, ao contrário escondido pelas falsas notícias da iminente melhora e alta hospitalar do candidato, que nunca aconteceram e até hoje não têm previsão de acontecer, é preciso que venham a público para dizer o que pensam e qual é o programa que propõem para a gestão municipal. Está faltando inteligência, enquanto se brinca de transição no Park Lozandes. O que vem aí, para Maguito e para a cidade, não parece ser bom.

07 dez

Administração de Iris falhou em setores delicados para a qualidade de vida da população e vai deixar um passivo que comprometerá os primeiros meses e talvez anos da nova gestão

Uma série de reportagens de O Popular está configurando, para 2021, um ano dramático na prefeitura de Goiânia, graças ao excesso de obras inacabadas que serão legadas pelo prefeito Iris Rezende para o seu sucessor. É muita coisa, tudo prometido para conclusão neste ano, antes da eleição, porém não cumprido. E dentro de um quadro de descontrole que torna impossível marcar uma data para a entrega, casos, por exemplo, da arrastada reforma do Terminal Isidória, do complexo da avenida Jamel Cecílio (um viaduto que estava com inauguração prevista para julho último), dos quatro trechos da avenida Leste-Oeste (um no Jardim Novo Mundo, outro no Bairro Goyá, mais um entre a avenida Manchester e Senador Canedo e por último o trecho que na verdade é um prolongamento entre a Praça do Trabalhador e a Rua 402, que tem partes ainda não desocupadas), tudo isso sem falar no BRT Norte-Sul, que está longe, muito longe de estar pronto mesmo na sua etapa inicial.

É uma herança trágica, sob certos aspectos, já que vai engessar a nova gestão da prefeitura, obrigada a consumir recursos e gastar tempo com projetos que não são seus ou que deveriam vir na sequência das obras que deveriam estar funcionando, mas que Iris não conseguiu terminar – muitas delas, pasmem leitoras e leitores, iniciadas no mandato de Iris que começou em 2005. Não há como negar que instalou-se um descontrole administrativo no Paço Municipal, capaz de impactar os primeiros meses do novo prefeito – que, por enquanto, deve ser o vice Rogério Cruz. Ainda mais com dívidas estimadas em R$ 150 milhões vencendo no ano que vem e que o governo estreante será obrigado a pagar ou a renegociar, a juros exorbitantes.

Há mais. Um dos mais graves pepinos de Goiânia, hoje, é a falta de vagas nos CMEIs para que as mães trabalhadoras abriguem seus filhos enquanto cumprem expediente. Iris deixou essa carência se ampliar e chegar, em 2021, a um número entre 15 e 20 mil vagas, o que é inaceitável, ao de certa forma afeta os direitos básicos da mulher goianiense. Não haverá como resolver a curto prazo, nem mesmo copiando-se a solução improvisada que Maguito Vilela adotou em Aparecida, quando foi prefeito lá, ao assinar convênios com instituições privadas para expandir a educação municipal infantil local – algo que precisa ser investigado pelo Ministério Público. Aliás, entre as dezenas de obras inacabadas de Iris estão também 10 CMEIs, em diversos estágios de construção, que exigirão um razoável volume de recursos para a sua finalização. No geral, O Popular relacionou 21 problemas que afetam diretamente a qualidade de vida da população e que serão repassados, em aberto, para os novos dirigentes do Paço Municipal. É uma lista extensa, que inclui itens do atendimento básico de saúde às faixas carentes da população, inundações periódicas sem prevenção, a falta de definição de um foco para a guarda municipal (resguardar o patrimônio da prefeitura ou ajudar na prevenção ao crime?) e ocupação desenfreada de espaços públicos, sem nenhum controle. Sim, leitoras e leitores, não existe nenhuma situação de mar de rosas na prefeitura de Goiânia. Era propaganda.

07 dez

Em reunião que não seguiu as regras de prevenção à Covid, PSDB ouve discurso sem conteúdo de Marconi, não considera os resultados da eleição em Goiás como derrota e continua a recusar a autocrítica

Em mais um mau exemplo para a população, ao promover uma aglomeração que não obedeceu as regras de distanciamento e uso de máscaras para prevenção à Covid-19(foto acima), o PSDB juntou os cacos, no último fim de semana, em um almoço oferecido pelo presidente estadual Jânio Darrot em sua cinematográfica chácara em Trindade, para – acreditem, leitoras e leitores – celebrar a “vitória” que os caciques sobreviventes do partido enxergaram na eleição municipal deste ano em Goiás (veja vídeo no canal da rádio Sagres no Youtube aqui).

A recusa à autocrítica tem sido a marca dos tucanos, nacionais e locais, desde as derrotas de 2018 e os acontecimentos policiais que envolveram suas principais lideranças. No encontro trindadense, assim foi. O ex-governador Marconi Perillo e Jânio Darrot fizeram discursos ufanistas, comemorando a eleição de 21 prefeitos, dentre os 47 candidatos lançados em nome da legenda, criando a teoria de que houve uma taxa de sucesso de pouco mais de 45%. É ridículo. Esses números apenas confirmam mais um vexame nas urnas para  a sigla que foi dominante no Estado entre 1999 e 2018 e hoje está perto da condição de nanica.

Pois o PSDB goiano, pelo que se viu no triste ágape, perdeu o rumo de vez. Não há projeto nenhum na cabeça dos líderes tucanos, a não ser acusar conspirações – como a derrota de Marconi para o Senado em 2018, em que eles enxergam uma tramoia comandada pelo Ministério Público Federal para eleger Jorge Kajuru para a vaga que seria do ex-governador. É muita falta de humildade e de discernimento. Marconi caiu diante da coleção de episódios que mergulharam seus governos em uma zona cinzenta, que as eleitoras e os eleitores repeliram, cansados da sequência sem fim de escândalos de corrupção. É a rejeição a tudo isso que fulminou e continua fulminando o partido, como observou o secretário de Governo Ernesto Roller. Outro ponto repassado nos discursos foi a comparação entre as administrações do passado e a gestão do governador Ronaldo Caiado. Isso não passa de choradeira vazia, quando o que políticos bem intencionados deveriam estar fazendo é apresentar ideias e propostas para o futuro de Goiás. Mas é a praia do PSDB: exaltar o que já foi feito e cobrar o agradecimento – ou o voto – do eleitorado, tal como foi o discurso da campanha malsucedida de 2018 e até mesmo agora pelo candidato do partido em Goiânia Talles Barreto.

Nem vale a pena discutir as ditas “críticas” dos tucanos a Caiado, pela falta de consistência. O PSDB, que antigamente lotava ginásios de esportes, não conseguiu completar nem a metade do varandão de Jânio Darrot. E, com as suas palavras vazias, provou que se distancia cada vez mais das mentes das goianas e dos goianos.

04 dez

Informações sobre o real estado de Maguito continuam ocultas pela manipulação de Daniel Vilela, pelos boletins resumidos do Hospital Albert Einstein e pela imprensa, que não investiga a verdade

O prefeito eleito de Goiânia Maguito Vilela não melhora. Internado há mais de 40 dias, mais da metade desse tempo em UTI, seu verdadeiro estado de saúde nunca foi colocado em pratos limpos, primeiro com o objetivo de não prejudicar as suas intenções de voto e depois, tendo vencido o 2º turno por uma margem estreita, para manter a ilusão das goianienses e dos goianienses no sentido de que ele está “melhorando”  e que em breve estará plenamente restabelecido, pronto para assumir o cargo de gestor administrativo da capital daqui a 26 dias.

Isso não vai acontecer, mesmo se, conforme os repetidos anúncios de Daniel Vilela, Maguito realmente se recupere e possa ser declarado oficialmente como curado, nos próximos dias ou semanas. Vejam bem, leitoras e leitores, “comemorou-se”, nesta semana, o fato de que dois exames seguidos não encontraram mais o novo coronavírus no seu organismo e que ele foi transferido para uma UTI “normal”. Ora, isso não existe. Trata-se de uma irresponsabilidade. UTI é UTI, apenas com a distinção de que vítimas da Covid-19, pelo potencial infeccioso, são isoladas de outros internados em condições agudas. Passo à frente é sair da UTI e ponto final. E, mesmo já tendo sido contaminado, Maguito não pode se expor à doença, que abriu um capítulo novo na medicina mundial, já que, teoricamente, pode ser novamente atacado. Isso, agora, acaba de acontecer com o secretário de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo, que já pegou o coronavírus, superou e voltou a pegar, encontrando-se no momento, como Maguito, internado em estado grave em São Paulo.

As fontes médicas deste blog, que não erraram até o momento, informam que os problemas de Maguito estão nas sequelas que virão por tudo o que passou e continua passando: os efeitos deletérios da Covid-19, que abrangem uma ampla gama de lesões físicas, principalmente em relação aos pulmões, e também as consequências danosas do tratamento a que está submetido, com as suas funções vitais realizadas por máquinas extracorpóreas. Há um preço a pagar por isso. O equipamento ECMO, por exemplo, tem um prazo ideal de aplicação de 10 dias, tempo que Maguito já dobrou. É duro constatar que, desligado, ele não sobreviveria. Uma conferência médica, aberta a perguntas livres da imprensa, seria o ideal para esclarecer o que se passa com o prefeito eleito de Goiânia, já que a sua integridade deixou de ser um assunto particular ou familiar e passou a interessar ao futuro administrativo da capital.

Só que há uma conspiração silenciosa, em que Daniel Vilela diz o que quer e os jornalistas reproduzem, sem qualquer questionamento ou investigação. Aceita-se também a brevidade narrativa e repetitória dos comunicados do Hospital Albert Einstein. Nesse quadro penoso, cresceu o médico-genro Marcelo Rabahi, ao tratar com pragmatismo essas notícias piegas, evidentemente plantadas para angariar simpatias, fugir da malaise e dar a certeza de que o voto dado a ele não foi em vão, ao comentar sobre Maguito ter sido comunicado por uma enfermeira da sua vitória no 2º turno e, em seguida, derramado lágrimas, além de piscar um olho como sinal de consciência e entendimento. Não é bem assim, esclareceu o dr. Rabahi. O evento pode revelar ou não algum tipo de comunicação, o que seria impossível saber por enquanto, disse ele, corretamente, evitando se alinhar com a exploração emocional de um ser humano que luta pela vida e que não vai sair dessa batalha incólume, porém carregando desdobramentos que o afastarão de uma existência normal talvez para sempre. Muito ainda precisa ser dito sobre o que está acontecendo, desde a falta de cuidados que levou Maguito à contaminação até ao uso eleitoreiro e político, que lamentavelmente continua, do seu sofrimento.

04 dez

Votou em Maguito, elegeu Rogério Cruz: vem aí uma mixórdia política e administrativa que tem tudo para comprometer a gestão da prefeitura de Goiânia

Eleito pelas urnas, depois de um processo de manipulação de informações sobre o seu verdadeiro estado de saúde através do qual o MDB e o filho Daniel Vilela deram a entender que ele estaria apto para assumir a prefeitura de Goiânia, Maguito Vilela continua em condições gravíssimas na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. O resultado: daqui a 26 dias, o vice Rogério Cruz estará tomando assento no comando do Paço Municipal.

Preparem-se para más notícias, leitoras e leitores. Não sobre Maguito, que até sinaliza alguma melhora, embora seus médicos e seus familiares não consigam definir o que avançou paositivamente em seu padecimento hospitalar, se é que avançou. Porém, a respeito do que vai acontecer na prefeitura, primeiro no período que antecede a posse e depois já a partir da instalação do novo regime. Os ingredientes são os piores possíveis: um prefeito que não foi eleito diretamente, Rogério Cruz, e não sabe exatamente o que fazer nem tem autoridade plena para isso, e uma eminência parda, no caso Daniel Vilela, tutelando todas as decisões, de fato criando um temerário vácuo de poder que tende a ser nocivo para Goiânia, já que nenhum dos dois tem nas mãos a credencial emitida pelas urnas.

Ninguém sabe como o vice é, qual o seu estilo, qual o seu comportamento, quais as suas características pessoais. Ele é uma página em branco até para o MDB, que passou a conviver com ele a partir da sua escolha como companheiro de chapa de Maguito, representando a aliança com o Republicanos do deputado federal João Campos. Até aí, Rogério Cruz não passava de um vereador mergulhado na obscuridade. Nos últimos dias, o substituto eventual que agora é o titular quase definitivo deu um duplo e preocupante sinal: 1) avisou que não será um “poste” depois de assumir o cargo, o mesmo que dizer que não aceitará o papel de fantoche cumpridor de ordens e 2) foi a um encontro dos prefeitos eleitos da Igreja Universal, em São Paulo, onde ouviu as diretrizes da instituição para os seus prepostos que foram vitoriosos nas últimas eleições.

Ou seja: há duas forças, uma interior, ele mesmo, e outra exterior, a Igreja Universal, prontas para interferir no que vem aí para a gestão administrativa da capital. Ambas acima da questão partidária. Contra isso, óbvio, se ergue o MDB e o filho Daniel Vilela, que participou da cerimônia pública, no gabinete do prefeito Iris Rezende, após o pleito, em que Rogério Cruz, também presente, foi humilhado quando Iris disse aos jornalistas que “Daniel Vilela estava à altura de comandar a transição entre o governo que sai e o governo que entra”. Esse papel, é óbvio, deveria ser do vice, dada a sua elevada posição institucional dentro da realidade da próxima prefeitura, que ouviu perigosamente calado.

Maguito, leitoras e leitores, já terá recebido um milagre ao sobreviver ao ataque que sofreu da Covid-19, para o qual não tinha defesas genéticas. Dificilmente ganhará outro, reunindo condições para assumir o cargo, quando não se conhecem ainda quais as sequelas que o acometerão, tanto da doença quanto do pesado tratamento invasivo a que está submetido – que, anotem, está se prolongando em demasia, embora infelizmente necessário, o que só multiplica os riscos cardiológicos, neurológicos, ortopédicos, fisiológicos e psíquicos que está correndo para quando se restabelecer. O novo prefeito é… Rogério Cruz e essa ficha caiu dentro do MDB. Não há outra acepção para definir a sua posse a não ser a de um grande problema. Para o partido, para Daniel Vilela e para Goiânia, será uma mixórdia.

02 dez

Participação de Caiado no último programa de rádio e TV alavancou Vanderlan e ajudou a diminuir consideravelmente a distância para Maguito de mais de 20 para apenas 5 pontos

A participação do governador Ronaldo Caiado no último programa de rádio e televisão do candidato do PSD a prefeito de Goiânia Vanderlan Cardoso teve efeito positivo ao servir de alavanca para o salto que ele, Vanderlan, deu às vésperas da data da eleição, quando reduziu sua diferença em relação ao representante do MDB Maguito Vilela de mais de 20 para apenas 5 pontos. Foi uma evolução extraordinária e absolutamente inesperada, surpreendendo a campanha de Maguito – que esperava uma vantagem expressiva – e desmentindo as pesquisas publicadas na reta final, que davam  Vanderlan muito atrás do emedebista.

No rádio e na TV, foi a única aparição de Caiado a favor do candidato a quem deu o seu apoio. Tem-se a visão, hoje, de que ele poderia ter tido uma visibilidade maior na campanha. Mas o governador, corretamente, foi econômico na sua exposição, evitando dar a impressão de que estaria cobrando voto em Vanderlan ou tentando influenciar mais do que o normal em uma eleição municipal. Tanto que funcionou e deu resultados, agregando votos para o postulante do PSD – e não desgastes, como acontecia com governantes do passado, do MDB e do PSDB, quando interferiam a favor dos seus preferidos em eleições em Goiânia.

Dezenas de pesquisas já deixaram claro que Caiado tem alta aprovação entre as eleitoras e os eleitores da capital. Uma das causas, todo mundo sabe, é o sucesso da sua política para a segurança pública, que diminuiu drasticamente as ocorrências criminais em todo o Estado, mas principalmente na Grande Goiânia, devolvendo a paz social a que as cidadãs e os cidadãos têm direito. Mas há mais motivos, dentre eles sua postura inflexível contra a corrupção e seu histórico de vida limpa, itens que estão entre os de maior apelo popular. A condução firme do governo do Estado durante a pandemia também somou. Graças a tudo isso, Caiado tem conquistado entre 55 e 70% de aprovação nas avaliações sobre o seu desempenho e a sua gestão, o que levou, no início da campanha deste ano na capital, a uma disputa entre Maguito e Vanderlan pelo seu apoio, prevalecendo o concorrente do PSD – e, no final das contas, comprovou-se que foi, sim, um trunfo pelo qual valeu a pena lutar.

01 dez

Ibope erra em Goiânia e outras capitais: ditadura das pesquisas precisa ser derrubada no Brasil, em especial no caso das que são divulgadas pelo mais poderoso meio de comunicação do país, a Rede Globo

Mais uma vez, o Ibope errou feio, às vésperas da data do 2º turno, ao prever a vitória do candidato do MDB Maguito Vilela a prefeito de Goiânia, que, segundo a pesquisa do instituto, aconteceria por 59% dos votos contra 41% para Vanderlan Cardoso, do PSD. Abertas as urnas, no dia seguinte, não foi o que aconteceu: Maguito teve apenas 51%, uma diferença de 7 pontos em relação ao Ibope, um ponto fora da curva mesmo em se considerando a margem de erro de 4 pontos para mais ou para menos, enquanto Vanderlan fechou com 47%, 6 pontos acima do calculado pelo levantamento do Ibope.

O instituto tem uma tradição de erros graves em Goiás, onde sempre pairou a suspeita de que os seus números são maquiados e eventualmente atendem a interesses partidários. O Ibope trabalha para quem pagar, ou seja, é uma espécie de empresa mercenária, atrás de faturamento e de quem oferece mais, ao contrário do Datafolha, por exemplo, que não aceita encomendas de partidos ou de políticos. Isso seria de menos, não fora o fato de que, infelizmente, os seus trabalhos são divulgados pela Rede Globo, o mais poderoso veículo de comunicação do país, alcançando grande repercussão Isso, no final das contas, pode acabar influenciando as eleitoras e os eleitores e precisa acabar. Em Porto Alegre, o Ibope se danou ao dar um dia antes da eleição a vitória da candidata da esquerda Manuela Ávila, que, apuradas as urnas, foi derrotada por 5 pontos por Sebastião Melo. Não dá mais para conviver com esse tipo de distorção, proposital ou não.

01 dez

Votação bem menor que a esperada, no 2º turno, foi recado de Goiânia para o MDB, a Daniel Vilela, ao vice Rogério Cruz e ao grupo que cerca Maguito: não há confiança plena e persistem dúvidas

No 2º turno, o candidato a prefeito de Goiânia pelo MDB Maguito Vilela teve uma votação bem abaixo do esperado. Dos 250 mil votos que teve no 1º turno, evoluiu 50 mil e foi para 277 mil sufrágios ou mais ou menos 25% a mais. Seu adversário Vanderlan Cardoso, postulante do PSD, deu, no entanto, um salto de mais de 70%, saindo de 148 mil votos no 1º turno para 250 mil no 2º. Todas as pesquisas publicadas antes do dia 29, inclusive na véspera, apontavam para números diferentes, francamente favoráveis a Maguito. Um instituto, o Diagnóstico, chegou a 60% das intenções de voto para o emedebista e apenas 30% para Vanderlan.

Erraram todos. Os institutos de pesquisa e quem acreditou em um massacre eleitoral. O próprio vice eleito Rogério Cruz admitiu que “esperávamos uma vantagem maior”. Além disso, a abstenção subiu e, acrescida dos votos brancos e nulos, passou de 40% do eleitorado, recorde nacional. Maguito acabou eleito com uma votação que retroagiu Goiânia a 1996, quando Nion Albernaz venceu no 2º turno com 250 mil votos. Ou seja: 25 anos depois, a votação foi a mesma, porém significando, hoje, uma baixíssima adesão da população ao mandato do novo prefeito.

Em eleições majoritárias, basta ganhar por um voto e se está eleito. Essa é a regra legal. Mas situações assim criam problemas de legitimidade para o eventual novo governante que dela se beneficia, quando há um quase empate. Menos votos, diferença menor e tudo o mais que se registrou no 1º e no 2º turno, incluindo aí a falta de debates entre os candidatos e a doença que afastou um deles praticamente por toda a campanha, produziram, não há dúvidas, uma desconfiança coletiva que terminou por se traduzir no veredito das urnas.

O recado de Goiânia para o MDB, para o superfilho e dono de tudo Daniel Vilela e para o grupo político e para os aliados de Maguito é claro: devagar com o andor. Receberam um cheque para administrar Goiânia, mas não em branco. A maior parte das goianienses e dos goianienses – que não votou no vitorioso – ainda precisa ser convencida de que é do novo núcleo que se instalará no Paço Municipal que sairão as soluções de que a capital necessita. Pouco mais de 20% do eleitorado teclou número 15 nas urnas eletrônicas, índice mais baixo de comprometimento já registrado na história política e eleitoral de Goiânia. Isso quer dizer que o aval da sociedade terá que ser conquistado com acertos, bom senso, comedimento e sobretudo demonstração de que, no dia 29, domingo passado, não foi um processo de ganância pelo poder que emergiu das urnas e sim um passo à frente para a cidade e seus habitantes. É o que vamos saber agora.

30 nov

Eleição de Maguito, que pode não assumir nunca, traz de volta o pior da “velha política”, através do fatiamento de cargos que o prefeito Rogério Cruz terá que fazer para atender ao MDB e aliados

Esqueçam, por ora e provavelmente por muito tempo, qualquer cenário em que o prefeito eleito Maguito Vilela possa melhorar e em seguida assumir o comando do Paço Municipal. Isso – desculpem a palavra, leitoras e leitores, mas é o caso – não passa de uma lorota criada pelo MDB e pelo filho Daniel Vilela no esforço de manipular as informações reais e vender o candidato, no 1º e 2º turnos, como passível de ser votado porque, em breve, estaria restabelecido e pronto para o mandato conquistado nas urnas.

Gostemos ou não, o novo prefeito de Goiânia é o carioca Rogério Cruz, o sortudo maior produzido pelos eventos infelizes da última eleição municipal. Em tese, pode se revelar um grande líder e um grande gestor. As circunstâncias em que será investido, no entanto, conspiram contra ele. O fato é que dificilmente revelará forças para enfrentar as pressões que se avolumarão contra ele antes mesmo de atribuir-se o 2º cargo mais importante da hierarquia administrativa de Goiás. O MDB, partido que venceu em Goiânia, é um autêntico representante da “velha política”, apesar das caras jovens com que aparentemente se renovou, tipo Daniel Vilela ou Agenor Mariano. Eles são mais macróbios, entre as orelhas, do que as tradicionais referências geriátricas do partido, tipo Iris Rezende ou o próprio Maguito, que se alternam no poder e em eleições há 40 anos consecutivos.

Mas as eleitoras e os eleitores goianienses são pacientes e crédulos. Elegeram Maguito por compaixão, acreditando que, passados os momentos mais difíceis da luta contra o coronavírus, estaria em breve em completo restabelecimento, pronto para enfrentar as pesadas obrigações para as quais as urnas o escolheriam, confiando nos comunicados da campanha emedebista, nas “comemorações” de Daniel Vilela pela iminente alta hospitalar e nos vídeos do médico-genro Marcelo Rabahi e até nos boletins médicos oficiais em linguagem superficial de uma instituição respeitável como o Hospital Albert Einstein. Pois é: nada disso era verdade, Maguito sempre piorou, continua muito mal, até como consequência do tratamento mecânico a que está submetido com a conexão a uma infinidade de máquinas extracorpóreas e pode nunca mais ter condições de levar uma vida normal, se sair dessa, diante das sequelas previsíveis ou não, todas altamente limitantes para a normalidade da existência.

Em troca de Maguito, o que Goiânia vai ganhar é o vice Rogério Cruz. De certa forma, também é um estelionato eleitoral. Comprar um produto e receber outro, de menor qualidade., é a definição. Junto, virá o pior da “velha política”, com fatiamento de cargos entre partidos e lideranças para garantir apoio e 33 vereadores que vão se armar até os dentes para aproveitar a oportunidade. Políticos preferem governantes fracos, dos quais podem arrancar mais vantagens. É o que vem por aí, com um acréscimo: a tutela de Daniel Vilela. Até quando vai durar, vamos ver no que vai dar, mas é uma fórmula que não funciona em lugar algum.

30 nov

Injustiçado pela campanha suja do MDB, Vanderlan conquistou uma “vitória” política ao ampliar em 70% a sua votação no 2º turno e chegar a uma derrota que engrandece

O candidato do PSD a prefeito de Goiânia Vanderlan Cardoso fez bonito no 2º turno: aumentou a sua votação em 70% em relação ao 1º turno, depois de sofrer, em ambas as rodadas, uma campanha de difamação nas redes sociais, no rádio e na televisão, que inclusive apelou para o recurso de editar falas suas para passar às eleitoras e eleitores que ele falou aquilo que não falou. Perdeu, sim, mas trata-se de uma derrota que engrandece, enquanto, às vezes, acontecem vitórias que amesquinham.

Ninguém fez essa conta ainda, mas é possível que a campanha do MDB tenha gasto mais tempo com ataques do que com propostas, nos dois turnos, o que pode ser ainda mais significativo se calculados os minutos de propaganda eleitoral gratuita, o conteúdo das entrevistas e declarações aos meios de comunicação e os posts nas redes sociais explorando a doença de Maguito através de um esforço insano para transformar qualquer questionamento ou dúvida a respeito em “desumanidade” ou “monstruosidade”. Vanderlan não incorreu em nenhum delito ético, ao contrário da propaganda do adversário, que abusou de trucagens, deturpações e manipulações de toda ordem. Saiu limpo, coisa que os seus oponentes não podem alegar, pois, ao contrário do que disse nesta segunda, 20 de novembro, o filho Daniel Vilela, quem “desrespeitou”  o padecimento de Maguito foram ele, Daniel, e os seus companheiros emedebistas, ao partir para uma linha de ofensas e falseamentos que o pai candidato talvez não aprovasse.

Vanderlan manteve o nível. Do outro lado, não se pode dizer o mesmo. O espetacular crescimento no 2º turno, muitas vezes mais que os novos votos em Maguito, é um atestado eloquente (vale o chavão) do acerto da decisão de não retribuir as agressões na mesma moeda e uma prova de que, com algum atraso, o eleitorado reconheceu as injustiças de que foi vítima e o acerto das suas declarações reclamando da farsa montada em torno da iminente melhora do candidato emedebista, que, ninguém é bobo, teve o objetivo assumido de evitar prejuízo para as suas intenções de voto. O representante do PSD é um político novo, com muito futuro pela frente. A campanha ora encerrada com certeza vai para o seu recall positivo e entregará frutos oportunamente à frente.

30 nov

Agora que a eleição passou, a verdade sobre o estado de saúde de Maguito precisa aparecer – porque é um assunto que interessa à governabilidade em Goiânia e à sua população

Não há mais nenhuma justificativa para que, agora, não apareça a verdade sobre o estado de saúde do prefeito eleito de Goiânia Maguito Vilela – assunto que foi transformado em tabu durante as campanhas do 1º e 2º turno e mantido na obscuridade pela ostensiva manipulação dos comunicados do MDB, pelas “comemorações” do filho Daniel Vilela e pelos vídeos otimistas do médico-genro Marcelo Rabahi. Nesse sentido, até mesmo os boletins médicos oficiais do Hospital Albert Einstein, instituição que se tem como acima de qualquer suspeita, contribuíram para manter um clima de mistério, ao recorrer a um conteúdo econômico em matéria de informações e a uma linguagem técnica que não deixa as coisas claras o suficiente.

A ‘black fraude” montada pelo MDB para impedir prejuízos às intenções de voto de Maguito quase foi para o beleléu no 2º turno, conforme se viu quando as urnas foram contabilizadas, com o candidato do PSD Vanderlan Cardoso reagindo espetacularmente a ponto de perder a eleição por pouco mais de 25 mil votos – crescendo quatro ou cinco vezes mais que o adversário. Isso mostra que, na véspera e na data da votação, baixou sobre o eleitorado a consciência de que a escolha de Maguito, incapacitado fisicamente e provavelmente sem perspectivas de recuperação a ponto de reunir forças para assumir o comando do Paço Municipal, poderia levar a um desastre administrativo, com a entrega da prefeitura ao vice Rogério Cruz, um político do baixo clero e sem nenhum desempenho anterior capaz de credenciá-lo para o desafio que em 30 dias será lançado nas suas costas.

É hora de fazer o que o MDB e Daniel Vilela evitaram durante o 1º e o 2º turnos: uma conferência médica aberta a perguntas de jornalistas, com o objetivo de deixar em pratos limpos todos os aspectos e detalhes relacionados ao caso de Maguito, em especial sobre as consequências que o tratamento pesado que está fazendo terá sobre a sua vida nos próximos meses e anos, na hipótese feliz de vir a vencer a doença. Afinal, além do paciente, uma cidade com mais de 1,5 milhão de habitantes também está com o seu futuro em jogo.

30 nov

Pela votação menor que as abstenções, vitória de Maguito é a que tem menos legitimidade eleitoral em toda a história de Goiânia e só ganha dos prefeitos nomeados, que não tinham nenhuma

O novo prefeito de Goiânia Maguito Vilela, que segue internado em estado grave na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, sobrevivendo às custas de aparelhos extracorpóreos que substituem as suas funções vitais, foi eleito com apenas 256 mil votos – número bem menor que o número de eleitoras e eleitores que deixaram de comparecer às urnas, que chegou a 356 mil na capital e se constituiu na maior abstenção dentre todas as cidades onde houve 2º turno. Maguito, nesse sentido, só está acima dos prefeitos nomeados durante o regime militar, que não dependiam de votos para o mandato que receberam por decreto.

Somada aos votos brancos e nulos, a abstenção em Goiânia passou dos 400 mil inscritos para votar, o que leva irremediavelmente à conclusão de que o eleitorado omisso superou em mais de 60% os sufrágios recebidos pelo candidato do MDB. É uma matemática jamais registrada antes em eleições na capital, afetando seriamente a legitimidade política do novo prefeito, que, assim, foi levado ao cargo por fatores atípicos e com a aprovação de uma parcela mínima da população. Essa situação tende a se agravar com a posse do vice Rogério Cruz, uma vez que o titular dificilmente terá condições para assumir o comando do Paço Municipal diante das sequelas que ainda terá que enfrentar, caso consiga se recuperar do ataque do novo coronavírus.

29 nov

Goiânia elege Maguito por apenas 5 pontos de vantagem sobre Vanderlan e salta no escuro com o vice Rogério Cruz como o novo prefeito

Pronto, resolvido: com os votos de Maguito Vilela, o vice Rogério Cruz é o novo prefeito de Goiânia. Maguito venceu nas urnas com apenas 5 pontos de vantagem sobre Vanderlan Cardoso, frustrando as expectativas de uma votação recorde e desmentindo todas as pesquisas, que apontavam entre 13 a 20 pontos de dianteira para o emedebista. Rogério Cruz, um político do baixo clero, carioca há 10 anos em Goiás e evangélico do pé rachado, como pastor da Igreja Universal, pode encomendar o terno para a posse: não existe a menor possibilidade de que Maguiito venha a assumir, caso consiga superar o ataque da Covid-19, mas enfrentando uma imensa lista de sequelas da maior gravidade que provavelmente impedirá, para sempre, que ele tenha uma vida normal e possa exercer um cargo pesado como o de prefeito de Goiânia. Como previsto, o resultado da eleição na capital é um salto no escuro.

29 nov

Domingo, 29 de novembro: o dia em que o voto em Maguito, lutando pela vida e incapacitado fisicamente, vai mergulhar Goiânia em uma aventura que ninguém sabe aonde vai levar

Embora às vésperas da eleição, a verdade sobre o estado de saúde do candidato do MDB a prefeito de Goiânia Maguito Vilela começou a aparecer – e passa longe do que o MDB, o filho Daniel Vilela e até mesmo os boletins médicos oficiais deixaram e deixam no ar. Em matérias nos principais veículos da imprensa nacional e até mesmo em O Popular, nesse último ainda que timidamente, as condições do paciente ilustre do Hospital Israelita Albert Einstein foram reconhecidas como gravíssimas, sem nenhuma evolução positiva e, pior, já com a certeza de que, sobrevivendo à Covid-19, terá pela frente uma lista de sequelas pesadas e, tudo correndo bem, um processo de reabilitação que pode até durar para o resto da sua vida.

Ou seja: Maguito dificilmente voltará um dia a ter condições para assumir o mandato de prefeito de Goiânia, que deve arrebatar nas urnas emocionalizadas da capital até o fim deste domingo, 29 de novembro. Uma data que vai mergulhar Goiânia em uma aventura cujo desfecho é imprevisível, porém com indicadores negativos. É que a vontade das eleitoras e dos eleitores não será cumprida, com o Paço Municipal sendo entregue – ou temporariamente, por um longo período, ou permanentemente – para o vice Rogério Cruz, um político do baixo clero que veio do Rio de Janeiro para Goiás há mais ou menos 10 anos.

Internado em São Paulo, o candidato emedebista sequer sabe que venceu o 1º turno. Ele está em coma induzida ou não, situação que as informações divulgadas pelo hospital não esclarecem. A redação dos boletins é técnica e econômica, repetindo, agora diariamente, as mesmas frases, só que, a cada nova emissão, acrescentando de vez em quando uma linha, sempre má notícia. A última é que o processo de hemodiálise passou a ser contínuo. Maguito está conectado a máquinas extracorpóreas que realizam todas as suas funções vitais, o que, por si só, em se recuperando do ataque do coronavírus, cobrará um preço alto durante o seu eventual restabelecimento. Não andará, não conseguirá comer e precisará de oxigênio puro, por um longo tempo. Segundo O Popular, terá insônia e depressão. A essa altura do rigoroso tratamento a que está sendo submetido, deve ter perdido uma massa corporal significativa. Não será fácil.

No Hospital Albert Einstein, a taxa de mortalidade da Covid-19 é de apenas 1,3% dos pacientes internados com a doença. Entre os poucos que acabaram passando pela ECMO, 12,5% perderam a vida. E não, não é um índice baixo. Ao contrário, é elevado. Alguns, quando o equipamento foi desligado, não conseguiram respirar por conta própria, depois de passado o prazo de 10 dias – que algumas fontes médicas definem como o máximo permitido com segurança. Uma conclusão é inevitável: o prognóstico para Maguito, assim que superar as agruras que está enfrentando, é igualmente crítico, desmentindo a campanha do MDB propagandeou de favorável, atropelando as expectativas da família e em especial as “comemorações” e a “alta nos próximos dias” seguidas vezes anunciada por Daniel Vilela e até mesmo os vídeos otimistas do médico-genro Marcelo Rabahi. Infelizmente, quem correrá o risco de ir para a UTI, no futuro próximo, é Goiânia.

28 nov

Definição perfeita para a eleição em Goiânia é “black fraude”: vocês, eleitores e eleitores, elegem Maguito prefeito e ganham Rogério Cruz (e Daniel Vilela) no comando do Paço Municipal

A um dia da eleição, as eleitoras e os eleitores de Goiânia vão passar à história como o maior caso de “black fraude” já registrado no Brasil: depois de uma campanha atípica, com o candidato do MDB Maguito Vilela internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, sem sequer saber que está disputando e ganhando o 2º turno, o desfecho previsto será a condução do desconhecido vice Rogério Cruz ao comando do Paço Municipal, onde, pelo menos inicialmente, será tutelado por Daniel Vilela e pelo deputado federal João Campos (diz-se “inicialmente” porque, em algum momento, Rogério Cruz pode resolver que o cargo é dele e não aceitar mais o cabresto, coisa recorrente na política).

O primeiro, Daniel Vilela, é o responsável pela estratégia de transformar o padecimento de Maguito depois de contaminado pelo novo coronavírus – aliás irresponsavelmente, ao não seguir as regras de prevenção sanitária e isolamento social, apesar da sua idade avançada – em trunfo eleitoral, através da manipulação de informações com o objetivo de garantir e aumentar as intenções de voto no pai. Já o segundo, João Campos, político de bastidores, é o dono do Republicanos em Goiás, partido da Igreja Universal e da Rede Record que indicou o vice Rogério Cruz para compor a chapa do MDB.

Nenhum deles está sendo votado neste domingo, mas os três subirão ao pódio com o resultado da eleição mais atípica que já houve em Goiás. O processo de escolha do novo prefeito que começou a degenerar com a decisão de Iris Rezende, pressionado pela família, de não disputar a reeleição e se aprofundou a partir do calvário de Maguito até chegar a um clima de completa emocionalização, onde levantar dúvidas e perguntar pela real condição de saúde do paciente passou a ser classificado como “desumanidade” e até “monstruosidade”. Com isso, abriu-se a avenida de que levará neste domingo o MDB ao poder municipal na capital, que a legenda, diga-se de passagem, não tinha com Iris – um gestor administrativo muito concentrador, que pouco se importava com questões políticas.

Iris cansou-se de repetir que não queria entregar Goiânia para “qualquer um”. Graças à “black fraude”, é o que vai acontecer. Não há nenhuma intenção de desrespeito, aqui, ao vice Rogério Cruz, a Daniel Vilela ou a João Campos. Trata-se apenas de registrar que, com a eleição de Maguito, são eles que irão governar  do alto do acanhado prédio do Park Lozandes onde funciona a sede da prefeitura, sem terem sido votados para isso. Nenhum tem cacife para o que vem pela frente. Mas é o que as goianienses e os goianienses terão. O verdadeiro vencedor dificilmente terá aptidão física sequer para tomar posse em 1º de janeiro, admitindo-se que, até lá, estaria curado, porém não livre das terríveis sequelas que sobrevêm à Covid-19 e a quem passa por um tratamento heróico como o que Maguito está enfrentando, em coma induzida há duas semanas e com todas as suas funções vitais realizadas por máquinas extracorpóreas. Até para falar, deglutir alimentos e ficar em pé, ele terá dificuldades enormes.

Ou por um bom tempo ou por todo o mandato, a vez será de Rogério Cruz. E de Daniel Vilela e João Campos.