Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 jan

Evangélicos se gabam de não mentir, mas os que estão aboletados na prefeitura de Goiânia não mostraram nenhum apreço pela verdade na questão do aumento abusivo do IPTU

Rogério Cruz deveria parar de brincar de ser prefeito. Como vai, sem avançar um milímetro nas obras inacabadas deixadas por Iris Rezende, com realizações pontuais apenas no varejo, longe de definir um conceito para a sua gestão e periodicamente estrelando manchetes negativas com casos escandalosos envolvendo consultorias milionárias e negócios estranhos que o Ministério Público Estadual tem contestado, tudo isso em apenas um ano de mandato, não chega inteiro ao fim do mandato, ooooops… se chegar.

O recorde de impopularidade em Goiânia pertence ao falecido Paulo Garcia, que deixou o Paço Municipal com apenas 5% de aprovação. Cruz parece determinado a superar essa marca triste. O imbróglio do IPTU, reajustado para a maioria dos proprietários de imóveis na capital mediante índices inaceitáveis, enterra a gestão do atual prefeito para sempre, sem possibilidade de ressurreição. Ele, milagrosamente, tem escapado de ver a sua baixa avaliação estampada em pesquisas sérias, como a do instituto Serpes, divulgada nesta semana, que só perscrutou a aprovação do governo do Estado e não mexeu com a prefeitura de Goiânia. Mas, cedo ou tarde, os seus índices de reprovação e rejeição virão à tona.

Cruz, crente do pé rachado, integra uma seita religiosa cujos membros se gabam de não mentir. Mas, segundo o Popular, ele não só é mentiroso, como também, usando uma expressão de Jesus Cristo, “o pai da mentira”. É que, garante o jornal, com toda a sua credibilidade, “o Executivo municipal mentiu ao afirmar na época da votação que não haveria aumento na arrecadação de IPTU e ITU caso o projeto de mudanças no imposto fosse aprovado. Tanto o prefeito Rogério Cruz, como o secretário municipal de Finanças, Geraldo Lourenço, e o de Governo, Arthur Bernardes, garantiram que a Prefeitura não arrecadaria mais com as mudanças. Na verdade, a previsão subiu de R$ 931 milhões para R$ 1,17 bilhão, bem acima da inflação oficial de cerca de 10%”.

Está aí, com números, a prova de que o prefeito e sua equipe têm pouco respeito pela verdade, mesmo evangélicos em sua maioria. Cruz, que não tem legitimidade por não ter sido eleito, é um que, segundo o Popular, “mentiu” – e lembrando aqui às leitoras e aos leitores que não é comum um grande jornal usar esse verbo para definir declarações de autoridades ou políticos. O prefeito, no entanto, merece. É mais um tijolo na construção do desastre moral e administrativo que se desenha na lambança comanda do alto do Park Lozandes.

É grave. A sina das goianienses e dos goianienses é atravessar os próximos três anos, até a eleição de um novo prefeito, submetida à incúria, incompetência e falta de bom senso, mesmo mínimo, nas decisões inerentes ao conjunto da população. Paulo Garcia, onde se encontra, pode descansar tranquilo. Surgiu alguém que vai passar para a história de Goiânia como o pior que já se assentou na cadeira de prefeito municipal. O pior dentre os piores. Esse título ninguém tira de Rogério Cruz.

28 jan

Daniel Vilela reage, avança no dever de casa, já pacificou as relações com Roberto Naves (Anápolis) e Adib Elias (Catalão) e tenta caminhos para a conciliação com Lissauer Vieira e Rogério Cruz

Maior beneficiário do acordo entre o MDB e o DEM, já que ganhou a vaga de vice na chapa da reeleição do governador Ronaldo Caiado, hoje a caminho da vitória nas urnas conforme comprovado pela divulgação da 1ª pesquisa Serpes sobre a sucessão estadual, com cenário de eleição liquidada no 1º turno, Daniel Vilela resolveu se mexer para buscar soluções para o passivo que a sua aproximação com Caiado criou.

O presidente estadual do MDB já esteve duas vezes com o prefeito de Anápolis Roberto Naves, que tinha a vida atazanada por vereadores emedebistas. Naves, corretamente, reclamou de ser compelido a apoiar uma chapa que privilegia Daniel Vilela, mas ao mesmo tempo enfrentar a oposição de emedebistas quanto a sua administração. Um diálogo se estabeleceu, por iniciativa do filho e herdeiro político de Maguito Vilela, com as coisas caminhando para um entendimento necessário para a campanha de Caiado no 3º maior colégio eleitoral do Estado. Parece bem resolvido.

Nesta semana, Daniel surpreendeu ao visitar o prefeito de Catalão Adib Elias(veja a foto), em sua própria casa, na tarde desta quinta, 27, acompanhado pelo deputado federal José Nelto como testemunha. Em clima de paz e amor, Adib desabafo pela expulsão do MDB depois de abrir uma dissidência para apoiar Caiado em 2018, mas aceitou as desculpas apresentadas e ficou de dar uma resposta – que já se sabe positiva – para o convite que recebeu para retornar ao partido, quando e como quiser, recebendo o controle da sigla não só na sua própria cidade, mas na maioria dos 11 municípios que estão no entorno de Catalão. Isso, para Adib, será decisivo para viabilizar a eleição do seu candidato a deputado estadual, o atual secretário municipal de Habitação Leovil Júnior.

Em Aparecida, quintal eleitoral do prefeito Gustavo Mendanha, Daniel Vilela finalmente vai partir para a ofensiva. Lá, a obrigação de ganhar a praça é dele e de mais ninguém na base governista. Na próxima terça, dia 1º de fevereiro, à noite, ele reúne seus aliados locais, a maioria egressos da equipe que acompanhou e trabalhou com Maguito nas suas duas gestões como prefeito, para propor um plano de mobilização, começando imediatamente com reuniões pequenas nos bairros até alcançar amplitude quando chegar a hora da campanha oficial, tendo como tema, sempre, o legado do seu pai para os aparecidenses – e a tese principal será a de que as obras e projetos importantes para Aparecida foram feitos por Maguito e não por Mendanha.

Daniel Vilela vai indo bem, portanto, recuperando o espaço que deixou de ocupar depois que foi privilegiado como vice de Caiado, porém omitiu-se ao deixar preencher o seu espaço para articular e superar as arestas que a sua consagração na chapa da reeleição do governador abriu em volta do Palácio das Esmeraldas. Só faltam dois itens, agora: 1) resolver a encrenca com o presidente da Assembleia Lissauer Vieira, muito irritado e contrariado com o lançamento de um candidato a deputado federal do MDB no seu terreiro natural, que é o Sudoeste goiano (trata-se do empresário Renato Câmara, de Montividiu) e 2) cauterizar as feridas que restaram do rompimento entre o MDB e o prefeito Rogério Cruz, no início do ano passado, não permitindo, assim, que esses resquícios, de lado a lado, venham a ser usados para inviabilizar uma aliança com o Republicanos a favor da chapa de Caiado.

Da parte de Rogério Cruz, já houve sinais positivos, entre os quais declarações do seu chefe de Gabinete José Firmino garantindo que, por conta do Paço Municipal, não há objeções e que o campo está aberto para a retomada do diálogo. Com Lissauer Vieira, dado ao temperamento forte do presidente da Assembleia, as coisas não serão tão fáceis assim. Mas uma recomposição, como tudo na política, não será impossível.

27 jan

Caiado conseguiu o impossível: em 3 anos de governo, não teve desgastes como inevitavelmente acontece com todos os governantes, é o que comprova a 1ª pesquisa Serpes

Três anos de mandato são um tempo suficiente para desgastar qualquer governante, em qualquer parte do mundo. É natural. Inevitável. Faz parte do jogo. Mas não no caso do governador Ronaldo Caiado: a 1ª pesquisa Serpes sobre a sucessão estadual deste ano comprova que a corrosão da sua imagem foi igual a zero, ou seja; não houve. Numericamente falando, o percentual de intenções de votos que Caiado alcançou no Serpes, ou seja, 37,1%, corresponde a 1,7 milhão de votos, quando, nas urnas de 2018, o resultado contabilizado pela Justiça foi de 1,78 milhão de sufrágios, uma diferença, a mais, em torno de 80 mil votos.

Dentro da margem de erro da pesquisa Serpes, de 3,5 pontos para mais e para menos, essa pequena diferença está plenamente coberta. Comprova, sem discussões, que Caiado não experimentou desgastes desde que assumiu ou que, mais possivelmente, até que os teve, mas foram compensados pela conquista de eleitores antes contrários e talvez também conquistados dentro do contingente de novos inscritos para votar. De qualquer modo, o raciocínio e a conclusão permanecem na mesma: o governador vai buscar mais um mandato com o seu potencial eleitoral praticamente intacto, depois de 3 anos de gestão. Isso o transforma em franco favorito.

E é uma façanha, leitoras e leitores. Caiado tem seus méritos, mas não está acima de críticas e de contestações. Só que essas, até o momento, se mostraram incapazes de abalar o seu prestígio junto a população. A oposição fracassou. No andar da carruagem, a reeleição virá no 1º turno, apontado pela pesquisa Serpes ao configurar para o governador o percentual de 54% dos votos válidos. Troquei mensagens com o experimentado jornalista Afonso Lopes, colega de análise política, e ele referendou essa opinião: “Sim, não houve desgaste na imagem do governador. O cenário é realmente de 1º turno”, teclou ele.

27 jan

Surpresa da 1ª pesquisa Serpes não é Marconi em 1º lugar para o Senado ou Meirelles em 2º, mas Delegado Waldir com 9%, no 3º lugar

A avaliação da 1ª pesquisa Serpes sobre a corrida pela única vaga disponível ao Senado, nas eleições de outubro próximo, trouxe uma revelação que pode mudar o rumo da disputa: pelos números apresentados, ou seja: Marconi Perillo em 1º lugar com 16,6%, Henrique Meirelles em 2º com 14,1% e Delegado Waldir em 3º com 9%, fica comprovado em definitivo que Waldir, enfim, adquiriu perfil majoritário. É um cenário, leitoras e leitores, que se aproxima de um empate técnico entre os três.

Significa ainda que a cogitação de Waldir para a chapa da reeleição do governador Ronaldo Caiado, na vaga senatorial, tem fundamento eleitoral e solidez política, mesmo integrando ele o mesmo partido (por ora o DEM, mas na verdade o União Brasil, logo após a conclusão da fusão com o PSL prevista para daqui a 60 dias). O deputado-delegtado não pode mais ser descartado a troco de nada porque cresceu e se impôs, ao exibir uma popularidade já indicada pelas suas eleições espetaculosas em termos de número de votos para a Câmara Federal e agora pelo seu ótimo posicionamento no levantamento do Serpes.

Portanto, não foi Marconi em 1º lugar na disputa pelo Senado a grande novidade ou surpresa da pesquisa. Assombro mesmo foi o índice do Delegado Waldir, mesmo porque, no caso de Marconi, trata-se previsivelmente do recall do seu nome depois de 20 anos no palco principal da política em Goiás (e o ex-governador tem desafios difíceis para vencer a sua alta rejeição). Quanto a Waldir, o seu trabalho solitário como parlamentar e como influencer nas redes sociais acabou dando resultado – e, apesar de sozinho politicamente, sem problemas porque Henrique Meirelles, outro concorrente bem-posicionado, também não tem grupo, assim como os dois senadores eleitos em 2018 (Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru) não tinham.

Isolamento político, quanto a disputar o Senado, não é problema. Delegado Waldir, corretamente, tem procurado preencher essa lacuna aproximando-se intensamente do governador Ronaldo Caiado. Não há evento, nas grandes cidades, em que ele não compareça ao lado de Caiado, com direito a discurso, fotos e vídeos nos seus perfis no Instagram e no Facebook. Agora, com os números do Serpes, ele ganhou o argumento que faltava para defender a sua candidatura.

27 jan

1ª pesquisa Serpes, instituto que baliza a sucessão em Goiás, mostra vitória de Caiado no 1º turno, com a mesma votação que teve em 2018 (dentro da margem de erro)

As avaliações sobre a 1ª pesquisa do instituto Serpes abordando as eleições de outubro próximo, em Goiás, não trazem muito de novo para o processo político estadual. O governador Ronaldo Caiado, com 37,1%, está em 1º lugar, com o ex-governador Marconi Perillo surpreendendo em 2º lugar (14,1%) e Gustavo Mendanha decepcionando em 3º, ao alcançar apenas 13% depois de mais de um ano em pré-campanha, visitando, segundo ele mesmo, mais de 100 municípios por todos os cantos do Estado. Os candidatos restantes – Major Vitor Hugo (2,6%), Jânio Darrot (1,3%) e Wolmir Amado (0,4%) – simplesmente não existem, com percentuais insignificantes. Mas, de qualquer forma, vale anotar que alguma atenção deve ser dada ao Major Vitor Hugo, a grande novidade revelada pela pesquisa.

Caiado pode comemorar. Na contagem dos votos válidos, ganharia no 1º turno com uma margem folgada ao conquistar 54% dos sufrágios. Além disso, dentro da margem de erro da pesquisa, que o Serpes definiu em 3,5 pontos para mais ou para menos, conserva intactos os quase 1,8 milhões de votos que obteve em 2018, quando faturou a eleição no 1º turno. Isso mostra que o governador conseguiu criar, para a sua gestão, um clima positivo entre as goianas e os goianos, que indicam desde já uma aprovação para o 2º mandato- nos termos desse levantamento do Serpes, já a caminho.

É preciso anotar que o governador sofre uma campanha agressiva por parte da oposição, que muitas vezes tem sido desrespeitosa em relação a ele, como se pode verificar nas redes sociais dos deputados Major Araújo e Delegado Humberto Teófilo, dentre outros. No caso de Marconi, Mendanha e do deputado federal Major Vitor Hugo, eles se pronunciam até certo ponto dentro das regras de educação política, mas sempre contundentes e belicosos. A pesquisa Serpes sugere que, tanto uma quanto a outra linha de retórica, não estão funcionando. Caiado, até agora, não contabilizou prejuízos. Motivo principal? O que dizem não bate com a realidade e daí, pela falta de fundamentação, não pega, configurando um erro infantil de estratégia oposicionista.

Outra conclusão que a pesquisa Serpes permite é que buscar o MDB para a sua base, entregando a vaga de vice na chapa da reeleição ao presidente estadual do partido Daniel Vilela, foi um acerto monumental de Caiado. A manobra tirou o oxigênio da oposição, impedindo, por exemplo, a formação de uma frente de antagonização de alguma solidez. Os cinco oposicionistas citados na pesquisa se assemelham mais a pretendentes avulsos e menos a integrantes de um movimento de reação à hegemonia do atual governador. Atenção: o Major Vitor Hugo, por navegar impulsionado pelos ventos do bolsonarismo, é o único do grupo que tende a crescer, pela ligação com os 27,8% de intenções de voto que o presidente Jair Bolsonaro alcança em Goiás, segundo a mesma pesquisa (Lula lidera, com 40%).  Esse índice do presidente vai assanhar Gustavo Mendanha atrás do PL e do aproveitamento de uma base de votos ideologicamente já consolidada, embora ele não seja capaz de explorá-la como Major Vitor Hugo, esse sim um bolsonarista 100% definido e não um oportunista como o prefeito de Aparecida, que sofre uma forte rejeição entre o grupo identificado com Bolsonaro em Goiás.

Nos próximos posts, continuaremos analisando a 1ª pesquisa Serpes. Tem muito a ser dito.

26 jan

Em manobra arriscada, Caiado zera a estrutura de comunicação do governo a apenas 8 meses da eleição e renuncia a um trabalho estruturado que divulgava com consistência à sua gestão

A saída do jornalista Tony Carlo Bezerra Coelho da Secretaria estadual de Comunicação teve uma consequência que deveria preocupar o governador Ronaldo Caiado: significou o desmonte da eficiente e produtiva rede de divulgação montada e pilotada por Tony Carlo – com amplitude suficiente para cobrir mais de 300 pontos de mídia territorialmente espalhados e dar, diariamente, consistência para as ações do governo do Estado dentro de uma visão coerente e de sequência e conexão para as suas realizações. Não se tratava de divulgar notícias aleatórias, enfim, mas da montagem de uma imagem fundamentada e articulada, conceitual, enfim.

Consta que o afastamento de Tony Carlo está sendo seguido pela desmobilização da sua equipe, liderada pelo veterano e muito mais do que qualificado Deusmar Barreto, com a sua argúcia incomparável e texto tido como entre os melhores da história do jornalismo em Goiás. Com isso, foi para o ralo a estrutura criada desde o início da gestão desse grupo na Secom estadual – e quem conhece do ramo sabe que a remontagem desse projeto de comunicação custará tempo precioso e esforços que poderiam ser destinados a outras áreas, com as eleições se aproximando rapidamente em um horizonte de oito meses e desafios imensos no caminho de Caiado. Vejam bem, leitoras e leitores: eleições daqui a apenas oito meses.

Secretários de comunicação, em qualquer governo, costumam enfrentar fadiga funcional entre um ano e meio a dois anos de governo, muitas vezes menos. Não foi o caso de Tony Carlo. Porém, quase sempre, surge entre os demais secretários e o entorno do governante, inevitavelmente sob agressões e ataques da oposição, seja de onde for, uma tese bajulatória: a de que a gestão vai bem, se desenvolve maravilhosamente e atende a todas as expectativas, mas a comunicação dos seus atos é que não é a ideal. A intriga floresce por encontrar terreno propício entre os auxiliares que se imaginam vítimas inocentes das críticas e, sem entender o contexto social político, acreditam que poderia existir uma situação diferente em que as contestações seriam anuladas e eles e o governo reconhecidos. Alguns por ingenuidade, outros por malícia. Só que isso é uma fantasia infantil.

E ainda mais sob o domínio das redes sociais, campo onde só se destacam o deboche e o palavreado pesado – e quem quiser vencer uma eleição terá que fazê-lo sob o fogo pesado das dezenas, talvez centenas, de perfis que muito raramente dizem verdades, pródigas quase sempre tolices e fake news, em um mundo de superficialidades e bobagens que, no entanto, abala e mexe com os seus alvos. Caiado, se quiser mais um mandato, terá que aprender a conviver e a contornar esse cenário, não ceder a ele.

O novo secretário, não se sabe se provisoriamente ou em definitivo, é um técnico que nada entende de comunicação, Adriano Rocha Lima. Não há precedentes de titulares ex-machina que tenham dado certo na Secom estadual. O lugar também não é para aprendizes, pior ainda com as urnas aguardando o governador em um prazo tão curto. Seja mantido ou substituído, o fato é que qualquer novo ocupante, da área ou não, de Goiás ou de fora, gastará um bom tempo até que consiga recompor a máquina de disseminar notícias até então entregue a Tony Carlo, que ele, aliás, conseguiu também manter dentro de limites éticos e da seriedade e responsabilidade. Seria um ato de inteligência e de pragmatismo, até eleitoral, Caiado reconsiderar.

17 jan

Rogério Cruz precisa reagir e concluir as obras de Iris antes que apareçam pesquisas mostrando a sua baixa aprovação diante da falta de realizações de importância para Goiânia

Rogério Cruz completou um ano à frente da prefeitura de Goiânia. Para não esticar a conversa, é fácil avaliar que, até agora, até que deu algum movimento para o varejão dos serviços públicos a cargo do Paço Municipal. Há poucos buracos nas ruas, mesmo com as chuvas intensas, e a cidade está limpa. Por aí. Mas é muito pouco. O principal é que não conseguiu concluir nem uma única das obras deixadas inacabadas pelo seu antecessor, Iris Rezende.

E, assim, o prefeito não tem nada que apresentar de expressivo. As obras de Iris cobrem toda a cidade e estão por toda parte. Inconclusas, infelizmente. Rogério Cruz não avançou em nenhuma, deixando acumulado sem solução um passivo que impacta a infraestrutura da capital. Pior: o site G1 levantou as 30 principais promessas da chapa liderada por Maguito Vilela, claro, herdadas obrigatoriamente pelo seu vice, e concluiu que apenas duas foram cumpridas: o IPTU social e o auxílio mensal para famílias em vulnerabilidade. Só.

Rogério Cruz, no momento, está recolhido, curtindo uma segunda infecção pela Covid-19. Deveria aproveitar o tempo de repouso para uma reflexão. Vêm aí as pesquisas inerentes ao ano eleitoral, que sempre perscrutam também a avaliação dos governantes. Façam suas apostas, leitoras e leitores: provavelmente, ele, o prefeito, aparecerá com índices baixíssimos. Se não, será uma surpresa.

Não à toa, o desembargador prestes a se aposentar Walter Carlos Lemes, tradicionalmente excêntrico e irreverente (em uma eleição em Goiânia em que presidiu o Tribunal Regional Eleitoral, disse no final que, “graças a Deus, o nosso candidato venceu”) fez uma piada significativa com Rogério Cruz: de positivo, até agora, só apresentou os exames de Covid-19, ironizou.

Abra os olhos, prefeito. Não há nenhum motivo para rir.

17 jan

Em pouco mais de 2 meses, Jackson Abrão repete entrevista com Mendanha e não faz nenhuma das perguntas que o prefeito de Aparecida precisa responder

Nesta segunda, 17 de janeiro, o Jackson Abrão Entrevista, de O Popular, voltou a receber o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, o mesmo que esteve no programa em outubro último e agora retornou com um leque enorme de explicações para dar, mas infelizmente nenhuma das quais levantadas pelo entrevistador.

Irrelevante e dispensável, o material. Jackson Abrão deveria ler uma reportagem do jornalista Rodrigo Ratier sobre o rapper Mano Brown, que tem um podcast de entrevistas hoje fazendo o maior sucesso. Sim, um rapper. Jornalisticamente falando, com 1º da experiência do ex-apresentador da TV Anhanguera. Suas conversas com os convidados são antológicas. O papo com o médico Dráuzio Varela foi espetacular. Com o ex-presidente Lula, sensacional. “Mano Brown é um entrevistador de poucas certezas. Escuta muito mais do que fala e, quando fala, não tem medo de fazer perguntas básicas. Quando expressa pontos de vista, os apresenta como hipóteses e não como verdades evidentes. Parece preocupado em criar pontos de contato com o interlocutor e deixá-lo seguro para se expressar. Acima de tudo, se apresenta como uma pessoa curiosa, genuinamente interessada no que os entrevistados têm a dizer”, avalia Rodrigo Ratier.

O resultado são entrevistas originais, em que sempre aparece alguma coisa de novo. O contrário do que é essa segunda entrevista com Gustavo Mendanha, cá entre nós um político somente pragmático, paupérrimo em ideias e repleto de contradições, que Jackson Abrão não explorou nem na primeira nem na segunda edição do seu programa. Por exemplo, os índices negativos que Aparecida passou a registrar na gestão de Mendanha, mediante pesquisas e estudos de instituições de credibilidade nacional. E o que dizer das 30 mil crianças sem vagas nas creches municipais, o que é obrigação constitucional do município? Ooooops: o que o prefeito diz das sucessivas operações policiais no Hospital Municipal? Por que não consegue um partido para se filiar? E sobre muito mais? Pois é: Jackson Abrão não perguntou. Serviu de escada para a autopromoção do rapaz.

Oba-oba, no jornalismo, não leva a lugar nenhum.

15 jan

Apoio do MDB a Caiado e Daniel Vilela na vice foram jogadas políticas de profundidade, mas falta o filho e herdeiro de Maguito sair do imobilismo e mostrar que tem uma contribuição a dar

Não há segredo: a maior e mais profunda justificativa para a aliança do governador Ronaldo Caiado com o MDB e a consequente indicação de Daniel Vilela como vice é o bem-sucedido objetivo de tirar o fôlego da oposição, praticamente esvaziando e impossibilitando, como demonstrado, qualquer mobilização mais agressiva de forças antagônicas capazes de barrar a reeleição de Caiado.

Sem o MDB, a oposição ficou sem oxigênio. Isso está claro. Não há sequer candidatos claramente definidos, a menos de nove meses da data das urnas. A manobra de Caiado pode ser considerada como uma das mais ousadas, ambiciosas e exitosas da história política de Goiás e, de fato, o é.

Mas, como perfeição é uma meta inatingível, há brechas que precisam ser calafetadas. Não da parte de Caiado, que fez o seu dever de casa até em excesso. Mas por um dos grandes beneficiários da operação, ou seja: Daniel Vilela.

A designação de Daniel para a vice-governadoria trouxe junto um passivo que tem aumentado ao invés de diminuir: 1) a permanência da rejeição dos prefeitos que ele expulsou do MDB exatamente porque apoiaram Caiado em 2018; 2) as reclamações de prefeitos como Roberto Naves, de Anápolis, que tem o caminho atapetado de cascas de banana jogadas por emedebistas locais; 3) a insatisfação de candidatos proporcionais da base governista, como o presidente da Assembleia Lissauer Vieira, que viu despontar na sua principal região de influência, o Sudoeste, um candidato emedebista (Renato Câmara) para dividir a sua votação a deputado federal; 4) a falta de ação em Aparecida, terreno teoricamente natural para a movimentação de Daniel Vilela, onde o prefeito Gustavo Mendanha segue sem enfrentar qualquer oposição ou articulação política alternativa ao seu comando; e 5) a persistência do estremecimento com o prefeito Rogério Cruz, que representa o Republicanos, talvez o principal partido a conquistar para a coligação que vai sustentar a reeleição de Caiado.

Tem mais, mas esses são os pontos cruciais que não deixam de caracterizar uma certa omissão ou, no mínimo, a falta de resultados práticos que Daniel Vilela deveria ter produzido para a campanha de Caiado. No atacado, surpreende a constatação de que ele não age e deixa tudo para Caiado, como, aliás, tem dito nos bastidores. Chama atenção o receio que ele tem quanto a fazer críticas a Mendanha, que o traiu sem nenhum pudor. Até hoje, em meses, limitou-se a dizer que foi o seu pai, Maguito Vilela, que fez as obras de importância para Aparecida e que o atual prefeito se limita a fazer uma “gestão de likes e lives” – o que, convenhamos, é muito pouco para o tamanho do embate eleitoral que se prenuncia para o 2º maior colégio eleitoral do Estado. No ritmo de hoje, os votos para a chapa da reeleição serão ralos em Aparecida, por culpa exclusiva de Daniel Vilela.

Daniel nunca deu um passo para mostrar arrependimento e se recompor com alguns dos prefeitos que ele expulsou. Adib Elias, de Catalão, e Renato de Castro, ex-prefeito de Goianésia, aguardam seu pedido de desculpas, que mostraria nobreza e seria um gesto de enorme empatia. O anapolino Roberto Naves apanha dos vereadores emedebistas, sem um aceno de pacificação por parte do segundo principal candidato na chapa que ele, Naves, vai apoiar em outubro próximo. Lissauer Vieira não foi procurado nem para ouvir a desculpa de que o MDB necessita ter candidatos pelo Estado afora para formar uma chapa competitiva para a Câmara. Aparecida segue politicamente ao léu: em meses, Daniel Vilela só esteve lá acompanhando Caiado em eventos do governo. E Rogério Cruz, apesar de ter sinalizado positivamente e até esperar uma abordagem, continua ignorado pelo presidente estadual do MDB.

Em tudo isso, tem muito de errado. Do ponto de vista dos interesses da base governista e da conquista de mais um mandato, Caiado tem sido impecável e nenhum desses equívocos pode ser atribuído a ele. É Daniel Vilela quem precisa acordar.

14 jan

Matéria de O Popular sobre viagem de Mendanha a Goianésia (em horário de expediente, frise-se) é incompatível com os fatos e força a barra para mostrar capacidade de articulação do prefeito

De uma matéria jornalística, o melhor que se pode dizer é que tudo o que foi publicado é verdade. No caso da “cobertura” de O Popular sobre uma visita do prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha a Goianésia, em horário de expediente, frise-se, o que cabe é exatamente o contrário, ou seja, que tudo o que foi publicado… é mentira.

A começar pelo título, que chama a atenção para um suposto encontro do prefeito com “importantes lideranças”, uma adjetivação e uma generalização que deveriam envergonhar os responsáveis pela edição do jornal cuja família de proprietários não tem nem nunca teve um único jornalista, só comerciantes e empresários. Importantes lideranças? Mendanha teve como anfitrião um certo Emerson da Auto Vip, garagista de carros que já se candidatou a prefeito de Goianésia e não passou de 4 mil votos em um universo de quase 35 mil eleitores.

Foi esse Emerson da Auto Vip, liderança longe de ser “importante” na cidade ou na região, quem organizou a recepção a Mendanha em Goianésia e não, como noticiou O Popular, o conselheiro Frederico Jayme nem muito menos qualquer membro da família Lage (do ex-governador Otávio Lage). Essa, aliás, tem sido a essência da “campanha” do prefeito de Aparecida no interior: reuniões em garagens de casas, títulos arranjados de cidadania e encontro com políticos do 3º ou 4º escalão, a exemplo do vendedor de carros Emerson da Auto Vip. O ex-prefeito Gilberto Naves, emedebista, um homem sério e educado, foi convidado e compareceu, limitando-se a cumprimentar o visitante. Fabiana Pulcineli o entrevistou e tentou arrancar uma declaração favorável a Mendanha ou uma crítica ao acordo do governador Ronaldo Caiado com o MDB, em vão. Naves não se comprometeu.

Mas a maior falta de qualidade jornalística na matéria de O Popular está no final. Fabiana Pulcineli perguntou e Mendanha respondeu que sua presença é necessária em Aparecida, por causa dos estragos causados pelas chuvas (a coisa está feia lá), mas que, mesmo assim, seguirá cumprindo agenda em outros municípios “nos finais de semana”. É pura mentira e a própria viagem a Goianésia, objeto, estava se dando em horário de expediente. A repórter fingiu que não sabia. Mendanha tem sido recorrente nesse costume nefasto para Aparecida: na semana passada, no dia de Reis, 6 de janeiro, uma quinta-feira, foi para Quirinópolis para participar de uma fol. Os dois eventos, em Goianésia e em Quirinópolis, foram escondidos em suas sempre tão ativas redes sociais, porém ultimamente nada postando sobre os passeios para fazer política pelo interior a fora.

Na redação de O Popular, existe um consenso: todo e qualquer candidato de oposição deve ser fortalecido. No momento, o beneficiário é Mendanha, mesmo às custas da credibilidade do jornal. Isso é uma herança dos tempos em que Luiz Fernando Rocha Lima, o Nando, era o todo-poderoso da área de jornalismo. Nando tinha ideias esdrúxulas sobre política, como, por exemplo, a de que bastaria um único paciente ser desatendido em um hospital da rede pública para que se decretasse a falência de toda a rede de Saúde. Ou a recusa em noticiar projetos de governo, alegando que seriam só intenções e que nada garantiria que seriam cumpridos. E ainda que um apenas buraco em uma rodovia serviria para comprovar a má conservação de toda a malha viária. Hoje, depois de demitido, Nando vive o otiosum cum dignitate na casa de uma filha nos Estados Unidos, já que não encontrou quem o empregasse em Goiás. Mas sua herança perniciosa ainda persiste no suposto mais poderoso veículo de imprensa do Estado.

29 set

O que O Popular e Fabiana Pulcineli escondem sobre Mendanha, que faz uma gestão irresponsável em Aparecida, repleta de consultorias sem licitação e doações milionárias a entidades privadas e igrejas

O Popular e a jornalista Fabiana Pulcineli são peculiares: gostam de denúncias contra gestores públicos, mas não qualquer um, apenas aqueles selecionados pelos seus insondáveis critérios. Por exemplo: ignoram o que se passa na prefeitura de Aparecida, repleta de irregularidades por sinal semelhantes às que o jornal e a jornalista supostamente “investigativa” denunciam em outras esferas de governo, como a prefeitura de Goiânia e a proliferação de consultorias sem licitação depois que Rogério Cruz assumiu.

Consultorias, leitoras e leitores, são suspeitas por natureza. Indicam, quase sempre, manobras espúrias para o levantamento de dinheiro para bolsos privados. Iris Rezende, em suas gestões no Paço Municipal, não fez nenhuma. O governador Ronaldo Caiado, nos seus quase três anos de mandato, também não assinou uma única. Rogério Cruz, em menos de oito meses como prefeito da capital, propôs várias, sempre sem licitação, ao arrepio da moralidade e da lisura que a sua administração deveria obedecer.

Em Aparecida, as consultorias se multiplicaram depois que Mendanha assumiu. Em cinco anos e oito meses de gestão, ele assinou 191 contratos com dispensa de licitação e 68 baseados em inexigibilidade, um recorde nacional. Muitos envolvendo consultorias contáveis e financeiras, com objetos difusos e difíceis de serem delineados. E sempre em valores elevados. Onde estão os repórteres “investigativos”, como Fabiana Pulcineli, que não escrutinam essas operações? Um escritório de contabilidade de Trindade, desconhecido, foi contratado por Mendanha para auditar as despesas do hospital municipal desde 2018, com a obrigação de colocar 13 profissionais à disposição, só que, mesmo assim, não foi localizada nenhuma irregularidade, enquanto as Polícias Civil e Federal desencadeavam as Operações Parasitas e Falso Positivo, desnudando num antro de corrupção dentro do HMAP. E o Ministério Público Estadual? Calado.

Mendanha é candidato a governador. Isso, obrigatoriamente, deveria defini-lo como alvo de reportagens analíticas sobre a sua gestão, se é que O Popular tem algum compromisso com os interesses da população goiana. A gestão em Aparecida deveria ser trespassada criticamente, para mostrar o potencial que o prefeito tem, do ponto de vista administrativo, para uma gestão do porte e das exigências de um ente como o Estado de Goiás. Nos últimos 60 dias, o veículo da família Câmara, que não produziu um único jornalista em seus mais de 80 anos de existência, publicou 10 entrevistas de página inteira com Mendanha, inclusive nesta quarta, 29 de setembro. Todas efusivas, sem nenhum questionamento sobre os seus atos à frente da prefeitura, que deveriam ser a medida para a candidatura a governador a que se propõe.

Mendanha está atolado em um mar de corrupção. O HMAP é só a ponta do iceberg. Os contratos de consultoria, tão ao gosto da repórter “investigativa” Fabiana Pulcineli, são escandalosos. As doações em dinheiro vivo, idem. A cooptação da oposição, via nomeação de presidentes de partidos e de toda a classe política de Aparecida em cargos sem expediente na prefeitura, sinalizam para uma das maiores iniquidades com dinheiro público jamais vista em Goiás. Isso não tem interesse jornalístico?

O “menino de Aparecida”, como Mendanha chama a si mesmo, não tem nada de menino. É uma raposa envelhecida da política, versado no provincianismo e no paroquialismo da cidade que (des)governa, onde falta tudo e nenhum desafio é resolvido à altura. Também não cumpriu nenhuma das promessas que fez, nem na campanha para o primeiro mandato nem quanto ao segundo. Isso deveria gerar uma avaliação, já que ele, um dos piores prefeitos da história das grandes cidades de Goiás, se propõe a governador Goiás. O Popular vai aceitar isso calado e omisso?

18 set

Em menos de um ano, Daniel Vilela colhe a segunda traição – primeiro Rogério Cruz e agora Mendanha – e aprende que ingratidão é o escopo de quem está na política, mas não tem caráter

Em um encontro da sede da produtora Kanal Vídeo, do marqueteiro e financista Jorcelino Braga, sexta, 17, o presidente estadual do MDB ouviu do prefeito de Aparecida, seu ex-“irmão”, como Mendanha repetia todo dia, que ele não aceita o resultado da consulta às bases do MDB que apontou maioria esmagadora de mais ou menos 95% a favor da aliança com o DEM – com a quase certa figuração de Daniel na vice da chapa da reeleição do governador Ronaldo Caiado, o que indica um caminho brilhante para o seu futuro, em caso de vitória, ao assumir o governo em 2026 com a saída de Caiado para postular o Senado, e disputar a reeleição com enormes chances de vitória.

Menos de um ano após a morte do pai Maguito Vilela, Daniel colhe a segunda traição, que, como a primeira, de Rogério Cruz na prefeitura de Goiânia, tem como escopo o mau caratismo impulsionado pelos gananciosos interesses pessoais e certos desvios de personalidade. Sabiam, leitoras e leitores, que foi Daniel quem articulou a indicação de Cruz para a vice de Maguito, em um acerto com o deputado federal João Campos, que levou o Republicanos para a coligação com o MDB em 2018? Pois é. O atual prefeito jamais seria sequer resquício do que é hoje, sem Daniel. Mas não quis nem saber: assumiu e chutou a bunda do filho de Maguito, acreditando-se um líder e condutor dos interesses da população de Goiânia, o que não é, não será jamais e ele vai conferir assim que sair a primeira pesquisa de avaliação da sua popularidade, enquanto brinca de administrar um dos maiores centros urbanos do país.

Traído por Cruz, Daniel experimenta agora o mesmo veneno com Mendanha. A reunião na produtora Kanal Vídeo mostrou que o prefeito aparecidense, como já vinha vazando, acha-se mesmo um “mito”, um mal-agradecido crente de que não deve nada aos Vilelas que o transformaram de apagado vereador aparecidense em tudo o que é hoje. Ser prefeito pela segunda vez de um potentado urbano como Aparecida, onde falta tudo para a população, não é pouco, mas inalcançável para Mendanha sem o apadrinhamento que teve. O mesmo Mendanha que acaba de dar um pontapé em Daniel. Aguardem, amigas e amigos: isso ainda vai custar caro para ele. O que o velho e fiel emedebista Léo Mendanha diria da sujeira inqualificável que o seu filho está fazendo?

Trair, em política, significa que o mesmo que ser inconfiável. Quer dizer que ninguém pode correr o risco de acreditar no que o traidor diz, em qualquer circunstância e a qualquer um. Assim, a defesa da candidatura própria é papo furado. Mendanha quer mesmo é sair da sombra do antigo “irmão” e cortar os laços, inclusive com a memória de Maguito, que o incomoda ao projetar a imagem de que não se fez pela sua própria liderança e capacidade, o que, a propósito, é a pura verdade. Pelo que se sabe da conversa na Kanal Vídeo, Daniel foi econômico e não perdeu tempo em convencer quem já estava decidido a tomar distância dele. Mendanha, ao contrário, falou muito e acrescentou uma novidade às suas reclamações contra supostas perseguições de Caiado, na eleição do ano passado e nas operações policiais que apuram corrupção na prefeitura – que prometem desdobramentos. Disse que foi menosprezado e diminuído ao não ser chamado, como prefeito da maior cidade administrada pelo MDB em Goiás, para participar das negociações para a aliança MDB-DEM. Dor de cotovelo, enfim. Ele não se acha um “mito”?

Sim, existem componentes de disputa e de ciúme na relação entre Mendanha e Daniel. Vá lá: ambos são jovens e, de certa forma, ainda imaturos politicamente, porém o filho de Maguito está léguas adiante do prefeito. Léguas. Mendanha, como articulador político, é burro. Rodeia-se de gente sem credencial, como o deputado Paulo Cezar Martins e… quem mais? Marconi Perillo? Sandro Mabel? Quantos oportunistas mais? Assim como Rogério Cruz traiu Daniel, Mendanha fez o mesmo e piormente. Nunca houve na história política de Goiás nada semelhante. O fel servido deve estar amargando a boca de Daniel, mas a compensação virá quando provocar indigestão no seu antigo “irmão”.

16 set

Hospital Municipal de Aparecida, vitrine da gestão de Mendanha (aliás, era), transformou-se em antro de corrupção e mais uma vez é alvo de operação da Polícia Civil

Pelo menos duas dezenas de agentes da Polícia Civil amanheceram nesta quinta-feira, 16, no Hospital Municipal de Aparecida, vitrine da gestão do prefeito Gustavo Mendanha – até que ele mesmo, depois de operações passadas investigando corrupção na condução do hospital, deixou de falar e de propagandear a suposta excelência do estabelecimento. Em inquéritos anteriores da Polícia Civil, a mulher do secretário municipal de Fazenda André Rosa foi flagrada em uma sala despachando exames laboratoriais superfaturados. Sim: Edlaine Rosa estava lá, com as mãos na massa. Intimada a depor, ela e também o marido alegaram o direito constitucional de não produzir provas contra si mesmos e permaneceram calados durante os depoimentos.

Mais suspeitos, impossível. Mendanha, na época, não deu um pio. Como não teve a ombridade de se pronunciar nesta quinta, fingindo que não é com ele, mandando a Secretaria de Saúde emitir uma nota balofa. Mas mantém André Rosa na sua equipe, como gerente do bem fornido caixa da prefeitura e rei das consultorias sem licitação, desafiando as evidências e confiando na impunidade. Agora, nesse novo inquérito, a Polícia Civil está levantando pagamentos à OS que gerencia o HMAP baseados em notas frias, além da transferência imediata de dinheiro, a cada crédito, para “pessoas íntimas”, conforme a expressão usada pelo delegado que comanda a Operação Parasitas. Quem são elas?

Aparecida está podre. Como a oposição foi cooptada via folha de pagamento da prefeitura, o grupo de Mendanha tomou os freios nos dentes e acha que pode tudo. É bom que todos saibam, leitoras e leitores, que a defesa da candidatura própria do MDB em 2022, bandeira do prefeito, não passa de fachada para a sua insatisfação com as investigações, que ele atribui espertamente a uma perseguição do governador Ronaldo Caiado e não às irregularidades que saltam à vista: o secretário de Saúde de Aparecida, para quem não sabe, está condenado à prisão por desviar recursos do Hospital Araújo Jorge – logo esse – e só não está na cadeia porque, como todo criminoso, se aproveita da fartura de recursos que a legislação penal do país oferece aos réus, até mesmos os mais depravados. Será que, se por acaso as investigações cessassem, Mendanha apoiaria a aliança do MDB com o DEM?

O HMAP é uma das joias do legado de Maguito Vilela para Aparecida e, por que não?, até mesmo para Goiás. Mas a gestão de Mendanha o mergulhou na lama mais infecta. Aos poucos, as sucessivas ações da Polícia Civil estão abrindo a sua caixa preta e expondo a imundície que não é compatível, de jeito nenhum, com um hospital, caso que é muito mais grave por envolver vidas. Anotem, leitoras e leitores, a corrupção em Aparecida não está só na área de Saúde. Vai muito além. Provavelmente está na raiz das divergências entre Mendanha e Daniel Vilela, podem apostar. Mas isso será objeto de outro comentário.

14 set

Por que Mendanha trocou um político de futuro como Daniel Vilela por um aventureiro destrambelhado como Paulo Cézar Martins? E vestindo a carapuça de traidor aos que fizeram dele o que é?

De algum tempo para cá, não há mais fotos em circulação mostrando juntos o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha e o presidente estadual do MDB Daniel Vilela. Antes “irmãos”, com Mendanha professando sempre que possível a sua lealdade e fidelidade, afastaram-se radicalmente desde que o prefeito refugou a proposta de aliança com o DEM, balançando o espantalho da candidatura emedebista própria a governador, em 2022.

Em contrapartida, aumentaram os registros de Mendanha ao lado do deputado estadual Paulo Cezar Martins, um trêfego que não perde eleição, mas não tem qualquer colaboração para a sociedade nos seus mandatos como vereador e deputado, a não ser o leva-e-traz de pacientes entre as suas bases no extremo sul do Estado e as clínicas e hospitais da capital e agora de Aparecida. Em alguns momentos, é visível o constrangimento do rapaz de cavanhaque mefistofélico posando com o homem da cabeça redonda sem nenhum fio de cabelo(veja acima). Paulo Cézar é um político complicado. Não se preocupa com conteúdo nem muito menos com qualquer tipo de coerência. Fez campanha contra o candidato do MDB em Quirinópolis, no ano passado, o mesmo MDB dentro do qual jura entregar até sua última gota de sangue em defesa do lançamento de um representante na eleição de 2022. Não tem convicções sobre nada, a não ser seus interesses, entre os quais ficar mais rico e se reeleger são as prioridades, e, como ficou conhecido na Assembleia, o de buscar alguma vantagem em tudo, em especial nas votações de matérias de maior importância.

Mendanha trocou Daniel Vilela por isso. Pisoteou uma amizade de raízes profundas e limpidamente familiares, construída com carinho e confluência de intenções. O pai de Daniel, Maguito Vilela, promoveu uma revolução em Aparecida, ao rasgar as amplas avenidas e implantar os polos industriais que revolucionaram a economia do município. Empenhou seu prestígio na eleição de um sucessor que, sem o seu aval, jamais passaria de ser o que já era, ou seja, um apagado vereador de interior. Foram duas eleições vencidas, pela prefeitura, sempre pendurado no prestígio de quem chamava de “padrinho” – aquele que, mal esfriou no caixão, foi imediatamente esquecido e substituído por más companhias como a de Paulo Cézar Martins, por um lado, e da sua vasta entourage de baixo nível, assalariada por conta do caixa do município de Aparecida, por outro.

Essa gente, depois que Maguito se foi, passou a soprar no ouvido do imaturo e inexperiente Mendanha que a oportunidade de sair da sombra de Daniel Vilela estava posta e não poderia ser desperdiçada. Esqueçam, leitoras e leitores, essa prosopopeia de candidatura única. É desculpa esfarrapada, algo que já está desmoralizando seus escassos defensores, a exemplo do “evento” da noite de sexta-feira passada, no Ateneu Dom Bosco, onde, além de Mendanha e de Paulo Cézar, não havia mais ninguém conhecido compartilhando a tese. Um vexame que deixou Mendanha constrangido, como se pode ver nas fotos batidas na ocasião e que ele, Mendanha, não teve coragem de mencionar nas suas redes sociais, onde não tocou na reunião.

Trocar Daniel Vilela por Paulo Cézar Martins e pela arraia-miúda que o aplaude para ganhar benefícios, geralmente cargos na prefeitura de Aparecida, é uma inconsequência que vai custar caro para Mendanha. Daniel tem apelo junto ao eleitorado do município, onde a simpatia pelo nome do seu pai vem antes do aval que o prefeito recebeu na eleição passada. Não só Daniel, como também o MDB, partido que Mendanha pode abandonar para saltar no escuro e tentar atrapalhar e prejudicar a inevitável trajetória do seu “irmão” rumo ao governo do Estado, em 2026.

11 set

Mau jornalismo de O Popular arrasta até vocações promissoras, como a repórter que fez a matéria sobre o “evento” dos emedebistas a favor da candidatura própria, sem emedebistas

Por que diabos O Popular insiste em desvirtuar os fatos e a enterrar a sua credibilidade para vender a imagem de que existe um movimento de expressão dentro do MDB goiano a favor da candidatura própria a governador em 2022?

Vejam a repórter Elisama Ximenes, uma das mais promissoras vocações do jornalismo recente em Goiás. Ela fez uma matéria sobre o “evento” dos emedebistas contra a aliança com o DEM, mas de cabo a rabo, no texto, não mencionou quais emedebistas teriam comparecido, além do prefeito Gustavo Mendanha e do deputado Paulo Cézar Martins e mais ninguém de peso ou importância mínima dentro do partido. Quer dizer: a apuração sobre as presenças no encontro, que seria fundamental para a verificação da existência real interna dentro do MDB de um movimento a favor da candidatura própria… não foi feita. Ficou que “emedebistas” defenderam a candidatura própria. Quais “emedebistas”? A jornalista tinha a obrigação de mencionar. Não o fez.

O encontro, leitoras e leitores, em uma noite sombria no espaço de eventos do Ateneu Dom Bosco, atrás da Assembleia, foi um fiasco. Além de Mendanha e Paulo Cézar, foram apresentados como destaque um obscuro advogado militante do MDB, Ênio Salviano, cujas redes sociais o mostram como um radicalóide bolsonarista que tem o costume desrespeitoso de chamar o Supremo Tribunal Federal de “Tribunal Federal da Mentira”. É alguém que não é ninguém, a não ser segundo O Popular, que o classificou entre os “emedebistas” a favor da candidatura própria. O nível do “evento” desceu ainda mais com a escalação, para a mesa, de um mal afamado Tiago do Piso, dono de uma loja de materiais de construção em Senador Canedo que se candidatou pelo PSL a prefeito, em 2020, saindo-se com ridículos 3,54% dos votos. Se é com esse tipo de “trunfo” que Mendanha conta para a sua aventura político-eleitoral no ano que vem, é inevitável concluir que está muito mal.

Porém, se vcs, leitoras e leitores, se informam exclusivamente pelo noticiário de O Popular, não ficaram sabendo de nada disso. Talvez tenham até absorvido a impressão de que houve, sim, um pomposo “evento” de emedebistas a favor da candidatura própria, o que não aconteceu: não havia emedebistas, só gatos pingados que o pretensamente mais importante veículo de comunicação do Estado, sem ciência da responsabilidade desse status, divulgou sob o título “Emedebistas defendem candidatura própria em encontro com Gustavo Mendanha”. Pfff…. que “emedebistas”? Mendanha e Paulo Cézar? Isso é muito pouco. Faltou a honestidade de informar, como já dito, que não havia “emedebistas” defendendo a candidatura própria, a não ser um, dois, três, quatro e cinco, sendo dois – André Fortaleza e Vilmar Mariano – do time inferior e subordinado a Mendanha, em Aparecida, um o referido Salviano e mais nenhum, fora as tristes figuras do prefeito e do deputado. Atenção: não havia mais qualquer um de significância lá.

Seguir o acompanhamento de O Popular, pelas suas páginas e site, significa o mesmo que um bom roteiro para desentender o que está acontecendo na política estadual. Antigamente, o então governador Marconi Perillo e seu acólito Zé Eliton eram demonizados pelo POP, chegando mesmo jornalistas conhecidas como Fabiana Pulcineli e Cileide Alves a prever que seriam derrotados em 2010 e 2014, o que, obviamente, não aconteceu. Os mesmos Marconi e Zé, hoje, foram promovidos a bastiões da oposição, premiados periodicamente com páginas inteiras de entrevistas, assim como Mendanha, que não é alvo de uma linha crítica ou de avaliação verdadeira. O pobre jornalismo de O Popular acredita que é seu dever alimentar alternativas contra quem quer que esteja no poder, embora se omita vergonhosamente sobre o presidente Jair Bolsonaro, que nunca mereceu uma linha editorial contra as suas loucuras no matutino dos Câmaras que, em mais de 80 anos de imprensa, nunca geraram um único jornalista profissional, mas muitos homens de negócios.

Na verdade, Gustavo Mendanha é um blefe que só existe porque tem a simpatia dessa gente.