Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

01 abr

Planos de saúde deveriam ser solidários com os segurados e oferecer descontos e proteção, na crise do coronavírus (leia na coluna de Elio Gaspari, hoje). Mas a Unimed segue omissa

É uma vergonha a completa e absoluta omissão da Unimed, maior plano de saúde em operação em Goiás (há outros, menores, que estão no mesmo caminho). Com a quarentena, foram diminuídas ou até reduzidas a zero as cirurgias eletivas, as consultas de rotina, o atendimento de emergência, os exames laboratoriais e mais toda a gama de serviços médicos que acontece em grande volume em épocas de normalidade – tudo, obviamente, com o objetivo de reduzir as possibilidades de contágio e proliferação do novo coronavírus.

Quer dizer: caíram as despesas que a Unimed cobre e teria a pagar e caíram drasticamente. A sua arrecadação, no entanto, está mantida. Isso significa uma sobra de caixa que pode chegar a centenas de milhões de reais, o que permitiria algum tipo de alívio para os usuários – só que, não, a empresa, que gosta de se apresentar como cooperativa, porém na prática não o é, parece estar aproveitando para fazer rechear suas burras às custas dos seus clientes, embora legalmente e talvez não moralmente e eticamente. Como dito, não é só a Unimed. Todos os demais planos de saúde que funcionam em Goiás estão fazendo o mesmo. E não se diga que é preciso criar mecanismos para prevenir uma alta da demanda por atendimento médico, uma vez que o combate à nova doença foi centralizada nos hospitais públicos, os únicos que contam com os equipamentos necessários para acolher os pacientes.

A título de comparação, leitora e leitor, confiram a coluna do jornalista Elio Gaspari, em O Popular desta quarta, 1º de abril. Ele conta que, nos Estados Unidos, as seguradoras de saúde adotaram um comportamento solidário com os seus beneficiários: “Na semana passada a seguradora Aetna (22 milhões de segurados) anunciou que não
cobraria alguns pagamentos laterais exigidos nos contratos. A iniciativa espalhou-se com a rapidez do vírus, e 78 operadoras anunciaram diversas modalidades de ajuda. David Cordani, CEO da seguradora Cigna (12 milhões de segurados), informou: ‘Nossos clientes com Covid-19 devem se preocupar com a luta contra o vírus e em
prevenir sua propagação. Enquanto eles estiverem focados na recuperação de suas saúdes, terão nossa proteção'”.

É só um exemplo. Em uma situação de calamidade pública, instituições com abragência coletiva deveriam se adequar e responder à altura com as suas responsabilidades sociais.  Infelizmente, para a Unimed e demais planos de saúde , que não têm disponível até hoje uma reles vacina contra a gripe comum, apesar dos tempos de emergência epidemiológica, o coronavírus está se revelando uma grande oportunidade para ganhar dinheiro às custas da sua massa de “beneficiários”. Muito dinheiro.

31 mar

Ações solidárias de Caiado para a população expõem, por comparação, a insensibilidade e a ganância de Iris, do grande empresariado, da Enel, da maioria dos prefeitos e da Unimed

Não há como levantar uma vírgula para o desempenho do governado Ronaldo Caiado diante da pandemia do coronavírus. Suas ações de defesa e proteção das goianas e goianos são amparadas em fundamentos inconstratavelmente científicos, mas ele não está parando por aí: ao contrário, tem se desdobrado com decisões de solidariedade que são da maior importância, neste momento, e o farão credor eterno da gratidão e do reconhecimento de toda a população de Goiás.

Caiado mandou pagar em dinheiro para as crianças da rede estadual de ensino a merenda escolar. Adiou todo o IPVA do 1º semestre. Começa ainda nesta semana a distribuir 500 mil cestas básicas, cuja aquisição ele negociou pessoalmente com o setor supermercadista estadual. Aliviou as obrigações acessórias que os empresários são obrigados a cumprir com a Secretaria da Economia. Organizou a disponibilidade de 1.500 leitos para os pacientes graves de coronavírus. Suspendeu os cortes de fornecimento de água aos inadimplentes da Saneago. E, coroando tudo isso, está repetindo dia e noite que os segmentos sociais mais carentes precisam ser socorridos imediatamente, antes que a fome acabe provocando a quebra da ordem constituída.

É uma atuação modelar. E que, por comparação, denuncia a omissão de quem poderia estar fazendo o mesmo, ainda que dentro das condições de cada um. O caso mais sério é o do prefeito Iris Rezende, que baixou um decreto de calamidade pública e montou uma central de atendimento telefônico a dúvidas sobre o coronavírus – e lavou as mãos. A prefeitura da capital, cuja excelente situação fiscal vinha sendo cantada em prosa e verso, repetinamente passou a falar em dificuldades financeiras e virou as costas para as goianienses e os goianienses. Recusou-se a adiar o pagamento dos impostos municipais. Fechou os CMEIs e não ofereceu nenhuma solução alternativa para a alimentação de milhares de crianças. Não formulou nenhum programa de apoio a quem precisa (Salvador, por exemplo, vai pagar por três meses um auxílio de R$ 270 aos trabalhadores informais da cidade). Nem sequer está protegendo adequadamento os seus esquadrões de recolhimento de lixo, que continuam operando munidos apenas do equipamento tradicional (criminosamente, a Comug alega que disponibiliza álcool em gel para os lixeiros no início e no fim do expediente).

Na contramão da História, Iris segue falando em inauguração de obras, como se viadutos tivessem alguma importância ou servissem a alguma finalidade solidária no presente momento  de emergência. Lamentavelmente, a ganância fiscal da prefeitura de Goiânia se estendeu à maioria dos prefeitos, por esse Goiás afora, que não estão fazendo nada para contribuir com a luta contra o coronavírus e apoiar as suas cidadãs e cidadãos, preocupados apenas em preservar suas receitas. Em vez de cortar despesas, diminuir salários ou outros atos de sacrifício, preferem reclamar, em coro, da decisão de Caiado que adiou o IPVA (a que os municípios têm direito em parte).

Há exceções, é claro, e as principais são Aparecida e Trindade, que tanto repactuaram as datas de quitação dos seus tributos quanto lançaram programas para apoiar a população. Não está no mesmo caminho o grande empresariado, recolhido à defesa dos seus interesses, como sempre, e sem até agora um único gesto de grandeza em Goiás. A FIEG, poderosa representante do baronato industrial goiano, fez uma vaquinha há poucos dias e doou 100 termômetros para a Secretaria estadual da Saúde. Acreditem se quiser, leitoras e leitores: os supercapitalistas que se fartam dos incentivos fiscais estão limitados a essa única atitude de solidariedade com os seus consumidores, até agora. Outro comportamento deplorável foi o da indústria do arroz, que aproveitou a alta da demanda – via formação de estoques pelas famílias – para subir seus preços em mais de 30%, o que fez o pacote de cinco quilos do bilionário arroz Cristal subir de R$ 12 para R$ 16 reais nos supermercados.

Tem coisa pior, infelizmente. Uma delas é a Enel, que foi proibida pelo governo federal de cortar a energia de quem não pagar suas contas por três meses, porém não anunciou uma única medida de alívio por sua própria responsabilidade e até hoje não disponibilizou a anunciada autoleitura, com o claro intuito de ganhar tempo na cobrança da energia elétrica pela média dos últimos 12 meses – o que, obviamente, fará aumentar o faturamento da companhia. A Enel vai devolver o dinheiro depois? Vai. Vai pagar os juros desse “empréstimo compulsório”? Não vai. Por que a empresa italiana não dá a sua demonstração de solidariedade aceitando o menor valor dos tais últimos 12 meses, para acerto posterior da diferença, sem juros ou quaisquer outros encargos?

Vem agora a Unimed, maior plano de saúde em operação em Goiás. Com a quarentena, caíram a zero as cirurgias eletivas, as consultas de rotina, a procura pelos setores de emergência médica, os exames laboratoriais e, enfim, tudo o mais que os seus contratos asseguram aos usuários – só que as contribuições dos segurados continuam nos mesmos valores que eram pagos anteriormente. Isso significa que a empresa acumulará uma sobra de caixa de milhões e milhões de reais, pelo menos enquanto durar a quarentena, ainda mais que está definida a estratégia de tratamento dos pacientes de coronavírus, ao menos os graves, pelos hospitais da rede pública (os únicos que estão aparelhados corretamente para isso). Algum gesto de solidariedade entre os controladores da Unimed, em relação aos seus clientes? Nenhum. E nem sequer uma palavra de apoio ou de esclarecimento. Só o silêncio, como em todos os casos anteriores.

A pandemia do coronavírus trará uma consequência drástica para Goiás: com a exceção honrosa do governador Ronaldo Caiado, os donos do poder (público e privado) no Estado serão expostos como cruéis, impiedosos e, pior do que tudo isso, espertinhos que querem preservar as suas vantagens e ganhar dinheiro com o sofrimento do povo.

30 mar

Omissão da prefeitura de Goiânia na crise do coronavírus não está só na recusa a adiar ou renegociar os impostos municipais, mas também em largar os recolhedores de lixo à própria sorte

Para o prefeito Iris Rezende, as suas responsabilidades quanto a enfrentar a pandemia do coronavírus resume-se a duas platitudes: uma, assegurar às goianienses e aos goianienses que a capital é uma cidade “protegida por Deus” e, outra, assinar decretos inócuos de calamidade pública, que não foram seguidos pela complementação adequada quanto a medidas de prevenção coletiva – e por isso foram questionados pelo Ministério Público Estadual, corretamente, que foi à Justiça exigir que Iris adote soluções emergenciais de higiene e desinfecção em locais públicos e também em ruas e logradouros frequentados por moradores de rura.

Não, leitora e leitor, Iris não está fazendo nada para minimizar os efeitos deletérios da onda que está trazendo a nova doença para Goiânia. Seu secretário de Finanças, Alessandro Melo da Silva, ou mentiu há um mês atrás quando disse entre aspas que a situação fiscal da prefeitura era uma das melhores do país ou está mentindo agora na nota oficial que soltou para jurar que nenhum alívio pode ser concedido aos contribuintes do IPTU e do ISS, por falta absoluta de condições da caixa da municipalidade. Em meio a uma situação social que beira o desespero, o prefeito visita obras para prometer que, sim, todas serão inauguradas até o final do ano, graças a uma disponibilidade de recursos que alcançaria – segundo o mesmo secretário Alessandro Melo da Silva – cerca de R$ 1 bilhão e 400 milhões, guardados nas contas do Paço Municipal.

Afrontosamente, áulicos de Iris, como o seu auxiliar Agenor Mariano, ainda têm a cara lavada de aparecer nos jornais propondo que, justamente em razão da pandemia, o mandato do atual prefeito deveria ser prorrogado por mais dois anos. Ora, pela falta de ação, pela displicência, pela indiferença e pela negligência que a prefeitura está mostrando, talvez fosse o caso até de encurtar o tal mandato. Nem o minimamente básico está sendo feito. Testemunhem vocês próprios, leitoras e leitores: os recolhedores de lixo estão nas ruas manuseando o equipamento mais tóxico que existe em Goiânia, hoje, sem a proteção adequada. Os caminhões e trabalhadores circulam pelas ruas sem dispor sequer  de álcool gel ou qualquer outro desinfentante, a não ser os seus equipamentos tradicionais – que vão se contaminando a cada saco ou volume de rejeitos tocados. É um crime. A Comurg responde informando absurdamente que, na saída e na chegada, há desinfentantes disponíveis para os lixeiros. É caso de polícia, na presente situação de emergência sanitária.

28 mar

Fala de Vanderlan condenando a quarentena está abaixo das suas responsabilidades como senador e mostra desprezo pela vida ao acrescentar que “abaixo de 30 anos, quase não há mortes”

O senador Vanderlan Cardoso, que não tem formação médica – aliás, nem superior, disse a O Popular que “há exageros” nas medidas de restrição à circulação de pessoas em Goiás que foram adotadas pelo governador Ronaldo Caiado. Notem bem, leitoras e leitores: ele não detalhou quais “exageros” seriam esses, mas se alinhou às teses do presidente Jair Bolsonaro, sugerindo, sem dizer as palavras exatas, que pagar um preço em vidas de idosos e doentes seria, para a sociedade, um prejuízo menor que as dificuldades criadas para o pleno desenvolvimento das atividades econômicas e a manutenção da renda de cada um.

Não é papel de um senador da República em um momento como o atual. Além de ser uma opinião totalmente desprovida de amparo científico ou técnico, trata-se de uma manifestação que não deveria partir de alguém que ocupa um cargo de desse calado e, portanto, deveria ter consciência de que tudo o que sai da sua boca, inclusive os espirros, tem alguma importância. Já está patente, pelo mundo afora, que as decisões das autoridades quanto ao isolamento social são o que de melhor pode ser feito para prevenir os efeitos mortais da pandemia. É melhor parar, agora, do que colocar depois as vítimas em caminhões do Exército para serem cremadas em locais distantes. Segundo o senador, “quase não há mortes abaixo dos 30 anos”, o que não é verdade, mas pareceu soar, conforme a cabeça dele, como uma pena capital para quem está acima dessa faixa etária. (Atualização: levantamento do Ministério da Saúde, que acaba de ser divulgado, mostra que mais da metade dos casos graves, no Brasil, são de jovens e adultos com menos de 60 anos).

O mais inacreditável em tudo isso é que Vanderlan telefonou para Caiado para reclamar do que batizou de “medidas exageradas”. Quer dizer: além de não ter oferecido nenhuma contribuição para a luta contra o coronavírus em Goiás, ainda se mexeu para solapar o que vem sendo feito de bem feito pelo governador. Ah, reconheça-se, ele ofereceu salgadinhos, ou seja, comida processada, fabricados pelas suas empresas para ajudar nas cestas básicas que o governo goiano está distribuindo, o que não é nem um pouco recomendável, do ponto de vista nutritivo. Tais quais as suas opiniões.

28 mar

Ineficácia da prefeitura torna-se ameaça aos goianienses: em uma semana de vacinação contra a gripe comum, apenas metade das doses disponíveis foi aplicada. E a campanha parou sábado e domingo

A prefeitura de Goiânia não está em dia com as suas obrigações com a população da capital nestes dias de pandemia mundial. Além de recursar qualquer alteração no calendário de impostos ou qualquer outra medida capaz de proporcionar alívio financeiro aos contribuintes, não está sendo capaz de proceder a obrigações de rotina como a vacinação contra a gripe comum: a campanha foi mal organizada e não corresponde às necessidades que os goianienses estão vivendo.

Tendo recebido do Ministério da Saúde quase 60 mil doses, a prefeitura, em uma semana de trabalho, mal conseguiu aplicar a metade. A única atitude inteligente foi tirar distribuição das vacinas dos centros municipais de saúde, onde as possibilidades de disseminação do coronavírus seriam maiores, e passar para escolas municipais. Fora isso, a campanha é um desastre completo. (Logo no primeiro dia, o governador Ronaldo Caiado foi obrigado a se expor ao correr para o estádio da Serrinha e dissolver uma aglomeração de idosos que aguardavam pela vacina).

No tal drive-thru inventado nos shoppings e no pátio do Detran, não foi disponibilizado acompanhamento nem da Polícia Militar nem da Guarda Municipal para orientar os motoristas que se engavetaram em longas filas, em alguns momentos chegando a quilômetros. Pior: no final do horário de vacinação, aliás calibrado para as 17 horas e portanto cedo demais, veículos que esperaram por uma ou duas horas levaram os portões fechados na cara. Isso é um desrespeito, para não falar prova de desorganização e incompetência.

O prefeito Iris Rezende precisa acordar. Em plena pandemia, foi visitar obras(na foto acima), com sua assessoria distribuindo fotos e releases em que ele aparece sorridente liberando o tráfego na Praça do Cruzeiro (o que é uma imagem simbólica negativa no momento). É um absurdo. Obras não são prioridade neste momento, mas sim ações que tenham a ver com a contenção da nova doença em Goiânia – o que, com eficiência a toda prova, o governador Ronaldo Caiado está fazendo diariamente. Iris está omisso e não empenhou, até agora, um único recurso ou atividade extra da máquina municipal no combate ao coronavírus. A depender dos acontecimentos futuros, isso vai acabar manchando a sua biografia.

28 mar

Argumento de O Popular, de que rompimento de Caiado com Bolsonaro obedeceu a “cálculo político” e que “Caiado já sabia quem era Bolsonaro” não é só infantil, é desonesto também”

O Popular entrou em cruzada para defender a sua tese de que o reposicionamento do governadr Ronaldo Caiado em relação à sua aliança com o presidente Jair Bolsonaro obedeceu a um “cálculo político” e que, pior ainda, Caiado não teria razão porque “já sabia há tempos quem era Bolsonaro” – interpretação que revela a inocência dos jornalistas daquele que supostamente deveria ser o principal veículo de comunicação do Estado, mas não se comporta com a sensatez que está depositada sobre os ombros dos seus profissionais e parece não servir para nada, a não ser desinformar em tempos de emergência social e econômica.

Não houve “cálculo político” nenhum, leitora e leitor. Caiado esteve em uma videoconferência de governadores com o presidente, pela manhã, e nada ouviu sobre as sandices que, à noite, o chefe da Nação foi à televisão, em rede nacional, dizer. Ele, Caiado, ficou perplexo com a fala de Bolsonaro, que contrariou toda a sua formação científica como médico de elevada qualificação acadêmica e longa experiência. Mais ainda ao constatar que o capitão, sem a menor consideração com os governadores, tentou jogar no colo deles a responsabilidade pelas dificuldades óbvias que estão recaindo sobre o andamento das atividades econômicas.

Tudo isso não tem a ver com política, mas com ciência e bom senso. Mas é da maior importância no atual contexto, do país e do Estado. Envolve algo muito mais sério, que O Popular despreza: a defesa da sociedade e a proteção das goianas e dos goianos contra uma pandemia que pode cobrar um preço alto em vidas antes de ser debelada. O jornal outrora mais lido de Goiás hesita entre apoiar as medidas de contenção à circulação de pessoas ou defender a retomada das atividades. Não tem opinião sobre esse debate que é o mais importante do país, hoje. É omisso (todos os grandes jornais do país já se definiram a favor da quarentena). Nem O Popular nem Bolsonaro entenderam o xis da questão: se, com a movimentação de pessoas liberadas, a nova doença se espalhar, não haverá distinções entre jovens e idosos quando o sistema de saúde for sobrecarregado, como aconteceu na Itália, e não conseguir atender a demanda. Isso não envolve nenhum “cálculo político” e foi a única avaliação que orientou Caiado nas suas decisões quanto ao isolamento social e em relação ao presidente. Se houver alguma aritmética aí, o caso é de salvar ou não seres humanos, de todas as idades, já, e resolver depois os desafios da economia. É essa a única conta que o governador está fazendo porque, no final das contas, é a única que importa.

O outro argumento dos jornalistas de O Popular é que Caiado “já sabia há tempos quem era Bolsonaro”. Esse foi o título que eles puseram no podcast que distribuíram pelo email dos assinantes, claro reflexo do remorso que atingiu a sua equipe com as imbecilidades publicadas antes, quando tentaram depreciar as decisões de um governador que está se mostrando muito maior do que qualquer outro no país e não só pelas suas decisões institucionais, como também pela coragem pessoal demonstrada a cada dia. Ao vender a imagem de que Caiado está movido por interesses quanto ao seu futuro político, o resultado alcançado por O Popular, cuja equipe desdenha de todo e qualquer governante, menos Iris Rezende, é solapar a credibilidade das duras decisões adotadas em Goiás. É um jogo dissimulado. Porém, mesmo assim, não pode ser escondido, já que, no final das contas, tudo tem que ser colocado no papel. E aí a verdade é escancarada até para quem não sabe ler os pingos nos iis.

27 mar

Tribunal de Justiça acorda a tempo e cassa a decisão de um dos seus desembargadores que havia liberado o direito de ir e vir do coronavírus em Goiás

O presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Walter Carlos Lemes, acaba de prestar um serviço às goianas e aos goianos: cassou, de uma só penada, a decisão imprudente de um dos desembargadores da Corte que havia determinado o restabelecimento do transporte interurbano em Goiás – de modo que continua valendo a decisão do governador Ronaldo Caiado que corretamente suspendeu esse serviço para evitar a proliferação do coronavírus.

27 mar

Secretário municipal de finanças disse há um mês atrás que “Goiânia tem, sim, uma das melhores situações fiscais do país”. Agora, para recusar ajuda aos contribuintes, mudou vergonhosamente a conversa

Este é só um complemento à nota anterior, leitoras e leitores. Vejam o que o secretário municipal de Finanças Alessandro Melo da Silva(foto acima) disse há exatamente um mês, quando veio a público para negar uma pesquisa da Consultoria Tendências que situou Goiânia entre os municípios em situação de desequilíbrio financeiro: “O cenário retratado pela consultoria Tendências em análise sobre as contas públicas das capitais do país não reflete minimamente a realidade fiscal do município de Goiânia. Tanto o é, que há um abismo entre o estudo apresentado e os dados oficiais da administração pública, à cargo da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e dos tribunais de conta de Estados e municípios. A prefeitura de Goiânia reitera que, ao contrário do que diz a consultoria, a capital de Goiás tem sim uma das melhores situações fiscais do país”.

Agora, quando se levanta a possibilidade de socorro da prefeitura aos goianienses, diante da paralisação das atividades econômicas em razão da necessidade de deter a proliferação do coronavírus, o que diz esse mesmo fulano, em uma nota oficial (que ele não teve a coragem de assinar, atribuindo-a genericamente à Secretaria municipal de Finanças), conforme O Popular desta sexta, 26 de março: “A Secretaria de Finanças de Goiânia informa que, embora concorde e seja solidária às demandas atuais, o município não tem capacidade de caixa para suportar concessões no momento. Isenções e postergações das datas de vencimento de tributos fariam o município entrar em colapso”. De resto, foi ele mesmo, há poucos dias, que garantiu dispor de R$ 1 bilhão 400 milhões para sustentar, neste ano – frise-se bem: neste ano – a conclusão das obras em andamento em Goiânia e até acrescentar algumas novas.

Esse senhor ou mentiu antes sobre a boa qualidade da situação fiscal da prefeitura da capital ou está mentindo agora sobre a má qualidade dessa mesma situação. Deveria ser demitido sumariamente.

27 mar

Vexame: situação financeira da prefeitura de Goiânia, que foi vendida como maravilhosa e 100% resolvida sob Iris, agora é apresentada como “difícil” para negar ajuda aos contribuintes da capital

É um vexame. Uma atitude mesquinha que não faz jus à história de Iris Rezende, um político que sempre foi solidário com o próximo, mas isso, agora, parece que nunca foi além de tapinhas e abraços hipócritas nas costas das eleitores e eleitores. Iris, que vendeu a sua prefeitura como 100% resolvida financeiramente, nadando em um mar de rosas fiscal que permitiu uma explosão de obras pela capital afora, agora está alegando que não tem caixa e vive um momento difícil que impossibilita concessões aos contribuintes – como o adiamento do pagamento de impostos e taxas municipais, que prefeitos de cidades vizinhas, como Aparecida e Trindade, já anunciaram para as suas cidadãs e seus cidadãos.

Textualmente,  falando em nome do Paço Municipal, olha o que disse em nota oficial a Secretaria de Finanças, que nem o prefeito nem o titular da pasta, Alessandro Melo da Silva(foto acima), tiveram a hombridade de assinar: “A Secretaria de Finanças de Goiânia informa que, embora concorde e seja solidária às demandas atuais, o município não tem capacidade de caixa para suportar concessões no momento. Isenções e postergações das datas de vencimento de tributos fariam o município entrar em colapso”, diz a nota em tom choroso, manchando com a falta de decência a atual gestão de Goiânia com afirmações de um tipo que, poucos meses atrás, induziram tanto Iris quanto sua equipe a reagir com declarações agressivas (como de fato aconteceu quando um relatório da Consultoria Tendências avaliou a situação da prefeitura como de desequilìbrio fiscal, levando o secretário Alessandro Melo da Silva a denunciar a informação como fake news, o que não era, e em seguida a ameaçar com um processo judicial para desmascarar o que simplesmente chamou de “mentira”).

Não dá para concluir de outra forma: estão mentindo agora ou mentiram antes. Iris, um tocador de obras, nunca foi testado como administrador público em qualquer situação de emergência social e econômica, apesar da sua longa carreira. O coronavírus representa a sua primeira oportunidade de mostrar serviço diante de uma tragédia, mas ele, fazendo nada ao assinar inócuos decretos de calamidade, está se recusando ao até mínimo obrigatório – ou seja, levar algum alívio às centenas de milhares de goianienses, adiando temporariamente a carga tributária que carregam como uma cruz, para preservar a custo de sangue a integridade dos recursos de que pode lançar mão para terminar suas obras. E é muito dinheiro: R$ 1 bilhão 400 milhões, até o fim deste ano, disponíveis no tesouro municipal, conforme fanfarroneava a máquina de comunicação da prefeitura. A solidariedade com o contribuinte da capital, neste momento de agruras, custaria apenas uma pequena parte.

26 mar

Modo decisório do Judiciário e do Ministério Público, que impõe a prevalência de opiniões pessoais e sem amparo técnico ou científico, está garantindo o direito de ir e vir… do coronavírus

Um desembargador do Tribunal de Justiça, argumentado com leis que foram escritas para um cenário de normalidade social e econômica, suspendeu a decisão do governador Ronaldo Caiado que proibiu o transporte interurbano em Goiás para evitar a proliferação do coronavírus (note-se: Caiado é o governador mais bem preparado do Brasil para liderar o combate à nova doença e suas deliberações têm tido reconhecimento até mundial). Antes, o Ministério Público Estadual, pela cabeça de um único dos seus membros, também postulou e conseguiu na Justiça  a manutenção sem restrições do transporte coletivo na Grande Goiânia, baseado no direito constitucional de ir e vir (que, como se sabem, é também definido para épocas de normalidade e não de “guerra”, como agora).

São amostras, leitora e leitor, do modo decisório do Poder Judiciário e do Ministério Público, que se baseia no voluntarismo dos seus membros e na sua obsessão formal e brega pela lei escrita, o que é uma bênção para o Estado de Direito e a democracia, porém não em um momento de emergência como o atual – quando cada caso deve ser analisado dentro das suas peculiaridades. Ambas as medidas foram produzidas por cabeças individuais, sem amparo em nenhuma argumentação qualificada, como, de resto, é a regra dentro dessas instituições, que asseguram a autonomia total e absoluta dos seus juízes e promotores.

Em suma, absurdamente, o que ficou resolvido é que o coronavírus pode e deve se locomover à vontade em Goiás, pela vontade de apenas duas pessoas sem nenhum preparo específico  (um desembargador e um promotor, que nada sabem de infectologia), ao contrário do resto do mundo, onde o direito de ir vir, claro, é reconhecido, mas foi suspenso ou racionado. Medidas dessa importância não poderiam jamais ficar subordinadas ao poder pessoal de um ou outro dos integrantes do Judiciário e do Ministério Público, mas pelo menos submetidas a avaliações colegiadas produzidas por algum consenso subsidiado por informações adequadas às circunstâncias de contigência que o Estado, o país e o mundo estão vivendo.

A crise do coronavírus no Brasil, se servir para ajustar e acabar com esse tipo de autoridade, sustentada na insesantez, já terá servido para alguma coisa.

26 mar

Iris fracassa com a campanha de vacinação contra a gripe e, pior ainda, posterga medidas de alívio financeiro para a população para evitar prejuízos – temporários – para a arrecadação da prefeitura

O prefeito Iris Rezende, geralmente um bom administrador em matéria de obras e de reorganização administrativa dos órgãos de governo que assumiu ao longo da sua vida, está deixando a desejar com a crise do coronavírus. Ele tem mostrado lentidão nas reações, tornou a prefeitura da maior cidade do Estado uma coadjuvante apagada das ações de prevenção contra a nova doença e, no único desafio sério que foi chamado a enfrentar até agora, não conseguiu garantir para a população idosa a vacina contra a gripe de rotina.

O fiasco é monumental. A campanha imunizou por apenas um dia e em seguida acabou o estoque de vacinas. Mesmo nesse único dia, registraram-se filas e aglomerações que exigiram uma intervenção pessoal do governador Ronaldo Caiado, que, como se sabe, foi até o estádio da Serrinha para dispersar a multidão que se aglomerava ali para receber a sua dose. No momento, a vacinação está paralisada. Por problemas de logística, que o Paço Municipal deveria ter antecipado, não chegaram vacinas suficientes. Se o coronavírus der um salto na capital, a culpa, não restará dúvida, será das oportunidades de proliferação oferecidas por essa ação desastrada da Secretaria municipal de Saúde.

Para piorar, Iris, com a sua verve fiscal mais acesa do que nunca, mergulhou em silêncio quanto à cobrança dos impostos e taxas municipais. Quem conhece o prefeito de Goiânia sabe que ele, antes de tudo, é um arrecadador de tributos como não há igual em outra parte do país. Ao longo de sua carreira, sempre se mostrou um feroz e implacável caçador de tributos. É por isso, mesmo com a crise do coronavírus se abatendo sobre todos os segmentos da população e do comércio, que está se mantendo omisso quando a qualquer solução protelatória, adiamento das parcelas do IPTU, aumento de prazo para o recolhimento do ISS ou qualquer coisa semelhante (Aparecida e Trindade, por exemplo, já ampliaram os prazos para os seus contribuintes). Antes, está claro que ele prefere tentar salvar o caixa da prefeitura, uma das poucas do país que tem gordura financeira disponível para queimar no atual cenário de emergência, a apoiar com algum alívio as goianienses e os goianienses.

Está faltando a Iris mostrar que é também um bom gestor em tempos difíceis para todos.

23 mar

Queda na arrecadação será brutal e tende a comprometer o pagamento dos salários do funcionalismo público, a menos que o governo federal socorra de alguma maneira os Estados

Ninguém deve se iludir: a chegada da crise do coronavírus a Goiás, com a correta e pronta reação do governador Ronaldo Caiado ao determinar a suspensão da maioria das atividades comerciais e econômicas e outras medidas de restrição para a mobilidade, no intuito de prevenir a disseminação da doença, vai levar a uma queda – expressiva – da arrecadação de ICMS, a principal fonte de receita do governo do Estado, isso sem falar em outros impostos. Essa perda de recursos será sentida pelo os cofres estaduais daqui para meados do ano, aumentando consideravelmente as agruras financeiras que já acometem a administração, não sendo possível descartar nem mesmo alguma instabilidade capaz de prejudicar o pagamento em dia e completo da folha de pessoal (dado o seu excessivo peso, consumindo mais de 80% do caixa, a cada mês).

O governador já anunciou que os salários de março sairão até o próximo dia 30, mas o compromisso de quitar a folha dentro do mês trabalho é impossível de ser mantido a partir de abril. Não dá para imaginar que será possível para Goiás superar esse momento sem receber algum tipo de socorro do governo federal, em especial a sonhada autorização emergencial para contrair empréstimos e receber o aval da União. Caiado, quando assumiu, sabia que enfrentaria um desafio reservado a poucos homens públicos na história do país e do Estado, mas agora, com o coronavírus, as suas forças serão testadas no limite da exaustão.

22 mar

Resposta do grande empresariado goiano à crise do coronavírus mostra falta de compromisso social e completo egoísmo no esforço de manter seus lucros e… dane-se o resto

O grande empresariado goiano é uma vergonha. Só pensa nos seus lucros e não tem nenhum compromisso social, ou seja, nenhuma preocupação com os interesses coletivos, tanto que as suas lideranças classistas, até agora, sempre tão ágeis e rápidas na defesa das suas vantagens, como os incentivos fiscais, por exemplo, foram incapazes de apresentar qualquer colaboração ou sequer uma mínima sugestão qualificada para a superação da crise do novo coronavírus.

Calaram-se todos. Cadê o presidente da Fieg, Sandro Mabel, ou o poderoso chefão da Adial, Otavinho Lage? André Rocha, do Sifaeg? Ou Marcelo Baiochi, da Fecomércio, que publica vídeos nas redes sociais sugerindo ridículas  medidas de prevenção, em vez de tratar de medidas concretas da parte do seu segmento classista? Cadê todos os outros? Claramente, eles entraram em estado de desorientação e não se mostram capazes de oferecer ajuda efetiva para a luta contra a pandemia em Goiás. Está provado: é uma gente que só pensa nos seus interesses e em nada mais. O capitalismo, em Goiás, é o mais selvagem possível. Eles, os donos do dinheiro, não querem saber de nada, a não ser encher ainda mais os seus bolsos.

Grande empresário goiano é assim: não aceita pagar sequer pela manutenção do jardim à frente do seu estabelecimento. É tudo para eles e nada para ninguém. Acham que fazem o favor de produzir e, em alguns casos, como a CPI dos Incentivos Fiscais demonstrou à exaustão, entendem que devem receber por isso – e isso acaba acontecendo, infelizmente. O coronavírus, em Goiás, vai acabar tendo alguma consequência positiva: expor, para todo mundo, a ausência total de compromisso dos nossos grandes empresários com as necessidades gerais da sociedade.

22 mar

Empresas e motoristas decidem parar o transporte coletivo em Goiânia. Estão corretos e evidenciam o quanto o MP está errado nas suas “recomendações” e também a prefeitura e o governo do Estado

Na ausência de decisões claras da prefeitura, do governo do Estado e do Ministério Público, este em especial mostrando uma atuação errática e sem fundamentação na crise do coronavírus, as empresas de transporte coletivo da grande Goiânia e os seus motoristas decidiram, corretamente, ressalte-se, paralisar as suas atividades a partir da próxima terça, 24 de março.

Estão cobertos de razão e merecem louvores. É um alívio. A situação é de emergência e não permite nenhuma contemporização. Fora do rumo, o Ministério Público Estadual está exigindo que toda a frota de ônibus seja mantida em atividade, o que contraria a recomendação mundial para o setor, que, resumidamente, tem a ver com uma orientação de paralisação total para evitar qualquer estímulo à movimentação das pessoas – é por aí que o vírus ganha velocidade para proliferar.

O governo do Estado e a prefeitura da capital também escorregaram ao não suspender o transporte coletivo, sob a desculpa de não atrapalhar a movimentação dos trabalhadores dos setores essenciais. Nada disso. A crise do coronavírus não permite esse tipo de hesitação. É tudo ou nada. Sistemas emergenciais podem ser estabelecidos, para garantir que os trabalhadores da saúde acessem os seus locais de trabalho, onde, embora correndo riscos, cumprirão a sua missão de combate à nova doença. As próprias empresas e parte dos seus motoristas manifestaram-se dispostos a manter as linhas que passam pelos hospitais. É o suficiente e é uma lição de solidariedade e patriotistmo. Quando o Estado não age, compete à sociedade preencher o vácuo. É o que está acontecendo.

22 mar

Ações de Caiado contra o coronavírus são as melhores do Brasil, mas é hora de radicalizar ainda mais e acabar totalmente com a circulação de pessoas e talvez seja a hora de pensar em toque de recolher

Está sobejamente provado que, contra a disseminação do coronavírus, a única saída é a restrição total à circulação de todas as cidadãs e cidadãos – o que, pelo Estado de Goiás afora, não está acontecendo, sendo ainda elevado o número de veículos nas ruas e até de concentração de pessoas em alguns lugares, inclusive supermercados e demais estabelecimentos comerciais de venda de alimentos ou medicamentos, sem maior controle, pelo menos até agora.

O governador Ronaldo Caiado tem se mostrado como um dos melhores do país como líder inconteste da luta contra a proliferação da nova doença. É fato. Quando tudo isso passar, ele emergirá como um dos maiores nomes da política nacional, com caixa até para disputar a presidência da República. Mas isso será consequência de tudo o que está acontecendo. Em Goiás, há hesitações que precisam ser vencidas. E talvez a principal delas seja a decretação de um toque de recolher, sob fiscalização policial, o que deve levar a uma contração da mobibilidade social enfim de acordo com a urgência do momento (a Alemanha, por exemplo, proibiu reuniões com mais de duas pessoas, por que não aqui?)

Seja mais duro ainda, governador. Cada dia perdido pode ser fatal mais à frente. Parte da população já mostrou que é inconsequente e não e importa com a ameaça deo coronavírus. Não há alternativas. Polícia neles. Decrete o toque de recolher, determine que as famílias fiquem confinadas aos seus lares e estabeleça exceções sob fiscalização e condições rigorosas de segurança. É o único caminho. Antes que seja tarde.