Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

16 jan

Quem é? O que pensa? Como vai se sair no cargo? Será refém do MDB ou vai impor o seu próprio jeito de administrar? O desconhecido Rogério Cruz é a maior incógnita da história política do Brasil

Ninguém sabe quem é o prefeito de Goiânia Rogério Cruz. De tudo o que foi publicado até agora sobre ele, pouco se avançou além de ser carioca, ter desenvolvido uma carreira como executivo da Rede Record e atuado como pastor da Igreja Universal, inclusive como missionário em países africanos. Tem 54 anos e foi vereador por dois mandatos em Goiânia, cidade onde acaba de completar meros 10 anos de residência.

É só. E, fora isso, é liso como um bagre ensaboado. Ri para todos e dá declarações tão equilibradas quanto insossas, fugindo como um mestre das armadilhas espalhadas no seu caminho e configuradas em perguntas de jornalistas e avaliações de analistas políticos. Não comete erros. Mas, por outro lado, é uma esfinge. Um enigma impenetrável e indecifrável. Nem Maguito Vilela nem o filho Daniel o conheciam até que foi indicado para compor a chapa como vice, sob o patrocínio do deputado federal João Campos e do Republicanos, dentro da estratégia de fazer contraponto para a chapa de Vanderlan Cardoso, que também é evangélico, porém de outra denominação, e que dentro do mesmo raciocínio escalou o católico Wilder Morais na sua vice.

Para complicar as coisas, Rogério Cruz cruzou a campanha em brancas nuvens. Não apareceu. Seu lugar foi ocupado por Daniel Vilela, que passou a falar pela chapa e pela campanha desde que o pai foi afastado pela Covid-19. O resultado é que o prefeito empossado nunca teve a oportunidade de dizer o que pensa, regra que, mesmo agora, já efetivado, continua seguindo. Fez discursos, deu entrevistas e tudo o mais que se espera de alguém investido em um cargo tão importante como o de prefeito de Goiânia, só que perseverando em não enunciar e não conceituar além de garantir que será fiel ao legado de Maguito.

Convenhamos, isso é quase um zero absoluto. É preciso, de qualquer forma, admitir que o momento é de luto e que seria talvez imprudência ir além. Certo. Ainda assim, dá para prever que algumas condicionantes, em breve, vão gritar bem alto. Rogério Cruz vai aceitar trabalhar no gabinete número um do Paço Municipal como prisioneiro do MDB, vigiado dia e noite pelo carcereiro e secretário de Governo Andrey Azeredo?  Vai, provavelmente devagar, pelo menos no começo, impor um jeito próprio de administrar? Mexerá no secretariado para torná-lo parecido com a sua cara e superar a limitação de ser um governante sem cota pessoal na equipe de auxiliares, na qual só tem como gente da sua confiança particular o chefe de gabinete? Aceitará, enfim, o papel de marionete, quando, no final das contas, a bomba estourará é no seu colo se algo der errado?

As respostas não demorarão. A aposta deste blog, leitoras e leitores, é que Rogério Cruz, de bobo, não tem nada.

14 jan

Irresponsabilidade que levou à morte de Maguito acabou se replicando no seu funeral, com aglomerações, pessoas sem máscara, contato físico e tudo o que o coronavírus precisa para se multiplicar

Vejam a foto acima, leitoras e leitores, publicada agora há pouco pelo jornal O Popular, de autoria do profissional de primeira linha Fábio Lima. Centenas, talvez milhares de pessoas, se aglomeram no cemitério de Jataí, acompanhando os passos finais das cerimônias fúnebres de Maguito Vilela. Trata-se de uma irresponsabilidade, tão grande quanto a que levou ao fim do prefeito de Goiânia, que também não se cuidou e não foi cuidado pelos familiares e equipe que o cercavam durante a campanha. Isso aí, do jeito destrambelhado que aconteceu, com certeza vai levar a mais mortes.

A amontoação de pessoas não ocorreu só em Jataí. Deu-se também em Goiânia, na Praça Cívica, e em Aparecida, em frente ao prédio da prefeitura. Tudo na contramão das recomendações mais básicas para a prevenção do contágio pela Covid. Mas aconteceu. E vai cobrar um preço, daqui a alguns dias.

14 jan

Busca de poder, imprudência pessoal e negligência de quem o cercava e assessorava levaram Maguito à contaminação pela Covid e à sua morte precoce

Sim: morrer com 71 anos é morrer precocemente. Maguito Vilela, com a sua boa saúde e forma física de ex-atleta, além de uma vida tranquila, poderia chegar sem maiores sustos aos 80 e até aos 90 ou quem sabe mais. Só que ele foi atropelado pela busca de poder, quando não precisava mais de nenhuma afirmação na política, pela imprudência pessoal com que se dedicou, sem maiores cuidados preventivos, à campanha para a prefeitura de Goiânia e pela negligência criminosa de todos que o cercaram enquanto candidato, desde familiares como o filho Daniel Vilela até a entourage velha de guerra e faminta por cargos públicos do MDB. Maguito não foi sensato e menos ainda a sua, digamos assim, equipe, o seu círculo mais próximo. O preço que todos pagaram, no final, foi alto.

No início de outubro, este blog observou: “Um homem com quase 72 anos de idade, ou seja, integrante do grupo de alto risco, não deveria ser exposto a contatos com apoiadores, reuniões, carreatas e uma intensa agenda de eventos, como acontece com Maguito e, pior, sem requisitos sanitários rigorosos. Aliás, a candidatura, neste momento de pandemia, pode ter sido uma loucura, conforme o autor dessas mal traçadas considerou na época em que foi anunciada. E ele continuou dando mau exemplo ao brincar com a sorte. Por exemplo, usando máscaras parciais de acrílico, teoricamente para facilitar o reconhecimento do seu rosto pelas plateias e pelos bairros por onde desfilou em cortejo eleitoral. Mas, segundo especialistas, esse equipamento não protege nem a quem o usa nem as pessoas com quem se tem contato. Como é que alguém da importância de Maguito, um dos dois candidatos com possibilidade de vencer a eleição para prefeito de Goiânia, comete ou é submetido a um desleixo dessa magnitude? Há um preço e ele foi cobrado com a inevitável contaminação. Gente com a idade de Maguito, ainda mais com as suas condições financeiras, deveria ficar em casa e evitar se expor, ao contrário do que ele fez, atrás da eleição para o lugar de Iris Rezende e sem tomar as devidas precauções. Sim, porque, na maioria das vezes, ou pelo menos em muitas delas, quem contrai a Covid-19 infelizmente relaxou quanto as normas de prevenção. Parece ser o que houve”.

Tudo isso é incontestável. Em vez de se recolher e não circular de modo algum, diante da certeza da sua fragilidade genética perante a Covid depois que duas irmãs da mesma faixa de idade morreram atacadas pelo vírus em um espaço de 10 dias, Maguito não tinha que se meter com proselitismo eleitoral e, ao contrário, entender que o sinal para ele estava vermelho. É fácil dizer isso agora, depois do desfecho, mas este blog apenas repete o que apontou antes. Aliás, foi exatamente porque a sua família vislumbrou o risco que Iris Rezende não foi candidato à reeleição. Ele queria – e queria muito. Sua mulher, filhas e filhas não permitiram. A exposição como prefeito já era grande. Como candidato, poderia ser letal. O resultado é que Iris está vivo, enquanto Maguito feneceu como vítima da falta da preocupação dele mesmo e dos seus sobre as suas expectativas e possibilidades quanto à nova doença. Essa é a verdade. E verdades precisam ser ditas, agora mais do que nunca, depois do festival de mentiras e omissões que marcaram, do começo ao fim, o padecimento do prefeito de Goiânia. O seu martírio e consequente desenlace não deveriam ser em vão.

 

Atualização: Daniel Vilela, enfim, fez as pazes com a transparência e a autenticidade dos fatos. Deu uma entrevista a O Popular em que, pela primeira vez desde que Maguito Vilela adoeceu, é possível acreditar. Contou tudo e, de certa forma, desmentiu todas as “comemorações” e declarações farsescas de antes, que tinham o escandaloso e indecente objetivo de auferir vantagens eleitorais e políticas. Felizmente, ele acabou entendendo, com a morte do pai, às custas de uma dor pessoal sem tamanho, que esse é o melhor caminho. Nossas condolências a toda a família.

13 jan

Em desfecho previsto e esperado, sequelas da Covid extinguem a vida de Maguito. Funeral público, provocando aglomerações, será uma imprudência a mais nessa triste estória

Maguito Vilela, dotado geneticamente de baixíssima ou nenhuma resistência ao novo coronavírus, sucumbiu. A sua morte, como ocorre tradicionalmente no Brasil, será transformada em oportunidade para uma santificação, mas há lições talvez um pouco duras ou desagradáveis que precisam ser extraídas em benefício de todos. É o que este blog fará, mas não hoje, em respeito ao luto da família, dos amigos e até mesmo de Goiânia, cidade da qual era o prefeito conforme a decisão das urnas do ano passado. O que é inadmissível, agora, é que se cometam mais imprudências e irresponsabilidades quanto ao seu caso, em especial com um funeral público capaz de provocar aglomerações absolutamente não recomendadas neste momento de recrudescimento da pandemia. Desvairado, o prefeito de Jataí Humberto Machado anunciou há pouco que isolará um quarteirão nas proximidades do cemitério local, onde se dará o enterro, levantando tendas para que a população possa prestar condolências. Isso não tem sentido. É levar mais pessoas à morte. Vivo, é certo que o comedido Maguito não aprovaria a ideia. Ainda há tempo para colocar um ponto final na possibilidade de velórios ou qualquer outro tipo de cerimônias póstumas que não as estritamente reservadas à família e mesmo assim com o menor número possível de parentes. Que o bom senso e os graves imperativos de prevenção de saúde e da vida, neste instante, prevaleçam.

12 jan

Mau sinal: ao contrário do que ocorreu até agora, boletins médicos oficiais do Hospital Albert Einstein sobre o paciente Maguito Vilela apontam para quadro dramático

O último boletim médico oficial do Hospital Albert Einstein sobre o paciente Luiz Alberto Maguito Vilela, nesta terça, 12 de janeiro, revela, ao contrário de todos os anteriores, um quadro dramático: Maguito, diz textualmente o documento, “segue na UTI, em diálise contínua, sedado, traqueostomizado em ventilação controlada, em tratamento de infecção pulmonar grave e drogas vasoativas em altas doses”. Acabou aquela estória de “estável” ou “reagindo bem ao tratamento” ou ainda “em fisioterapia” que sempre foi a tônica dos boletins divulgados até agora, ou seja, aqueles que adotavam uma linguagem capaz de sugerir a recuperação do doente. O tom, conforme a leitora e o leitor podem conferir, passou a ser, digamos assim, de uma objetividade dura e pouco ou nada voltada para ocultar informações, ao dar detalhes, por exemplo, como a da administração de “drogas vasoativas em altas doses”.

Isso significa que o coração de Maguito está debilitado. Antes, falava-se em “diálise”, apenas, e como “suporte para superar a elevada aplicação de drogas”, mas tudo mudou e a referência passou a ser feita a uma “diálise contínua”. Tudo conflui para a caracterização de uma deterioração gravíssima do estado de saúde de Maguito. Gravíssima. Que não se economizem adjetivos, infelizmente aplicáveis ao caso: em evoluiu para uma condição desesperadora. Provavelmente passou por uma drástica perda de peso, devido à internação prolongada, perdendo amplamente a sua capacidade de reação. Está nas últimas. Não valem nada as palavras vazias do filho Daniel Vilela, há pouco mais de uma semana atrás, prevendo o iminente restabelecimento do pai: “Nosso prefeito, amigo e companheiro Maguito está se recuperando cada dia mais. Graças a Deus e as orações de todos vocês, ele já não faz mais uso constante de sedativos, segue os procedimentos médicos de recuperação com positividade e muito otimismo e se prepara para voltar a falar após o procedimento de traqueostomia”. O triste, em tudo isso, é que Daniel Vilela sempre teve informações privilegiadas sobre o que ocorre na UTI do Albert Einstein, mas preferiu ocultar a verdade para garantir os dividendos políticos inerentes primeiro à eleição e depois à posse do Paço Municipal – que Maguito, mesmo se sobreviver, jamais terá condições de assumir diante das sequelas que enfrentará.

Salvar Maguito não é impossível, mas é tarefa para Jesus.

12 jan

Gravidade do quadro de saúde de Maguito é a mesma de sempre: apesar da ocultação de informações, desde que foi atacado pela Covid ele nunca melhorou e agora depende de um milagre

Só uma graça divina será capaz de livrar o prefeito licenciado de Goiânia Maguito Vilela de um desfecho letal para o padecimento que ele vive desde que, há quase três meses, foi acometido pela Covid e entrou em uma via-crúcis hospitalar em que nunca apresentou melhoras, apesar da insistente ocultação de informações sobre as suas condições de saúde – em alguns momentos através de uma vergonhosa manipulação pura e simples com o objetivo de faturar dividendos políticos e eleitorais.

Maguito está muito mal. Cuidado em qualquer outro hospital brasileiro que não o Albert Einstein, onde ganha uma assistência que poucos pacientes do novo coronavírus receberam no mundo, já teria sido levado a óbito, com um detalhe: dispor de recursos financeiros, nesse caso, é fundamental. Por isso, sem dinheiro para uma conta astronômica como a que está gerando em um estabelecimento médico considerado como o mais qualificado (e o mais caro) da América Latina, há muito que Maguito não estaria entre nós.

É duro, é triste, mas essa é a verdade. Costuma-se confundir a divulgação de notícias reais sobre o estado físico do prefeito licenciado com desumanidade ou falta de solidariedade. Não é bem assim. Ao contrário, esconder o que ele está passando, como foi e continua sendo feito, principalmente pelo seu filho Daniel Vilela, é que é perverso – ao gerar expectativas infundadas que atendem aos interesses do projeto de poder que Maguito representa, mas nunca, no futuro, ainda que se salve, poderá exercitar, cabendo a sua exploração aos que se beneficiam do seu drama, como o MDB e Daniel Vilela. Isso, sim, é que é condenável. Foi feito durante a campanha, continuou depois e esta semana mesmo voltou a acontecer, quando o filho deu declarações sem o menor fundamento alegando que a infecção pulmonar que agora sobreveio seria à base de bactérias tratáveis com antibióticos. Isso é falso e é por isso que a situação do enfermo entrou em uma fase de agudeza crítica. Bactérias de UTIs hospitalares, como as que se instalaram nos pulmões de Maguito, são superbactérias, resistentes a medicamentos. Atrás delas, penetraram os fungos, igualmente invencíveis. Duas infestações pesadas. Pior: fungos lesam muito. Ignoram drogas de combate e aproveitam-se da debilidade causada pelas bactérias, trabalhando em conjunto para consumir a vítima. Na sequência, complicações cardíacas, renais e circulatórias, nenhuma leve. Os fármacos vasoativos que está tomando destinam-se a manter o seu enfraquecido coração batendo. Em dosagens elevadas, segundo o último boletim oficial do Albert Einstein. Ficou muito difícil, mesmo para o guerreiro que ele nunca foi, mas que seus familiares e amigos seguem apregoando que ele é.

Ainda é possível um milagre. Sempre é. De antemão, o que se pode concluir com certeza é que Maguito, escapando, jamais recuperará a integridade necessária das suas faculdades físicas e orgânicas a ponto de assumir um cargo público espinhoso como o de prefeito de Goiânia. A essa altura, os danos que sofrreu, não mensuráveis por enquanto, são incontornáveis. O mandato, do início ao fim, será do vice Rogério Cruz, gostemos ou não dessa solução prevista desde a época do 1º turno. Competirá a ele, de alguma forma, provar que em algum momento poderemos vir a gostar.

11 jan

Criação de secretarias e cargos com salários elevados, acompanhada por nomeação em massa de políticos: Daniel Vilela e Gustavo Mendanha passam a boiada e aparelham Goiânia e Aparecida

Desde o início das suas novas gestões, a 1º de janeiro último, as prefeituras de Goiânia e Aparecida vivem um ritmo frenético de nomeações de políticos, depois que mais secretarias foram criadas e acrescentadas centenas de cargos comissionados com salários atrativos, ainda mais em tempos de desemprego provocado pela pandemia do novo coronavírus. Em Goiânia, foram implantadas de uma canetada só quatro novas pastas, enquanto Aparecida foi mais ousada e abriu espaço para mais oito, com o acompanhamento das respectivas estruturas administrativas (leia-se: quadro de pessoal) – imediatamente usadas para abrigar ex-vereadores, candidatos derrotados e representantes de partidos políticos.

Não é exagero chamar o que está acontecendo em ambos os paços municipais de farra. Só que, infelizmente, por conta dos cofres públicos. Há dois projetos de conquista do poder estadual, ou seja, do governo do Estado, em andamento, um em Goiânia, outro em Aparecida. Aproveitando a doença do pai Maguito Vilela, que segue internado em estado grave e incapacitado fisicamente na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o filho Daniel Vilela deita e rola, de olho na sustentação da sua candidatura a governador em 2022. Foi ele quem comandou a fabricação indecente de mais de 300 cargos comissionados na prefeitura da capital, com vencimentos entre R$ 8 e 12 mil e poucos reais por mês, anexando uma despesa extra de R$ 30 milhões anuais ao orçamento do município. O vizinho Gustavo Mendanha não hesitou em seguir o exemplo, já que também foi picado pela mosca azul e imagina representar o MDB na próxima disputa pelo Palácio das Esmeraldas. Eles aproveitaram o início dos novos mandatos e passaram a boiada.

09 jan

Batalha eleitoral de 2022 já está sendo preparada: Caiado busca aumentar apoio para a reeleição, enquanto o MDB usa Goiânia e Aparecida para se fortalecer e lançar Daniel Vilela para governador

A eleição que vai definir o próximo governador de Goiás começou a ser pré-definida neste início de ano, com dois movimentos importantes no tabuleiro de xadrez da política estadual: por um lado, o governador Ronaldo Caiado articula uma mexida no secretariado para conquistar mais apoio para o projeto de recondução a mais um mandato, enquanto o MDB só pensa em assumir a liderança da oposição e resolveu jogar pesado com os únicos trunfos que arrebatou no último pleito, as prefeituras de Goiânia e Aparecida, totalmente aparelhadas para viabilizar uma nova candidatura de Daniel Vilela ao Palácio das Esmeraldas. E com uma vantagem: livres da influência de Iris a favor de Caiado, que Daniel e turma engoliam sem digerir.

Caiado é diferenciado. Não faz politicagem e até distribui fatias da administração a representantes de partidos, porém sem concessões ao seu uso espúrio. Goste-se ou não do governador, o fato é que, isso, ele não aceita, ao contrário dos governantes do passado – que, dessa forma, tinham mais facilidade para fechar acordos e alianças. É por isso que a reforma da sua equipe de auxiliares, ainda mais uma turma que está dando certo em praticamente todas as áreas, com raríssimas exceções, ou seja, com um aqui e outro acolá mostrando um mau desempenho, enfrenta dificuldades para ser efetivada. Mesmo assim, alguns movimentos serão feitos, para adequação obrigatória ao cenário que emergiu da última eleição municipal, em especial o crescimento exponencial do DEM e do PP e a ponte com o PSD representada pelo relacionamento positivo que o senador Vanderlan Cardoso construiu com o governador. Como será feito, ainda não está claro.

Por conta do MDB, o quadro é mais agressivo. Quem manda e desmanda no partido, hoje, é o jovem e impulsivo Daniel Vilela, que não guarda reservas para manobrar politiqueiramente os nacos de poder que caíram nas mãos do partido, que perdeu em número de prefeituras, mas venceu nos dois principais colégios do Estado, Goiânia e Aparecida, municípios que dispõem de orçamentos capazes de satisfazer a fome pantagruélica dos emedebistas de Goiás por cargos e verbas. Quem lê O Popular e a coluna Giro constatou, do início do ano para cá, que partidos e quadros de expressão estão sendo crescentemente cooptados através da distribuição de espaço nos paços municipais das duas cidades, principalmente no que fica no alto do Park Lozandes. Até o deputado Elias Vaz, que sempre considerou o MDB como uma legenda de direita, foi contemplado e aceitou.

Daniel Vilela está montando uma superestrutura para 2022. É candidato a governador e não quer repetir a experiência de fazer uma campanha mambembe como a que fez em 2018, quando não teve agenda na maioria dos municípios e quase ninguém no palanque. É a isso e não a uma recusa ao seu nome que ele atribui o fiasco dos poucos mais de 10% dos votos que conseguiu, muito abaixo dos 60% que consagraram e deram a Caiado uma portentosa vitória em 1º turno. Naquela época, o filho de Maguito Vilela tinha pouca coisa sob seu controle, mas isso mudou. A prefeitura de Goiânia é um mundo de oportunidades a ser explorado e nada vai detê-lo, de olho em uma posição fortificada para voltar a disputar o governo contra a reeleição de Caiado.

08 jan

Maguito piorou com nova infecção pulmonar, nesta quinta, apenas 3 horas depois de Daniel Vilela mais uma vez “comemorar” a sua boa evolução e anunciar que ele poderia passar o aniversário em casa

Seria cômico se não fosse trágico; nesta quinta, 7 de janeiro, o presidente estadual do MDB Daniel Vilela mais uma vez “comemorou” a boa evolução do pai Maguito Vilela – internado na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, inicialmente para tratar de um ataque da Sars-Cov-2, já superado, e em seguida para tentar minimizar o efeito das sequelas que recaíram sobre o seu organismo e até o momento ainda não dimensionadas em toda a sua extensão. Às 13h30m, o site G1-Globo publicou declarações de Daniel festejando avanços no estado de saúde do prefeito eleito de Goiânia e adiantando que a situação do paciente seria tão favorável que já se cogitava de uma alta hospitalar a curto prazo para que ele tivesse a oportunidade de celebrar o aniversário em casa, no dia 24 de janeiro, quando fará 72 anos.

Pois bem. Pouco mais de três horas depois, às 16h39m, a mesma página do G1-Globo postava uma matéria urgente, agora revelando uma piora das condições de Maguito, da maior gravidade. Ele foi assaltado por uma infecção pulmonar provavelmente causada por bactérias super-resistentes que circulavam na UTI do Albert Einstein e teve que voltar ao coma induzido e à ventilação mecânica plena, passando novamente enfrentar o risco de um desfecho mais sério. Que infecção é essa e qual a sua origem, o lacônico boletim médico oficial não detalhou. Se for mesmo uma superbactéria, Maguito ingressou em um nível crítico de sobrevivência diante da perda da capacidade dos pulmões (tanto que não pôde ser liberado do respirador artificial) e do enfraquecimento geral do seu organismo, perda de peso e outras consequências drásticas da sua prolongada submissão a máquinas e procedimentos medicamentosos, tudo isso somado à deletéria e perniciosa imobilização no leito hospitalar.

As “comemorações” de Daniel Vilela, sempre seguidas deterioração do quadro clínico de Maguito, já se transformaram em rotina para as goianas e os goianos. Elas ocorrem dentro de objetivos estratégicos bem definidos, a exemplo da manipulação de informações às vésperas dos dois turnos eleitorais e também nos dias que antecederam a data da posse. Em vez de reconhecer e abrir o jogo sobre as circunstâncias físicas do pai enfermo, salta à vista a intenção de mostrar otimismo com um iminente retorno à vida normal, primeiro, na época da campanha, para garantir a preservação das intenções de voto no então candidato do MDB a prefeito e depois, como o foi nesta semana, para minimizar o efeito negativo da quebra de expectativas quanto ao que se esperava para a gestão do Paço Municipal. Esqueçam, leitoras e leitores: Maguito não vai assumir a prefeitura. Se, por um milagre, isso algum dia for possível, vai demorar muito tempo.

07 jan

Conta de Maguito no Hospital Albert Einstein é milionária e pode chegar a R$ 6 milhões: dever ético de transparência indica que é preciso informar quem vai pagar e de onde virá essa pequena fortuna

Fontes médicas que têm assessorado este blog sobre o estado de saúde do prefeito licenciado de Goiânia Maguito Vilela e sua prolongada internação hospitalar estimam que o caríssimo e sofisticado tratamento a que ele está sendo submetido, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, pode chegar a uma fatura de R$ 6 milhões de reais ou, não sendo exatamente isso, um valor igualmente exorbitante – que o filho Daniel Vilela, por um dever ético de transparência, já que o pai é um homem público, precisa informar de onde virá, se o fato de ser ex-senador dará a Maguito algum privilégio financeiro (senadores em exercício têm cobertura integral de gastos médicos, mas não se sabe se isso é estendido a ex-membros do Senado) e se ele tem esses recursos disponíveis ou se dependerá de empréstimos ou de doações de amigos e correligionários, ou, no final das contas, de onde sairão.

Circulam notícias a propósito de um preposto que teria sido designado pela família para levantar essa pequena fortuna necessária para cobrir as despesas com a internação no Albert Einstein. Seria o ex-secretário de Fazenda de Aparecida, nos dois mandatos de Maguito, Carlos Eduardo de Paula, economista e advogado, da confiança estrita do prefeito licenciado, responsável pelas suas finanças particulares – o que não deixa de ser estranho, presumindo-se que Maguito não é rico e não necessitaria de assessoria para cuidar do seu caixa. É de conhecimento geral que ele é unido a Flávia Teles, em cuja casa mora no Condomínio Alphaville. Flávia Teles tem cobertura. Se a internação gerar uma nota fiscal de alguns milhões, o que se imagina é que, para ela, seria uma parte mínima do patrimônio e dos haveres monetários de que dispõe.

Mas a questão não é exatamente essa. A questão é de transparência. Com todos os seus defeitos, o presidente Jair Bolsonaro deu um bom exemplo quando tomou uma facada e foi atendido no Hospital Albert Einstein, divulgando todos os dados a respeito. Por 17 dias de internação, foram pagos R$ 400 mil reais, excluídos os honorários dos médicos que o atenderam, que elevaram a conta para o dobro. Maguito está lá há mais de 70 dias, recebendo uma assistência muito mais especializada que a do presidente. O ECMO, equipamento a que esteve conectado para sobreviver à fase mais aguda do ataque do coronavírus, é um privilégio a que, mundialmente, poucos têm acesso. Sua utilização é cotada em dólar, envolvendo mais de uma dezena de profissionais médicos e biomédicos e dispositivos de tecnologia avançada. Quanto custou? Isso vai ser esclarecido ou vai continuar em uma zona cinzenta?

Sim, porque a doença de Maguito não é assunto privado ou exclusivamente familiar. Ele foi eleito prefeito de Goiânia em circunstâncias esdrúxulas, tendo sido escondida a sua incapacitação física para o cargo, depois de habilmente criado pelo MDB e pelo filho Daniel Vilela um clima de comoção em torno do seu padecimento sob o novo vírus. Para muitos, o que houve foi um estelionato eleitoral, em primeiro lugar, e em segundo uma inaceitável submissão dos interesses da coletividade da capital a uma estratégia de conquista do poder dos emedebistas e de Daniel. Os mesmos que, em nome de Maguito, estão se fartando com as burras municipais, a começar pela criação de mais de 300 cargos comissionados, com salários entre mais de R$ 12 e 8 mil reais, que este blog aposta, jamais teria a concordância do prefeito licenciado pelos antecedentes verificados nos cargos executivos que exerceu, sempre restritivos em termos de favorecimentos e distribuição de nomeações a torto e a direito.

07 jan

Delirando com o sonho de ser candidato a governador, Gustavo Mendanha coloca a prefeitura de Aparecida, cidade mais problemática do Estado, a serviço da sua campanha

A mosca azul picou o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha. Ele enfiou na cabeça a ideia fixa de que pode ser o próximo governador de Goiás, em razão dos altos índices de aprovação que obteve no seu 1º mandato e em seguida motivado ainda mais pela reeleição com mais de 90% dos votos aparecidenses. Em torno dele, os políticos da cidade, todos pendurados na folha de pagamento da prefeitura, estão unidos para incentivar o projeto – é claro, de olho nas vantagens adicionais que que cada um pode levar desde já como retribuição para o empenho em torno da construção dessa candidatura.

Como está no MDB, Gustavo Mendanha teria que proceder com alguma discrição para não melindrar o presidente estadual do partido Daniel Vilela, que disputou o governo em 2018 e considera-se como nome natural para 2022. Não à toa, Daniel recusou-se a assumir qualquer cargo na prefeitura de Goiânia, onde poderia escolher o que quisesse. Não quis, para preservar-se e continuar colocado como opção emedebista para enfrentar a reeleição do governador Ronaldo Caiado – mas, desde já, contando com a concorrência de Gustavo Mendanha, com os dois pisando em ovos para evitar desentendimentos e até um rompimento, o que seria prejudicial para ambos.

Gustavo Mendanha, depois que assumiu o 2º mandato, mostra pressa e desligou os freios. Sua agenda foi aberta a prefeitos de todas as partes do Estado, teoricamente sendo chamados a Aparecida para conhecer a gestão supostamente bem sucedida em andamento no município. Coordenadores informais como o ex-prefeito por dois mandatos de Acreúna Edmar Neto atuam nos bastidores para atrair o apoio de lideranças espalhadas pelo Estado. São eles que estão levando prefeitos recém-empossados para conversar com Gustavo Mendanha no seu gabinete no pomposo e luxuoso prédio construído pelo seu antecessor Maguito Vilela para abrigar a sede da prefeitura.

Não é apenas isso, contudo. Gustavo Mendanha está montando uma estrutura administrativa “estadual”, digamos assim. Já tinha 21 secretarias e criou mais oito, uma delas a de Segurança. Acrescentou uma nova empresa pública, a CODAP ou Companhia de Desenvolvimento de Aparecida, companhia similar à CODEGO que vai administrar o patrimônio imobiliário da prefeitura e redistribuir propriedades para empresários já instalados ou interessados em se fixar no município. Mandou projetos para a Câmara, no final do ano, solicitando autorização para contrair novos empréstimos, alimentando as suspeitas de que está com o caixa estourado e precisa desesperadamente de recursos para gastar em obras e programas de vitrine. E o pior de tudo: decidiu ultimar um projeto caviloso, autorizando a prefeitura a enviar máquinas para outros municípios a título de “colaboração”.

Se Gustavo Mendanha tiver coragem de tocar para a frente essa intenção, será uma loucura. Não há outra palavra para definir esse gesto irresponsável. Aparecida é a cidade mais problemática do Estado, onde falta tudo, desde asfalto e saneamento básico em dezenas e dezenas de bairros até vagas na Educação Infantil por conta da prefeitura para as filhas e os filhos das mães trabalhadoras que precisam cumprir expediente e hoje, em grande parte, não têm creches para deixar as suas crianças em segurança. A prefeitura aparecidense, desde os dois mandatos de Maguito e prosseguindo com o atual prefeito, está em débito com benefícios civilizatórios que são essenciais em qualquer parte do país ou do mundo, mas não estão ao alcance das suas cidadãs e dos seus cidadãos. Questões infraestruturais e sociais são dramáticas em Aparecida.

Em época de propagação desenfreada de vírus, o que contaminou Gustavo Mendanha parece ser bem pior que o da Covid-19.

06 jan

Iris deixou a prefeitura sem um “fecho de ouro”, com a nova gestão comandada pelo vingativo Daniel Vilela decidida a passar uma borracha no que foi feito nos últimos 4 anos

Passada a primeira semana desde que Iris Rezende entregou as chaves da prefeitura para o prefeito interino Rogério Cruz, ficou um gosto ruim na boca: afinal, o velho cacique emedebista encerrou a sua gestão em um clima meio sem graça, passando longe, muito longe, de um “fecho de ouro”. A nova gestão colaborou. Em poucos dias, parece ter apagado com uma borracha macia a memória de Iris, quando não, em alguns pontos, aplicando um corretivo radical sobre as situações que foram o forte da administração encerrada e que agora já é classificada como “tempo de antigamente”.

Iris não recebeu a consagração que esperava. E, se depender dos donos do poder que tomaram conta do Paço Municipal, isso não virá. Não valem as manifestações explícitas de puxa-saquismo, livros laudatórios e as homenagens tão baba-ovos quanto sem sentido, como, por exemplo, as que o levaram às lágrimas na entrega fajuta do viaduto da avenida Jamel Cecílio, que só tem pronta a via superior, enquanto a parte de baixo é um canteiro desordenado e semiparalisado. Iris deve ter chorado de vergonha. Para piorar, os meios de comunicação ficaram repletos de reportagens mostrando uma multiplicidade de obras inacabadas ou inauguradas às pressas, com muito ainda a executar – a exemplo do viaduto da avenida Jamel Cecílio, cuja pista superior ficou pronta, mas com a parte de baixo seguindo em construção e longe do fim. Um horror. E sem que ninguém saiba, por ora, se haverá dinheiro para a conclusão neste ano. Mais: uma matéria de jornal mostrou que Iris não cumpriu nem 40% dos compromissos que fez na campanha de 2016, que, a propósito, foram mínimos (no máximo Iris fez 30 promessas).

Na área social, a gestão encerrada do Paço Municipal foi abaixo da crítica. Só na Educação Infantil, obrigação do município, existe hoje um déficit que pode chegar a 20 mil vagas para filhas e filhos de mães trabalhadoras. Em plena pandemia, a população carente não recebeu apoio sequer através de cestas básicas. Sim, é verdade que Iris fez uma gestão administrativa interna austera e deixou a prefeitura alinhada financeiramente, embora longe do paraíso anunciado, porém enterrou essa conquista ao baixar a guarda e aceitar sujar a sua biografia ao assinar na sua reta final a pedido da equipe do prefeito eleito Maguito Vilela o vergonhoso projeto que criou mais secretarias e 300 e poucos cargos comissionados com salários entre R$ 8 e 12 mil reais, inflando as despesas em quase R$ 30 milhões por ano. Diga-se de passagem: esse dinheiro, que seria suficiente para a construção de pelo menos seis CMEIs de porte, vai desaparecer pelo ralo das nomeações políticas da nova gestão.

Não é que a gestão que assumiu, ou seja, a de Maguito Vilela, sem Maguito, possa ser considerada de oposição ao governo que a antecedeu. Longe disso. Mas é fato que o projeto comandado por Daniel Vilela, enquanto o titular do cargo de prefeito segue incapacitado na UTI do Hospital Albert Einstein, não tem nenhum compromisso com o que foi feito nos últimos quatro anos. Críticas e denúncias, podem apostar, leitoras e leitores, ainda virão. Daniel Vilela, lembrem-se, é vingativo. Perseguiu impiedosamente os prefeitos que não apoiaram a sua candidatura a governador em 2018 e nunca digeriu a dubiedade de Iris, que fingiu avalizar ao seu nome e na prática reforçou a postulação vitoriosa do governador Ronaldo Caiado. A hora da revanche, e é bem provável que ele, Daniel, a queira, chegou, ainda mais sem o freio representado pelo pai.

05 jan

Mistério profundo: por que Maguito, que segundo Daniel Vilela está muito bem e até voltou a falar (com uma válvula no pescoço) não grava um vídeo para dirimir as dúvidas sobre a sua capacitação física?

Um mistério intriga quem acompanha a evolução do estado de saúde do prefeito licenciado de Goiânia Maguito Vilela, que continua internado na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein primeiro para enfrentar o ataque que sofreu do novo coronavírus e agora tratado das sequelas da doença: por que ele não grava um vídeo mostrando qual é a sua verdadeira situação física e capacitação orgânica, as quais, segundo garante o filho Daniel Vilela (que, pela sua vocação para falar sobre assuntos médicos, escolheu o curso errado ao se formar em Direito por uma faculdade de Anápolis, aliás, repetindo o pai, quando deveria ter estudado Medicina), seriam as melhores possíveis?

Mais: por que não há nenhuma imagem de Maguito, depois que o próprio Daniel Vilela o fotografou na UTI do Albert Einstein há cerca de 50 dias e daí para cá nada mais foi mostrado? Conforme o filho, o pai voltou a falar, superando o comprometimento das cordas vocais, inevitavelmente lesionadas pelo prolongado uso de aparelhos de auxílio respiratório (lembrando que muitos casos exigem perenemente a utilização de equipamentos de suporte, aqueles que substituem a voz por uma emissão eletrônica meio que Darth Vader).

É tudo muito estranho. Mas as condições físicas de Maguito, hoje, não são um assunto somente da sua família ou, mesmo, da sua esfera particular. O interesse é geral, uma vez que ele foi eleito para administrar Goiânia e é preciso saber se, algum dia, ele poderá fazer isso sem intermediários, como é o caso hoje. Uma coisa é o seu padecimento pessoal, outra o andamento administrativo da capital, que envolve quase 1,5 milhão de pessoas. Essa estória de acenos, de considerações que Maguito fez no passado sobre possíveis nomes para o secretariado municipal, de gestos que aprovariam isso ou aquilo, de sorrisos, está muito mal contada. O prefeito licenciando, que não teve resistência nenhuma para a Covid-19, de repente transformou-se em um portento capaz de superar todas as consequências do mal que o assolou, entretanto oculto pelos seus familiares e sem nenhuma informação a não ser os comunicados lacônicos do hospital onde está internado e as repetidas “comemorações” de Daniel Vilela, amplamente desmentidas em todas as fases da sua enfermidade. A verdade precisa aparecer.

04 jan

Igreja Universal tem projeto de poder para o Brasil. Depois da queda de Crivella, no Rio, Rogério Cruz, em Goiânia, passa a ser a principal atração da vitrine do pastor Edir Macedo. E isso arrepia o MDB

A Igreja Universal do Reino de Deus tem um projeto de poder para o Brasil. Isso não é segredo para ninguém e se baseia na tentativa de expansão do seu braço partidário, o Republicanos, que elegeu 211 prefeitos no último pleito – mais do que o PT, que conseguiu apenas 183 – e atraiu a filiação de dois filhos do presidente Jair Bolsonaro, além da possibilidade hoje fortíssima de receber o próprio Bolsonaro para sustentar a sua candidatura à reeleição. Nacionalmente, a personalidade número um do partido e da Universal era o pastor Marcelo Crivella, prefeito do Rio que teve a reeleição rejeitada pelas urnas e, pior ainda, acabou preso como devorador de propinas.

Se antes era Crivella, agora é Rogério Cruz, que assumiu interinamente o comando administrativo de Goiânia com o impedimento, teoricamente temporário, de Maguito Vilela, assolado pelas sequelas do coronavírus na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Rogério Cruz ganhou uma projeção inesperada. Ele é pastor da igreja e membro fervoroso, tendo dedicado a sua vida ao culto evangélico liderado por Edir Macedo. Não há como negar: sua estrela é a mais brilhante da vitrine política da Universal e do Republicanos, maior esteio a partir de já do plano de dominação política dos crentes fundamentalistas que almejam superar os limites da religiosidade para se transformar em representação máxima da direita no país, um desígnio ousado que, por se situar em um dos extremos do espectro doutrinário, dificilmente seria comprado pelo eleitorado. Mas também é indiscutível que Rogério Cruz tem uma linha de ação, enquanto o MDB – e Daniel Vilela – têm outra.

Das grandes cidades brasileiras, a Igreja Universal e o Republicanos estão governando desde 1º de janeiro Vitória, Campinas e Sorocaba. Goiânia, com a doença de Maguito, entrou na lista, com potencial superior a todas as demais, inclusive a capital do Espírito Santo, que tem no máximo um terço da população da capital goiana. Isso dá relevância a Rogério Cruz e o coloca, caso venha a ser efetivado com uma incapacitação definitiva do titular da prefeitura que pode vir daqui para ali, como a maior esperança do seu grupo político e religioso para vender o peixe do conservadorismo intransigente para a sociedade brasileira. É por isso que o MDB não confia no vice de Maguito, por ora entronizado no comando da prefeitura. Lógico, todo cuidado é pouco no relacionamento com o prefeito de fato. Os emedebistas e Daniel Vilela oportunisticamente buscaram na eleição passada e continuando querendo para 2022 os votos assegurados pela rede de templos da Igreja Universal e seu rígido controle dos fiéis, mas sem compartilhar ou se envolver com a pauta retrógrada do Republicanos, que tem aceitação limitada em Goiás. Se, por isso ou por aquilo, a interinidade se transformar em definitiva, o que sobrevirá é um desastre cataclísmico para os emedebistas e seus planos para o futuro. Eles não querem sujar as mãos, só aproveitar as vantagens da relação com os evangélicos representados por Rogério Cruz. É uma jogada que motivou estrategicamente a formação da chapa MDB-Republicanos. Só que, por causa da Covid-19, deu errado. É quase certo, infelizmente, para Goiânia, que escolheu uma proposta na eleição passada e está sendo obrigada e engolir outra, o advento de um conflito político no alto do Park Lozandes e mais caos administrativo.

04 jan

Verdade sobre a capacidade física e mental de Maguito precisa aparecer com urgência: se ele tem “consciência plena”, como diz Daniel Vilela, por que não gravar um vídeo mostrando pelo menos algum gesto?

O prefeito de Goiânia Maguito Vilela tomou posse graças a uma “assinatura eletrônica”, expressão que não tem nenhum amparo legal e não passa de um documento remetido via email ou WhatsApp, ao qual se apõe uma assinatura, do próprio punho ou impressa, acreditando na sua autenticidade quem quiser. Juridicamente, o meio adequado para esse tipo de validação de documentos é o certificado digital. Maguito, que tem o título acadêmico de advogado e depois de deixar a prefeitura de Aparecida renovou a sua inscrição na OAB, dispõe, nessa condição, desse instrumento rotineiro na vida dos profissionais do Direito. Por que não o utilizou?

Acreditem, leitoras e leitores, o que houve, ou seja, a tal “assinatura eletrônica”, não passou de uma encenação. Um papel escaneado foi enviado, não se sabe para quem, e em seguida devolvido com algo parecido com a assinatura do prefeito. Isso, óbvio, não tem valor probatório nenhum. Não se pode falar em fraude, já que, de fato, houve uma eleição democrática, não contestada, e o nome dele teve a maioria dos votos, embora produto de um estelionato eleitoral que não é crime e sim uma jogada política não tipificada pela legislação. Só que, para a efetivação da posse, uma providência importante deveria ter sido tomada: um vídeo ou fotos mostrando Maguito tomando conhecimento e em seguida de alguma maneira dando credibilidade para o ato. Não aconteceu. Outros prefeitos, pelo Brasil afora, em Goiás, inclusive, tomaram posse dessa maneira, o de Goiânia, não. Mesmo porque o impacto de uma imagem do paciente ilustre da UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, neste momento, teria consequências imprevisíveis e poderia acelerar as especulações sobre a sua incapacitação física para exercer o comando do Paço Municipal.

Ninguém sabe como Maguito está, exceto seus médicos e o filho Daniel Vilela. Essa informação é secreta e está blindada com sete chaves. O que é certo é que já vive sob as sequelas do coronavírus. Das centenas que existem, grande parte gravíssima, quais o estão atingindo? Não há resposta. Vai voltar a falar? Recuperará suas faculdades mentais e intelectuais? Que tipo de vida levará depois de voltar para casa? As informações de Daniel Vilela não são confiáveis e continuam vendendo um otimismo sem a menor base médica, como sempre se esforçando para passar a impressão de que tudo vai no melhor dos caminhos e em breve chegará a hora da alta hospitalar e da volta às atividades normais. A curto e talvez a médio prazo, é impossível. O vácuo decisório está instalado no alto do Park Lozandes e deve prejudicar Goiânia em um crescendo, na medida até das desconfianças que pairam sobre o prefeito interino Rogério Cruz e das dificuldades naturais em tocar para a frente uma situação de poder provisória e instável.