Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

13 abr

Doações da FIEG, instituição que representa mais de 30% do PIB goiano, correspondem a uma ninharia e são uma vergonha para o grande empresariado, que poderia contribuir com muito mais

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás – FIEG, instituição que representa o grande empresariado de Goiás e fala e atua em nome de mais de 30% do PIB estadual, está alardeando em releases o seu papel humanitário ao coletar doações em alimentos entre os seus associados e repassá-las a igrejas, entidades filantrópicas e mesmo, diretamente, famílias necessitadas. Parece bonito, no papel, mas na verdade o que se tem é uma farsa ou, em outras palavras, a comprovação de que os supercapitalistas goianos são egoístas, não gastam dinheiro algum para apoiar o próximo e preferem defender seus lucros a qualquer custo – inclusive lançando mão do dinheiro público, já que embolsam, anualmente, entre R$ 8 e 12 bilhões de reais em ICMS que deixam de pagar graças aos criminosos incentivos fiscais de que são beneficiários (alto fartamente demonstrado pela CPI dos Incentivos Fiscais da Assembleia).

Vejam o tamanho da piada protagonizada pela FIEG, leitora e leitor: a corporação faz um carnaval publicitário nesta segunda, 13 de abril, para anunciar a entrega de “meia tonelada” de comida para a população desabastada. Meia tonelada é o mesmo que 500 quilos e 500 quilos de alimentos podem ser comprados em qualquer supermercado, a preços de varejo, por R 10 a 20 mil reais, dependendo dos itens. No caso de arroz, por exemplo, seriam 100 pacotes de 5 quilos, a R$ 12 a 16 reais cada um (o mais caro é o do Arroz Cristal, que subiu mais de 30% com a chegada da pandemia a Goiás), o que totalizaria entre R$ 12 a 16 mil reais. Uma ninharia, portanto. Coisa que um magnata da indústria goiana gasta por mês com a manutenção de um avião particular (sem falar nos que têm jatinho, que exigem um dispêndio muito maior) ou com os gastos de casas em Goiânia e em Paris, caso do presidente da FIEG, Sandro Mabel(foto acima), que tem apartamento na capital francesa.

O Banco Itaú acaba de anunciar a doação de R$ 1 bilhão de reais para as ações contra o coronavírus, que serão coordenadas por um comitê de médicos e cientistas renomados escolhidos para direcionar a aplicação do dinheiro. Esse é um ato que importa e que corresponde a uma consciência dos donos do banco sobre o papel social e solidário que devem ter em relação a sociedade em que atua e fatura os seus lucros. Não há nada nem remotamente parecido em Goiás, apesar das exceções do setor alcooleiro, que desde o começo da pandemia em Goiás está colaborando e, sem alarde, já repassou milhões em litros de álcool gel para prefeituras e o governo do Estado, ou ações, aqui e ali, como a do Grupo Novo Mundo, que doou 500 colchões para os hospitais estaduais. Registrem-se manifestações de generosidade entre os nossos capitães da indústrias e do comércio, sim, mas isoladas e sem maior abrangência.

Distribuir 500 quilos de alimentos, ou “meia tonelada” (que soa mais robusto), mesmo pela terceira vez em poucas semanas, como informa a sua propaganda, é muito pouco para uma organização como a FIEG, que tem nos seus quadros duas ou três centenas de milionários – alguns bilionários. Mas a verdade é que eles se recusam a qualquer tipo de solidariedade, preferindo se esconder atrás da conduta banana da associação que criaram e mantêm para a defesa dos seus interesses. Repetindo, amigas e amigas: a defesa dos seus interesses. O resto que se dane.

11 abr

Foto de Caiado aplicando álcool gel nas mãos de Bolsonaro simboliza vitória política do governador goiano

Um ditado popular surradíssimo – uma imagem vale por mil palavras -, que, aliás, é do sábio chinês Confúcio, aplica-se como uma luva à foto publicada em primeira mão pelo Diário de Goiás, mostrando o governador Ronaldo Caiado colocando álcool gel nas mãos do presidente Jair Bolsonaro, logo que se encontraram durante a visita técnica deste sábado à obra do Hospital de Campanha de Águas Lindas, no Entorno de Brasília.

O presidente, que nega a virulência do coronavírus e já o comparou a uma “gripezinha”, rendeu-se à regras defendidas pelo governador goiano, é o que diz a foto, para os cumprimentos de cortesia. Pelo menos em Goiás, as coisas têm que andar conforme determina a orientação científica das maiores autoridades sanitárias do mundo. Antes de receber o cumprimento e o abraço de Bolsonaro, Caiado “exigiu” uma desinfecção com álcool gel. Corretamente. A imagem, podem apostar, leitoras e leitores, vai correr o mundo (já está em O Globo, no Estadão e na Folha de S. Paulo), configurando mais uma vitória política arrasadora do governador.

09 abr

Grande empresariado, que ganhou bilhões com os incentivos fiscais, vira as costas para a população de Goiás e, com raríssimas exceções, nega-se a se solidarizar com a população

O grande empresariado de Goiás, que ganhou bilhões com a desbragada política de incentivos fiscais dos governos do PSDB, virou as costas para as goianas e os goianos e, com raríssimas exceções, está se omitindo na crise social e econômica do coronavírus, ao se recusar a qualquer tipo de solidariedade -e se negar a abrir seus bolsos abarrotados para doar recursos e produtos para apoiar a população carente do Estado.

Vamos matar a cobra e mostrar o pau: confiram, leitores, no site que a Organização das Voluntárias de Goiás – OVG abriu para prestar contas dos donativos e ajudas recebidas de empresas ou particulares. É algo que envergonha os grandes capitalistas estaduais. Um vexame. Até hoje, quase dois meses depois da chegada da Covid-19 a Goiás, entraram contribuições que mal chegam a R$ 3 milhões de reais. Pouquíssimas empresas abriram as suas burras, valendo como honrosas exceções algumas do setor de álcool e a GSA Alimentos, administrada por Sandro Scodro,  filho do presidente da FIEG Sandro Mabel, que repassou R$ 500 mil reais em dinheiro vivo para a OVG. É de se reconhecer também o setor de laticínios, que se mobilizou para doar 100 mil litros de leite e a TV Record, que participou com mil cestas básicas. Fora isso, quase nada.

Está tudo lá no site da OVG, item por item. A primeira-dama Gracinha Caiado, reconheça-se, tem se esforçado, mas esbarra no paredão da insensibilidade dos donos das maiores fortunas de Goiás, quase nenhum deles – anotem bem: quase nenhum deles – até agora capaz de abrir mão de alguns trocados para amparar o próximo em meio à situação de emergência humanitária em que o Estado está ingressando. É deprimente. A FIEG, que deveria ter um papel preponderante, nesta hora, como as suas congêneres em outros Estados, preferiu lavar as mãos quanto as suas responsabilidades sociais e insistir apenas no falatório inconsequente para quebrar a quarentena, contrariando todas as opiniões científicas que o governador Ronaldo Caiado está seguindo para impor o isolamento social.

Todo ano, os grandes empresários de Goiás embolsam entre R$ 8 e 12 bilhões em recursos públicos, em razão dos absurdos benefícios tributários que recebem, sem dar a necessária contrapartida para a sociedade – como comprovou a CPI dos Incentivos Fiscais. Até agora, as doações que fizeram à OVG correspondem a um milionésimo desse valor extravagante. Só que seria o instante de devolver uma pequeníssima parte disso, caso fossem conscientes e tivessem algum tipo de preocupação com os seus semelhantes desfavorecidos.

09 abr

Insensível e omissa, Prefeitura de Goiânia anuncia apoio para moradores de rua durante a crise do coronavírus, mas… só depois de ser obrigada por decisão judicial

O noticiário está repleto, nesta quinta, 9 de abril, de releases da prefeitura de Goiânia informando que, magnanimamente, diante da crise do novo coronavírus, resolveu disponibilizar um esquema de apoio aos moradores de rua, basicamente oferecendo 50 barracas e 50 colchonetes que desabrigados possam ser acolhidos em dois pontos: o Cepal do Setor Sul e Mercado Aberto da Avenida Paranaíba, já habitualmente frequentado por essas pessoas. Além disso, e anotem bem leitoras e leitores, porque voltaremos a esse ponto mais adiante neste texto, a prefeitura anuncia que também criou um banco de doações para que a população possa doar roupas, calçados, alimentos não perecíveis e produtos de higiene, para destinação aos sem teto da capital.

Efusivamente, os textos distribuídos pela comunicação oficial de Iris Rezende garantem que “a prefeitura de Goiânia está trabalhando para garantir o abrigo e condições adequadas de higiene para as pessoas que vivem em condições sociais fragilizadas”. Bonito? É. Mas, na verdade, uma grande mentira. Iris e a sua equipe, que nunca foram de gastar dinheiro com ações sociais, só tomaram essas providências porque foram obrigados por uma decisão judicial. Isso mesmo: o juiz André Reis Lacerda atendeu a um pedido da Defensoria Pública de Goiás para forçar o Paço Municipal a disponibilizar algum tipo de apoio humanitário aos moradores de rua da capital, no prazo de 48 horas (decisão exarada no dia 29, que a prefeitura só veio a cumprir nesta quinta, 9 de abril, portanto desrespeitando o estabelecido pelo magistrado), sob pena de multa diária de R$ 5 mil. Para o juiz, “as pessoas em vulnerabilidade social estão no grupo de risco de contaminação do coronavírus por viverem nas ruas”, o que é óbvio, mas não para Iris e seus auxiliares. Em que mundo essa gente vive, ao imaginar que 50 barracas e 50 colchonetes, que representam um gawsto de R$ 5, 6 mil reais, quando muito, podem ajudar ou apoiar quem quer que seja?

Nenhum prefeito de capital tem sido tão omisso com a situação de emergência sanitária, social e econômica criada pela chegada da Covid-19 do que o atual prefeito de Goiânia. Em termos financeiros, ele não gastou um centavo até agora, reservando todos os milionários recursos do seu tesouro para o andamento das suas obras, sem uma concessão qualquer para a solidariedade que todos os poderes públicas devem às cidadãs e cidadãos neste momento. Vejam bem: os moradores de rua só receberam 50 barracas e 50 colchonetes e nada mais, nem um prato de sopa quente no fim do dia, porque o Poder Judiciário assim determinou (e parece que a prefeitura fraudou a ordem do juiz, porque, por exemplo, não disponibilizou equipamentos de higiene, como expressamente citado na decisão). Se assim não fosse, eles continuariam ao léu, como sempre estiveram pelas vias públicas da capital. Aliás, continuam.

Quem conhece bem Iris sabe que ele é um político e um administrador frio e insensível. Não se comove com dramas pessoais ou sociais. Só pensa em obras, campo no qual sempre se saiu bem, porém nunca foi testado em condições de calamidade pública como o que ocorre. Lavou as mãos nesta crise do coronavírus ao, messianicamente, declarar que “Goiânia é uma cidade protegida por Deus”. Não fez e não faz nada por ninguém, ao contrário dos prefeitos de cidades vizinhas e bem menos aquinhoadas em matéria de caixa, como Aparecida e Trindade. Quem deve resolver, segundo a prefeitura, é a própria população, como no caso das doações que a prefeitura espera receber para repassar aos moradores de rua. Isso é um absurdo, um crime. Para Iris, desde que consiga inaugurar os seus viadutos, a população que se dane.

08 abr

Condenação por improbidade administrativa, no STJ, coloca a reeleição de Iris sob risco ao criar uma situação jurídica delicada sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa

O prefeito de Goiânia Iris Rezende foi considerado culpado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ em um processo por manusear irregularmente verbas municipais de publicidade, o que cria uma situação nova para a aplicação da Lei da Ficha Limpa ao seu caso e, no final das contas, acabar impedindo o registro da sua candidatura à reeleição. Ao contrário do que diz o jornal O Popular, como sempre informando mal e porcamente suas leitoras e seus leitores, Iris corre, sim, o risco de ser excluído do próximo pleito – como ficha suja.

Vamos lá: denunciado pelo Ministério Público, o prefeito foi absolvido pela 3ª Vara da Fazenda Pública de Goiânia e pelo Tribunal de Justiça de Goiás. O MP não se conformou e apelou para o STJ, onde um ministro, monocraticamente, entendeu que ele tem culpa, sim, e o condenou, mandando retornar o processo à 1ª instância Goiás para a fixação da pena. Ora, o que, forçosamente, os advogados de Iris vão fazer? Claro, vão recorrer ao plenário do tribunal, na tentativa de livrar o cliente da efetivação de uma condenação que, mais tarde, poderá custar caro a ele. Deixar correr frouxo, não vão deixar. Nem podem. E é aí que a porca torce o rabo.

Caso o plenário do STJ confirme a sentença monocrática do ministro Francisco Falcão contra Iris, ele estará condenado por “um colegiado de juízes”, condição básica que a Lei da Ficha Limpa prescreve para impedir qualquer candidatura. E aqui, atenção: o STJ é considerado o tribunal mais ágil do país. Para azar dos que estão submetidos à sua jurisdição, entre uma decisão individualizada de um dos seus membros e o inevitável recurso ao plenário, a resolução colegiada costuma sair entre dois a três meses – o que é tempo suficiente para alcançar a candidatura à reeleição do atual prefeito da capital e o excluir do pleito. Pior: a tradição da Corte é manter o entendimento do despacho monocrático.

A matéria de O Popular sugere, erroneamente, que Iris só seria impedido se a sentença, que eventualmente recebesse, acabasse por impor a suspensão os seus direitos políticos e que, mesmo assim, perderia os seus efeitos imediatos graças a um ou outro recurso. Isso é opinião de quem não tem formação jurídica. A Lei da Ficha Limpa não tem nada a ver com sanções específicas aplicadas a este ou aquele réu, mas com um fato objetivo muito simples: fica inelegível quem for condenado por um colegiado de juízes e ponto final. Isso não depende de transito em julgado nem de qualquer tipo de apelação. Para se tornar ficha suja, basta ser sentenciado por um grupo de juízes ou ministros, o que é o caso do plenário do STJ.

Iris, portanto, está a um passo da guilhotina. Através dos seus advogados, ele é obrigado a recorrer da decisão do ministro Francisco Falcão, sob pena de correr um risco maior no futuro. Mas, ao fazê-lo, estará se expondo a uma confirmação rápida da sua condenação, que, independente dos passos a seguir, recursos e tudo o mais, se refletirá sua a sua condição de elegebilidade. E estará fora da próxima eleição.

06 abr

Atendente de posto de saúde que morreu foi vítima do descaso e da negligência da prefeitura de Goiânia, assim como podem vir a ser seus colegas e os trabalhadores do setor de lixo

Parece claro que a morte da técnica de enfermagem e laboratório Adelita Ribeiro, vítima do coronavírus em Goiás, tem a ver com a omissão e o despreparo da prefeitura de Goiânia em relação às instalações, equipamentos e cuidados preventivos que deveriam ser dispensados aos seus prorissionais e trabalhadores que atuam nas frentes de contato com a população e atividades que ainda se mantêm na capital, mesmo com a quarentena – atendentes dos postos de saúde e lixeiros, dentre outros.

Qualquer leitora e qualquer leitor pode observar, nas ruas, que os vassoureiros e recolhedores de lixos estão atuando apenas com as suas desgastadas e costumeiras roupas de serviço. Não receberam álcool gel, óculos, luvas descartáveis (as de material nitrílico não se rasgam facilmente) e muito menos máscaras de proteção. A Comurg, quase que cometendo um crime, comunicou que todos estão tendo acesso a desinfentantes adequados (como o álcool gel), à disposição ao lados dos relógios onde assinam os pontos de entrada e saída. E só. Isso é um abuso, um ato anti-humanitário, um tipo de crime, muito próximo da exposição deliberada dessas equipes de operários ao contágio, pelo que os dirigentes municipais do setor deveriam ser responsabilizados por não cumprirem a obrigação de salvaguardar seus servidores – que entram em contato com o mais tóxicos dos detritos em circulação em Goiânia.

Mas o Ministério Público, a quem caberia a defesa desses segmentos que são obrigados a sair para trabalhar todo dia, está omisso, não cumpre o seu dever fiscalizatório e desde a chegada da pandemia a Goiás sem se esmerando em distribuir “recomendações” inócuas e sem nenhum valor impositivo. Atenção: na prefeitura de Goiânia, não são apenas os lixeiros que foram jogados ao léu. Os funcionários dos postos de saúde (assim denominados todos os prédios onde se presta algum tipo de atendimento médico – e são mais de 100) também estão largados. Nenhuma unidade passou ou está passando por processos de desinfecção. Adelita Ribeiro também prestava sua colaboração em uma delas, a do Jardim Novo Mundo – que, vejam bem, esse detalhe é da maior importância, só após a sua morte foi alvo de procedimentos de profilaxia e, conforme as palavras da própria secretária municipal da Saúde Fátima Mrué, é e será a única a ser submetido a esse tipo de atenção. Todas as demais prosseguem como estavam antes do início da pandemia.

A jovem enfermeira (vamos chamá-la assim) que morreu pelo coronavírus pode ter sido vítima de todo esse descaso da prefeitura de Goiânia, que este blog não tem a menor dúvida em declarar como 100% abaixo do que deveria fazer para atender a população que governa. Não foi solidária nem com as milhares de crianças que frequentavam os CMEIs, hoje fechados, e ficaram sem a merenda – o governador Ronaldo Caiado resolveu o problema nas escolas estaduais pagando uma diária de R$ 5 reais aos alunos necessitados, assim como fizeram prefeitos como Jânio Darrot, em Trindade, ou o de Aparecida (onde Gustavo Mendanha acaba de reassumir anunciando que a prioridade é a luta contra o coronavírus e o apoio às aparecidenses e aos aparecidenses). O prefeito Iris Rezende também não deu nenhum refresco para o pagamento dos tributos municipais, alegando viver uma situação financeira difícil que, um mês atrás, celebrada como “uma das capitais brasileiras em melhor condição fiscal”. Sem trocadilho, nosso alcaide lavou as mãos.

Outras mortes virão porque a irresponsabilidade e o desleixo de quem tem atribuições coletivas, em um momento como o atual, sempre cobram um preço. Em vez de entregar a proteção às goianienses e aos goianienses a Deus, como disse, Iris deveria é se desincumbir do que lhe cabe na luta contra o coronavírus.

04 abr

Executivo, Legislativo e Judiciário, mais o Ministério Público, Defensoria Pública, o TCM e o TCE, não têm outra alternativa na crise senão reduzir os seus salários, com carga de sacrifício maior para quem ganha mais

É inapelável: não existe outra saída para o Executivo, Legislativo e Judiciário, mais o Ministério Público, Defensoria Pública, o Tribunal de Contas do Estado e o dos Municípios, em Goiás, que não a imediata redução dos salários dos seus servidores, de todos os níveis, com carga maior de sacrifício, evidentemente, para quem ganha mais e sem demissões, como forma de atenuar os encargos financeiros do governo de Goiás face a queda de arrecadação provocada pela crise do coronavírus e a inviabilidade de cumprir o compromisso com o pagamento da folha de pessoal tal como vinha levando até aqui (rigorosa pontualidade) o governador Ronaldo Caiado, ao quitar o funcionalismo dentro do mês trabalhado.

Essa decisão é irrenunciável e já está tardando. Não é possível que, em um momento de tamanhã gravidade, não só local, porém nacional e mundial, o corporativismo do setor público queira defender os seus privilégios, às custas do sofrimento da população – a economia que virá com os cortes será obviamente destinada ao atendimento das vítimas da pandemia e, de resto, Caiado já anunciou que a partir de abril a prioridade será pagar quem trabalha na  Saúde e na Segurança, ficando todo o resto para quando houver caixa, sendo pacífico concluir que, durante um bom tempo, não vai haver.

Legalmente, já há condições para a aplicação de um corte salarial para o funcionalismo, com base no regime jurídico de emergência que passou a vigorar no país e está sendo 100% corroborado por decisões do Supremo Tribunal Federal suspendendo a Lei de Responsabilidade Fiscal e outros limitadores legais.

04 abr

37 dias depois de registrado o 1º caso de contaminação pela Covid-19 em Goiás, O Popular não se definiu se é a favor, como aponta a ciência, ou contra a quarentena, como se posiciona a FIEG

Equilibrando-se em cima do muro entre os que defendem a quarentena contra o coronavírus como prioridade necessária para salvar vidas e os que querem o seu fim ou suavização para tentar dar algum fôlego à economia e tentar preservar empregos e renda para a população, O Popular tornou-se o único veículo de comunicação do país, de alguma importância, a não orientar expressamente suas leitoras e seus leitores sobre a melhor resposta para esse falso dilema: não existe a menor dúvida de que é melhor, é conveniente, é correto ficar em casa e deixar para depois quaisquer outras decisões.

Até hoje, sábado, 4 de abril, 37 dias depois que foi registrado em Goiás o primeiro caso de contaminação pela Covid-19, o jornal não deu a sua opinião sobre essa polêmica que não tem nenhum sentido e já foi resolvida pela grande imprensa brasileira, unânime a favor das medidas de restrição à movimentação de pessoas – de resto consenso entre a comunidade científica mundial, mas mesmo assim contestada como gente como o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás – FIEG, o tétrico Sandro Mabel, cujo falatório contra o isolamento social ganhou amplo espaço, só que não mereceu até agora uma única virgulazinha colocada por O Popular.

O jornal, acaciano nos seus editoriais, continua omisso, dentro da teoria furada de que o bom jornalismo deve se limitar a veicular as posições de cada um, contra e a favor, e não se manifestar. Nem em tempos de normalidade isso deveria ser a regra de um portavoz da comunidade com o suposto peso de O Popular, que se propõe ao papel de instituição em Goiás. No emergência do coronavírus, comete assim um equívoco maior ainda e e assume um triste papel de fuga diante das suas responsabilidades.

03 abr

Insensibilidade e omissão de Iris com o coronavírus destoam da média nacional e do que está acontecendo nas capitais, revelando um gestor frio e incapaz de solidariedade

Em plena emergência social e econômica com o avanço do coronavírus em Goiás e, em especial, nas grandes cidades goianas, o que se tem na prefeitura da capital é um administrador frio, quase desumano, incapaz de qualquer ato de solidariedade com as goianienses e goianienses sob pressão da pandemia – além, também, de se omitir quanto a ações concretas para reduzir o impacto da situação de calamidade pública que se abateu sobre todos.

Sim, leitoras e leitores: Iris Rezende lavou as mãos (sem trocadilho), inventou que o Paço Municipal está sob ameaça de um desmoronamento financeiro, depois de passar o último ano apregoando que “a situação fiscal de Goiânia é uma das melhores do país”, e não adotou até hoje nem uma única providência emergencial para apoiar a população – nem mesmo uma campanha de vacinação contra a gripe comum conseguiu fazer normalmente (os postos estão parados, sem sequer uma comunicação adequada à sociedade sobre o que está acontecendo).

Um hospital municipal foi adaptado e disponibilizado para atender aos pacientes da Covid-19, mas sob coordenação da Secretaria estadual de Saúde. Uma call-center foi montado para responder a dúvidas sobre a nova doença. Uma campanha publicitária, tardia, foi lançada para sugerir que todos intensifiquem os cuidados com a higiene pessoa. E só. Tudo isso é muito pouco e muito, mas muito abaixo da capacidade econômica da prefeitura, sim, a que era espetacular até um mês atrás, mas de repente tornou-se difícil e próxima de um colapso. É um comportamento que deslustra o passado de Iris, mesmo porque há tanta sobra de recursos na administração de Goiânia que O Popular denunciou a criminosa aprovação de aquisição em curso de um terreno, pelo Instituto Municipal de Assistência Social, no valor de mais de R$ 7 milhões de reais, nesta semana, engolindo um dinheiro precioso que poderia ir para o combate à pandemia e seus efeitos.

Ou Iris perdeu o controle ou tudo está de acordo com a sua histórica fome por obras e impostos – cujo pagamento ele se recusou a postergar, ao contrário de cidades vizinhas como Aparecida e Trindade ou de outras capitais brasileiras. Também fechou as portas para qualquer ação social, largando as dezenas de milhares de crianças desalojadas do acolhimento dos CMEIs sem a alimentação devida a elas, coisa que, na rede estadual, o governador Ronaldo Caiado resolveu através do pagamento de R$ 5 reais por dia, em dinheiro, para os alunos privados das aulas e da merenda escolar. Não dá conta sequer de proteger os lixeiros que continuam percorrendo as ruas com álcool gel disponibilizado apenas quando batem o ponto de entrada e de saída na Comurg.

Enquanto Goiânia, Goiás, o Brasil e o mundo se mobilizam para deter a progressão mortal do coronavírus e todos os níveis de governo se desdobram para minimizar seus efeitos, Iris, no mundo da lua, visita obras e anuncia com a boca cheia que nenhuma delas vai parar e todas serão inauguradas ainda neste ano. Pode ser. Viaduto não enche barriga. Nem cura. O preço do que Iris está fazendo, ou deixando de fazer, será elevado e será contado em cadáveres, instabilidade social e desespero das famílias que habitam a “cidade protegida por Deus”, como o prefeito irresponsavelmente definiu a cidade que comanda.

03 abr

Enel vai arrancar centenas de milhões de reais das empresas goianas com o faturamento da energia pela média dos últimos 12 meses. Contra isso, a FIEG se acovarda e não fala nada

Autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, que costuma favorecer as empresas do setor em detrimento dos consumidores, a Enel suspendeu a leitura individual dos medidores e já está enviando aos seus clientes as faturas que trazem valores apurados pela média dos últimos 12 meses – uma malandragem que penaliza financeiramente as empresas goianas, de todos os tamanhos, que paralisaram as suas atividades, e também muitas  contas residenciais (você que trancou a sua casa e foi para a fazenda, por exemplo).

De acordo com a regulamentação da ANEEL, o dinheiro cobrado a mais, quando acontecer (e vai acontecer em larga escala), será compensado posteriormente, quando a a conferência dos relógios revelar que o gasto foi menor. Essa, leitoras e leitores, é uma bandalheira sem precedentes na história da prestação de serviços de fornecimento de energia no país e também em Goiás: no caso das empresas, como a maioria fechou para atender ao decreto do governador Ronaldo Caiado que impôs, corretamente, o isolamento social, o consumo caiu a praticamente zero, mas o pagamento terá que ser feito – pelos valores extraídos da tal média dos 12 meses – como se o regime fosse de normalidade.

Pior, muito pior: a Enel anunciou que implantaria um sistema de autoleitura dos medidores, inicialmente para o início de abril, depois para o dia 15 e finalmente para a segunda quinzena. Podem apostar, todos: é uma jogada calculada, destinada a garantir que pelo menos duas faturas sejam emitidas pela média dos 12 meses passados, assegurando para a companhia italiana uma monumental arrecadação para atravessar a crise do coronavírus às custas do comércio e da indústria de Goiás, que, na prática, estarão “emprestando” recursos , a custo zero, para a Enel, no instante em que enfrentam uma violenta quebra de caixa. Em um mundo em que a tecnologia está ao alcance da palma da mão, falar em prazos longos para implantar qualquer estrutura online ou virtual é um acinte e uma afronta à inteligência das pessoas. E ainda mais quando de se fala de uma multinacional  com capacidade financeira que nem 500 outras corporações têm no mundo.

Esse é o país em que vivemos: um momento que deveria trazer a solidariedade de todos a favor de todos, acaba servindo para que espertos e desonestos se aproveitem para locupletar as burras. E a FIEG ? O que ela fez ou pelo menos falou contra esse abuso, verdadeiro assalto, contra as empresas goianas, pequenas, médias ou grandes? Claro que… nada.

03 abr

Grande empresariado goiano pressiona Caiado para reabrir as atividades econômicas, vai na contramão do resto do setor no país e ameaça a vida deas goianas e goianos

A FIRJAN – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro está em campanha nas redes sociais pela manutenção do isolamento social, sem exceções para os setores não essenciais do comércio e da indústria. É o contrário do que faz aqui a FIEG – Federação das Indústrias do Estado de Goiás, que pressiona irresponsavelmente o governador Ronaldo Caiado pelo fim da quarentena e liberação geral das atividades econômicas, sob o argumento de que está sendo criado um risco para a sobrevivência dos negócios e dos empregos.

Existe esse risco, sim, é claro, e ele é bem real. Mas infinitamente menor do que a ameaça às vidas de milhares e milhares de goianas e goianos que estariam mais expostos ao coronavírus caso o cotidiano urbano seja retomado. Sobre isso, não resta a menor dúvida. Localidades onde aconteceu algo parecido viram a  incidência da nova doença saltar exponencialmente, com as vítimas fatais se multiplicando. Cadáveres chegam a ser colocados nas calçadas, por falta de serviços funerários, ou retirados através de empilhadeiras ou caminhões do Exércio para cremação em locais remotos.

É isso que a FIEG e o Fórum Empresarial estão postulando em Goiás, com a cobertura obsequiosa do jornal O Popular, aquele, mesmo se considerando o veículo de comunicação mais importante do Estado, não toma posição condizente com essa suposta grandeza e não diz aos seus leitores qual é a atitude correta a tomar – que seria obviamente o cumprimento rigoroso da quarentena, tal como estão fazendo todos os órgãos de comunicação brasileiros de expressão. Derrubado o isolamento social, como querem os líderes classistas, pode colocar a perder inclusive os sacrifícios que a paralisação impôs nos últimos 15 dias a todos. O que os grandes empresários goianos deveriam fazer é acompanhar o exemplo das suas entidades cogêneres de outros cantos do país, como a FIRJAN e a FIESP, esta de São Paulo, que são a favor das medidas de restrição ao contato e aglomeração das pessoas e se movimentam para colocar recursos para apoiar a rede de saúde e a população carente. E o Popular, sair de cima do muro.

02 abr

Presidente da Caixa Federal mentiu sobre redução de juros para parcelamento do cartão de crédito. Pior: IOF, suspenso nesta quarta por decreto de Bolsonaro, continua sendo cobrado

O Brasil, dizem os otimistas, tem jeito, Mas os pessimistas é que estão com a razão. O Brasil é uma bandalheira que nunca dá certo. Há uma semana, o presidente da Caixa Federal, Pedro Duarte Guimarães, promoveu uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro para anunciar a redução dos juros para quem quisesse parcelar o saldo do cartão de crédito, dentre outras linhas de financiamento do banco. A partir daquela data, disse ele com todas as letras, passariam a ser cobrados “apenas 2,9% ao mês”, um absurdo ainda, mas uma concessão e tanto em se tratando de… Brasil,

Ele mentiu, leitor. O aplicativo da Caixa Federal para os cartões de crédito oferece, sim, oportunidades de parcelamento das dívidas em até 36 meses, mas a juros escorchantes de 6,7% ao mês(veja print acima, na volta do dia desta quinta, 2 de abril). E continua sendo cobrado o IOF, que Bolsonaro, supostamente, suspendeu por três meses.

A Caixa Federal é uma excrescência, igual a qualquer banco particular. Só o lucro interessa.

02 abr

Grande empresariado goiano está omisso na crise do coronavírus e, com exceção do setor de ácool, deu até agora uma contribuição que é ridícula: a doação de 100 termômetros

Não é exagero, leitora e leitor: a poderosa Federação das Indústrias do Estado de Goiás – FIEG, que congrega os supercapitalistas goianos, aqueles que recebem anualmente incentivos fiscais da ordem de R$ 8 bilhões (a previsão para 2020), doou 100 termômetros para os hospitais estaduais – uma despesa que não chega nem a R$ 1 mil reais, mas, até agora, é a única contribuição que ofereceu ao combate ao coronavírus em Goiás, além de do falatório inconsequente do seu presidente, o ex-deputado federal Sandro Mabel (e se não for verdade, este blog gostaria de ser desmentido).

Em São Paulo, a FIEG de lá vem se saindo à altura do seu compromisso moral neste momento de calamidade. Levantou milhões e milhões de reais para comprar cestas básicas. Empresas como a Gerdau, a Ambev e o hospital Albert Einstein (que é particular) estão dando uma lição ao grande empresariado goiano.  Anunciaram, entre outras ações, a doação de um centro de tratamento da Covid-19 com 100 leitos à Prefeitura de São Paulo. Já entregaram 40 leitos e até o fim de abril estarão prontos os outros 60, para atender pacientes sem recursos. A Gerdau pagou a estrutura do prédio, a Ambev bancará o custo e o Einstein cuidará dos doentes.

Imaginem alguma parecida em Goiás, amigas e amigos deste blog. Não vai acontecer. Empresários de porte em Goiás recusam-se a pagar até pela manutenção dos jardins públicos que ficam em frente aos seus negócios. Acham que fazem à sociedade o favor de gerar empregos, quando, na realidade, só os criam na medida mínima para a garantia de funcionamento dos seus empreendimentos e, como a CPI dos Incentivos Fiscais comprovou, descumprindo as contrapartidas que assumiram ao receber os seus bilionários descontos de ICMS – sim, aquele mesmo tributo que as pequenas e médias empresas são obrigadas a pagar todo mês, mas os gigantes da indústria, jamais. Não é à toa que já se disse, por aí, que em Goiás pagar imposto, pelo menos o estadual, é coisa de pobre.

Há uma exceção. O setor de produção de álcool, desde o início, alinhou-se com o governador Ronaldo Caiado e está se desdobrando em contribuições, sem nenhum retorno financeiro. Já há algumas semanas, 120 mil litros de álcool 70% foram entregues ao governador para atender os hospitais públicos, asilos, presídios e unidades socioeducativas, não sem antes mobilizar fábricas de refrigerantes e cerveja que se adaptaram rapidamente para promover o engarrafamento do produto em unidades de um litro. Além disso, mais 100 mil litros foram doados para municípios, a exemplo de Goianésia, onde o prefeito Renato de Castro recebeu do seu adversário político Otavinho Lage, dono de uma usina, uma remessa de 20 mil litros, sem custo nenhum.

Os usineiros são um exemplo: estão cumprindo o seu dever em Goiás, coordenados pelo Sifaeg do jovem André Rocha. Mas são eles apenas. É bom ressaltar que as produtores goianos não fabricam álcool 70%, que, inclusive, era proibido para comercialização em geral e só foi liberado, diante da emergência sanitária do país (por seis meses). Eles só fazem o etanol e o anidro. Mas se adaptaram com rapidez e estão inclusive pagando por conta própria a fabricantes de embalagens, para fornecer aos órgãos públicos de saúde, além de estabelecer uma relação com a UFG para desenvolver uma nova fórmula para o álcool gel (o atual depende de insumos importados, que estão longe do alcance no momento). Fora eles, o resto do grande empresariado goiano está vergonhosamente com os braços cruzados – aliás, nem tanto, já que precisam ganaciosamente de proteger os seus bolsos.

01 abr

Vejam essa foto, leitora e leitor: ela atesta o alheamento e a insensibilidade de Iris, preocupado com obras enquanto a população padece com a crise e ele nega qualquer solidariedade

A foto acima foi publicada agora há pouco pelo portal online de O Popular. Mostra o prefeito Iris Rezende, em plena emergência provocada pela pandemia do coronavírus, vistoriando obras em Goiânia que nada têm a acrescentar  para o tipo de socorro que a população, especialmente a mais desfavorecida, demanda neste momento de agruras e sofrimento. Não é coincidência que ele apareça solitário na foto, longe de tudo e de todos – como que simbolizando o seu distanciamento deliberado das necessidades coletivas e a imersão em um mundo de fantasia, sem conexão com a realidade das goianienses e dos goianienses.

Até agora, com mais de mês da chegada da nova doença, o que Iris fez? Nada. Nada mesmo. Irresponsavelmente, assegurou que Goiânia “é uma cidade protegida por Deus”, em um instante em que Deus deve ter outras prioridades a atender. Em seguida, mandou seu secretário de Finanças avisar que não se pode fazer nada para aliviar as obrigações tributárias dos contribuintes sejam pessoas físicas sejam pessoas jurídicas da capital. Assinou um inócuo decreto de calamidade pública, instalou uma central telefônica para dar informações sobre o coronavírus e publicou um anúncio mandando a população lavar as mãos para se livrar do contágio. Mas quem lavou as mãos foi ele. Nem um único centavo da prefeitura, que há um mês atrás se gabava da sua “condição fiscal melhor que que a maioria das capitais”, foi comprometido com ações efetivas de combate à Covid-19, sejam sanitárias, sejam econômicas, sejam de apoio social.

Não há nada de concreto ou importante ou significativo que a prefeitura de Iris tenha feito pelos munícipes (que palavra!) até agora. É até interessante notar que ele tem praticamente 60 anos de vida pública sem que tenha sido testado em uma situação de catástrofe social ou econômica. Essa é a sua primeira vez e ele caminha para sair menor do que entrou. Manter o cronograma de obras, em detrimento do fator humano e da solidariedade social, é um caminho errado e até cruel ou característico da falta de compaixão. Viadutos não resolvem nada. Enquanto cidades da Grande Goiânia, como Trindade e Aparecida, já amenizaram as obrigações tributárias das suas cidadãs e cidadãos e adotaram programas para apoiar as faixas mais carentes da população, o Paço Municipal segue fingindo que está tudo bem e deixa todos ao léu.

01 abr

Atenção, leitoras e leitores: quarentena não pode ser suspensa em Goiás e precisa ser prorrogada por mais tempo, sob pena de se perder todo o sacrifício feito até agora

Por todo o mundo, as medidas de isolamento estão sendo prorrogadas em alguns casos até 30 de abril, mas prorrogadas, sempre com base em evidências científicas que não podem ser contrastadas. E não há dúvidas de que é o mesmo que se recomenda para Goiás, onde, teoricamente, a quarentena se encerra na próxima segunda, 6 de abril (na verdade, 4 de abril, que cai em um sábado, segundo o decreto do governador Ronaldo Caiado).

Se as restrições à movimentação de pessoas forem suspensas, a verdade é que todo o sacrifício feito até agora será desperdiçado. A pandemia está longe de ter sido contida em Goiás e segue ameaçando a vida das goianas e dos goianos. O máximo que se pode admitir é que alguns setores, infelizmente pouquíssimos, venham a ser liberados e mesmo assim assumindo-se que haverá risco de estímulo à proliferação da Covid-19.

A quarentena é questão de vida e morte. A recomendação de todas as autoridades e organismos da área de saúde, responsáveis, continua a mesma: não saia de casa.